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Entrevista com o Porcelli

  • Blog
  • 12 de Outubro de 2011
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Vamos aproveitar o blog da Concrete para um papo com Alexandre Porcelli, conhecido desenvolvedor com intensa participação em diversos projetos Open Source tais como Open Spotlight, Drools, Mule e outros. É uma referência no Brasil quando o assunto é NoSQL. Deve ter dificuldades para contar de cabeça quantas palestras já deu sobre o assunto. E igualmente lembrar quantas vezes disse:

Ou seja, quantas vezes precisou contestar estas e outras lendas urbanas que às vezes dificultam a assimilação de novas tecnologias ou neste caso, velhas tecnologias com outro enfoque.

Muitos sabem que ele coordena em São Paulo as reuniões do NoSQL Summer. Trata-se de um grupo de estudos das teorias básicas de sistemas distribuídos, bases de dados e NoSQL. No ano passado nossas reuniões eram no Starbucks. Agora estão acontecendo aqui na Concrete SP e continuam abertas a todos que se interessam. Vejam fotos abaixo.

 

Neste nosso papo eu teria muitas perguntas a fazer. Vou me restringir a apenas duas:

A primeira aborda os recentes lançamentos da Oracle que vieram debaixo de um guarda chuva chamado Oracle Big Data Appliance.

Segundo a Oracle, trata-se de um sistema incluindo o Hadoop junto com um adaptador para simplificar a interação entre ele e um BD Oracle, um loader permitindo usar o MapReduce do Hadoop para carregar e analisar dados de bancos Oracle, uma distribuição do R para estatísticas, o Oracle Linux, a JVM Java e finalmente o Oracle NoSQL Database construído em cima do Oracle Berkeley DB Java Edition.

Confesso que nem me lembrava mais do Berkeley DB. Uma vez aproveitei que ele vinha no Linux e usei em um sistema só para armazenar os usuários. E nem sempre a gente lembra que apesar do Berkeley DB não ter sido feito para ser uma solução NoSQL, é usado por algumas soluções como o MemcacheDB, projeto Voldemort e até o Dynamo da Amazon pode opcionalmente usá-lo como armazenamento local.

O Berkeley DB nasceu na universidade de Berkeley durante a transição do UNIX BSD 4.3 para o 4.4, como esforço de remover e substituir código do DBM da AT&T. Não passava de uma hash table armazenada em disco. Não era relacional e nem aceitava consultas usando SQL. Mais “NoSQL” impossível. O primeiro release saiu em 1991 e em 1992/93 fez parte do BSD UNIX 4.4. Vale a pena ler toda a história neste PDF publicado por gente da Sleepycat em 1999 USENIX Annual Technical Conference. A Sleepycat foi a empresa criada em 1996 para atender a Netscape. Mais tarde em 2006 foi comprada pela Oracle, que continuou a desenvolver e vender o Berkeley DB.

Resumindo :

A Oracle entrou neste mercado. Criou distribuições de Linux, Hadoop e R, juntou o seu Oracle Berkeley DB para Java, fez umas interfaces de manutenção e monitoramento e venderá NoSQL para o mercado corporativo. Aliás a entrada da Oracle no mercado NoSQL chamou a atenção de muita gente e há um ótimo overview no blog do Daniel Abadi.

Depois desta longuíssima introdução daquelas que normalmente a gente tagueia como tl;dr, finalmente vai a pergunta ao amigo Porcelli:

A seu ver, o fato da Oracle endossar a necessidade de uso de NoSQL, ajudará a abrir espaço nas empresas para as soluções NoSQL open source e quase gratuitas ou freemium como MongoDB, Redis, Riak, CouchDB, Neo4J (assunto da nossa próxima reunião do NoSQL Summer na próxima 2a feira 17 de outubro na Concrete SP), etc., que já vem sendo usadas em muitas empresas fora dos ousados early adopters?

 

Porcelli:

Olá Luca,

Primeiramente obrigado pelo convite. Desde já gostaria de dar os parabéns a Concrete pelo trabalho que vem realizando bem como todo o apoio que vocês vem dando as iniciativas como o noSQL Summer. E como você encheu minha bola nesta introdução, vou abusar dela e fazer uma exigência: que este post seja acompanhado de uma bela poesia (sugestão: O mundo é grande de Carlos Drummond de Andrade)!

Agora vamos ao que importa: Oracle e noSQL, pode isso Arnaldo?

Bem, não só eu, mas grande parte das empresas por trás dos projetos que você citou, fizeram declarações públicas empolgadas sobre a chegada da Oracle ao mercado de “nosql”. Estas declarações tem como linha geral o mesmo conteúdo: por um lado a gigante Oracle deve abocanhar uma bela fatia deste mercado, porém deverá expandi-lo, o que fará com que todos estes projetos tenham uma maior aceitação no mercado corporativo.

Não vou discutir aqui se a solução Oracle Big Data Appliance é boa ou não, mas sem dúvida esta iniciativa prova a teoria que bancos de dados relacionais não são a única opção de SGBDs.

E já que você mencionou o “renegado” Berkeley DB, que também tive contato em 2004/2005, vale lembrar que ele foi um dos componentes fundamentais do Dynamo da Amazon.com – tecnologia esta que é considerada, ao lado do BigTable do Google, um dos “pais” do movimento noSQL. 

