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Entrevista com Fernando Ribeiro

  • Blog
  • 31 de Outubro de 2011

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Desta vez quem escolheu a poesia foi o colega Victor Lima da Concrete RJ (era para o post do tech talk sobre o Varnish). Mas onde fica esta tal Pasárgada?

Na verdade Pasárgada fica aonde a gente quer. Uma vez, há muitos anos atrás, ouvi no rádio uma entrevista do médico Euryclídes de Jesus Zerbini, pioneiro nos transplantes cardíacos no Brasil. Ele disse uma frase que não esqueci: “Ser feliz é uma opção. A gente acorda pela manhã e opta em ser feliz“. Concordo. Se para ser feliz é preciso conseguir bens materiais, nunca seremos felizes porque sempre nos faltará algo.

Pasárgada pode estar também no trabalho. Nosso caso é especial porque desenvolver sistemas é uma atividade lúdica. Um jogo em que o computador aprova nossas idéias e nos permite ir adiante. É muito bom ver um projeto crescendo. Bem mais desafiador do que ficar carimbando processos em uma repartição do Governo, para o qual se matou em um concurso, pensando na aposentadoria daqui a 35 anos.

Também há contrariedades. O cliente nem sempre percebe vantagem no que propomos. Por pressão ou por falta de entendimento da tecnologia em uso, faz exigências que podem comprometer o resultado final. É necessário habilidades de convencimento e negociação que vão além do que aprendemos sobre bits e bytes. Faz parte. Ainda dizem que TI não tem a ver com a área de humanas.

Sem falar em ter que adivinhar quanto tempo demora para fazer algo que nunca foi feito. Exatamente como li no Twitter: Coders are special. “We are expected to know how to do things we’ve never done before and estimate how long they will take.”

É isso aí. Volta e meia passamos por desgastes. O tal prazer  de trabalhar, aquela vontade de fazer sempre o melhor, de vez em quando leva uns tabefes. Passa por altos e baixos. É normal. Difícil alguém dizer que tudo na vida é 100% prazeiroso.

Mas tem uma coisa: aquele que não vê nenhum prazer no trabalho, que faz só por obrigação, dificilmente se entregará por completo e provavelmente seu resultado não será o melhor possível. Se nunca sente prazer no que faz, não haverá do que se orgulhar.

Aí cheguei onde queria.

Se entregar por completo para ter chances de fazer as coisas bem. Fazer as coisas com paixão. Defender suas posições sempre tendo em vista o que é melhor ao projeto. Assim deve ser em Pasárgada.

Eu conheço um cara assim.

É o Fernando Ribeiro, ótimo palestrante, desenvolvedor e arquiteto de software conhecido por suas contribuições ao código do projeto Apache Camel que usa nos seus projetos de integração de sistemas.

É admirado pela paixão que transmite ao palestrar. Não perco uma. Se tivesse ido a Goiânia, teria assistido de novo no TDC2011 de lá, ele falar de ergonomia de APIs, que vi no TDC2011 de SP.

Em São Paulo aproveitei para fazer uma rápida entrevista em que fala do seu entusiasmo por desenvolvimento e de como acha importante trabalhar com paixão. Mostra também sua visão sobre diplomas e certificações. Eu gostei muito. Espero que gostem também.

 

Faltou contar qual o verdadeiro autor do Neruda fake publicado no post Ser dev.

Não é Neruda coisa nenhuma. É de autoria de um tal de Douglas Malloch (1877 – 1938), escritor americano, pouco conhecido, que escrevia histórias de lenhadores em um almanaque editado por Edgar Rice Burroughs, o criador do Tarzan .

Os versos originais em inglês podem ser vistos em Be the Best of Whatever You Are.

Para o meu gosto, estes versos tem mais valor pela mensagem de ser o melhor no que faz. Mas não acho que deva ser uma obsessão e que o modelo ideal seja vencer acima de tudo. A mim basta dar o melhor que posso.

 

Me desculpem porque ficou longo. Como disse no Twitter, talvez tenha sido influência de lembrar do Fábio Akita nesta semana do RubyConfBR.