 

A outra pergunta é sobre o evento da semana que vem, o no:sql(br)/v2. Fui no ano passado e achei ótimo. Mas ficou a impressão de um evento feito na bravura de quem não sabendo que era impossível, foi lá e fez. E fez gratuito. Na época você não era tão conhecido quanto hoje, pouca gente sabia de NoSQL e portanto a curiosidade era menor. Apesar disto, o evento foi de altíssima qualidade.

Gostaria que lembrasse um pouco do esforço de realizar o evento de 2010 e principalmente falasse deste da semana que vem, sobre como fez para trazer palestrantes de fora de SP sendo 4 estrelas de fora do país: Alistair Jones, Frank WeigelBenjamin CoverstonMathias Stearne. Tudo isto sem um patrocinador daqueles que bancam tudo. Sei que muitos como eu estão esperando as palestras com muita expectativa e espero que o evento dê lucro para que possa se repetir no ano que vem.

 

Porcelli:

A primeira edição do evento em 2010 ocorreu por acaso, um grande acaso que nasceu com um tweet. Era um evento para reunir alguns amigos (uns 20!) para falar sobre algumas tecnologias e depois… tomar cerveja. Como era de se esperar, alguns amigos responderam que estavam interessados (uns 10-15, não me lembro ao certo), o que me fez procurar um local para acomodar umas 30 pessoas (os 20 iniciais e mais os 10-15 novos interessados) e montar um site – na verdade fiz um fork do site do nosqleast com o objetivo de listar as palestras, palestrantes e principalmente conseguir coletar os dados dos inscritos para deixar na portaria do prédio.

Colocado o site no ar e anunciado com outro tweet – BUM: mais de 40 inscrições em menos de 2 horas. Mas até aí tudo bem, eventos de graça tem normalmente 50% de noshow…. porém no dia seguinte pela manhã, ao consultar o número de inscritos,  vi que já passava de 100! Ou seja: criei um evento! Aí tive que tomar uma decisão,  fazer de qualquer forma ou cancelar. Como bom maluco que sou, resolvi fazer! Movimentei toda minha família para em 2 semanas alugar um local e providenciar toda a logística de um evento. Foi uma maluquice… mas no final conseguimos! Boa parte do evento saiu do meu bolso mesmo (no meio do evento, por iniciativa dos próprios participantes, pegaram meu chapéu e passaram para arrecadar algum dinheiro para ajudar a cobrir o rombo…). Como você pode ver, o evento foi muito  mais maluquice que bravura ;).

Esta odisséia conta apenas uma parte do evento, a outra diz respeito ao conteúdo. Para uma primeira edição criada do dia para noite, acredito que tivemos um nível acima da média, inclusive contamos com a presença internacional de um dos engenheiros do MongoDB (que foi enviado de Nova Iorque diretamente para São Paulo apenas para o evento). Outro aspecto muito importante, talvez o mais importante do evento do ano passado,  foi conseguir reunir diversas comunidades em um único local! No mesmo auditório foi possível reunir as comunidades Java, Python, Ruby além de Sysadmins e DBAs. Isso para mim foi um feito. Não me recordo de eventos anteriores que conseguiram reunir tanta diversidade em um único auditório.

Agora deixe-me falar um pouco sobre a 2a edição do evento que desta vez está um pouco diferente. Primeiramente ele se tornou um evento pago agora de dois dias – mesmo porque eu não conseguiria bancar do meu bolso novamente um evento do porte que o no:sql(br)/v2 se tornou. Porém foi possível manter o valor da inscrição bem acessível e totalmente compatível com um evento deste porte que inclui palestrantes internacionais e as principais referências nacionais sobre o tema.

Em relação a sua pergunta como faço para conseguir trazer tantos palestrantes de fora de São Paulo bem como os internacionais, bem… isso é uma arte! Em resumo são muitos emails…. e isso vai muito além do fato de ter de convencê-los a vir para São Paulo, isso envolve a ajuda com toda logística e apoio que inclui visto, hotel, horário das palestras, eventos paralelos, reuniões de grupo de usuários, etc…

Para finalizar gostaria de convidar todos os amigos leitores do Blog da Concrete para visitar o site no:sql(br)/v2. Os interessados no tema devem correr e se inscrever para o evento, pois restam agora pouquíssimas vagas!

É isso aí Luca, um forte abraço, e espero poder escrever novamente aqui para o blog da Concrete ;).

 

Obrigado Porcelli. Realmente gostei muito da entrevista. Lembrou a gente que agora com a Oracle entrando no mercado e NoSQL virando mainstream, é importante se atualizar e conhecer esta outra opção de armazenamento de dados com todas as suas nuances de consistência e atomicidade.

Uma excelente oportunidade para trocar informações e aprender mais será o no:sql(br)/v2 da semana que vem em 21 e 22 de outubro,

Nós da Concrete não pudemos apoiar exatamente como gostaríamos e tal como fizemos com tantos outros eventos neste ano. Mas fica a recomendação de um excelente encontro com ótima visibilidade. Quem está apoiando ficará muito satisfeito. Parece que ainda há possibilidade de um patrocinador de última hora aproveitar o momento.

E para quem vai encontrar a turma da Concrete por lá, corram porque como o Porcelli disse, restam poucas vagas.