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Dez dicas para startups ou novos projetos

  • Blog
  • 28 de Maio de 2012
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Uma definição que é sempre boa ter em mente é sobre o que é uma startup. Eu gosto muito da frase do Eric Ries:

    “A startup is a human institution designed to create a new product or service under conditions of extreme uncertainty.”

 

O Fernando tem escrito e palestrado sobre Lean startup em diversos locais. Aqui mesmo neste blog há ótimos artigos dele. Uma coisa que volta e meia aborda em conversas informais aqui na Concrete é que todos os conceitos são muito novos e ainda estão em evolução.

Podemos dizer que as idéias tomaram forma a partir do livro The Four Steps to the Epiphany do Steve Blank de 2007. Ele mesmo cita autores nos quais se baseou para juntar com seus 25 anos de experiência como empreendedor de tecnologia para escrever o livro. Após o Blank, outros autores desenvolveram o assunto e o próprio Blank já lançou um novo livro expandindo suas próprias idéias.

Acredito que a frase do Fernando pode ser aplicada ao mundo inteiro. Muitos dos conceitos que surgiram para aplicação às empresas digitais, contrariam antigos dogmas das empresas tradicionais. Pior do que simplesmente serem novidades, eles desafiam o status quo dos doutores e mestres dos MBAs tradicionais.

E convenhamos, não são conceitos fáceis de aplicar em sua totalidade em uma empresa nova desesperada para aparecer e fazer seu produto acontecer. Por ser tudo muito novo e porque poucos aplicam na totalidade, não restam muitos casos reais para apontar.

Mas mesmo se forem aplicados somente uns poucos conceitos, estes ainda podem trazer benefícios a uma startup ou um projeto novo dentro de uma empresa tradicional.

Se você quer saber os 10 passos que deve seguir para começar sua startup, deve ir logo direto a fonte e ler How To Build a Web Startup – Lean LaunchPad Edition.

Mas se me perguntasse quais os 10 conceitos ou dicas acho mais importantes para uma startup ficar atenta, responderia:

 

    1) MVP – ou Minimum Viable Product – fazer mais do que o mínimo para testar a hipótese foi e ainda é um dos erros mais comuns nos projetos que participei ou assisti.

    Na página 200 do seu recente Startup Owner’s Manual, o Steve Blank ao tratar de projetos web ou mobile, coloca este conceito de forma ainda mais radical:

      “Get the MVP live as quickly as possible (often the day you start the company) to see if anybody shares your vision of the customer need/problem”

    Mesmo que você não acredite em nada do movimento lean startup, faça do conceito de MVP um mantra em seus projetos.

     

    2) Hipótese ao invés de idéia – idéia parece coisa pronta mirabolante que pode mudar o mundo. Ao tratar por hipótese, fica mais explicito que é uma coisa embrionária sujeita a testes e validações.

    Uma hipótese pode ser por exemplo apenas o screencast de 3 minutos que o Dropbox mostrou no Hacker news em abril de 2007 e que recebeu muitos feedbacks que ajudaram a provar que o produto deles era interessante (antes de fazer o produto).

    Ver:

     

    3) Não alterar a hipótese enquanto não testada e validada – o mais comum nos meus projetos enquanto empreendedor foi justamente ouvir os clientes e alterar de acordo com o que cada um achava que meu software deveria ter. Ao ler isto no Steve Blank e depois corroborar com o Ries, vi quando tempo patinei e demorei mais do que o mínimo necessário para ter um produto pronto. No meu caso teria sido muito importante saber disto antes de mostrar meus produtos aos primeiros clientes.

    Este conceito não implica em fazer um único MVP e bater a cabeça com ele até o fim. A fase de validação deve ser um aprendizado e pode acarretar mudanças. Mas não faça como eu que mudava só porque alguém achou que deveria ter uma determinada feature.

    O MVP deve ser capaz de testar o que se presumiu com as hipóteses e simultaneamente estabelecer uma base de métricas sobre elas. Mas algumas vezes faz sentido a startup construir vários MVPs separados para testar cada suposição separadamente. Não há regras fixas aqui que sirvam para todos os casos.

    Ver:

     

    4) Entender o mercado – isto não é de lean startup mas o que havia antes do Blank era válido para empresas tradicionais. O Blank foi o primeiro a cuidar separadamente de empresas digitais. Agora no recém lançado The Startup Owner’s Manual ele aborda também as empresas tradicionais e eu estou pulando por cima pois isto já vem sendo estudado há anos.

    Ver:

     

    5) Sair do prédio – este conceito do Blank parece que todo mundo já conhecia mas ninguém praticava. Só iam validar suas hipóteses depois do produto finalizado. Portanto enfatizar a importância dele é o mérito do Blank.

    Ver:

     

    6) Pensar no problema e não na solução – os devs tem uma tendência de achar que tem a solução. Mas nem sempre a solução deles é para um problema que alguém tenha reparado que é um problema ou então. Nem sempre é uma solução para um problema que mereça ser resolvido. Isto também não deveria ser novidade mas volta e meia alguém fracassa justo por este motivo. “A problem well stated is a problem half-solved.” – Charles Kettering (do blog do Ash Maurya).

    Ver:

     

    7) Lean canvas do Ash Maurya – poderia ser o Business Model Canvas do Alexander Osterwalder mas me incluo entre os que preferem o lean canvas do Ash para mapear o negócio de forma iterativa. O mais importante é não cair na esparrela de tentar fazer um plano de negócio detalhado como se fazia antigamente (e que eu antigamente, ainda no tempo do Lotus, ganhei bom dinheiro fazendo para terceiros). Você até pode fazer seu plano de negócio junto com seu lean canvas mas use um daqueles sites tipo plancruncher que fazem rapidamente planos bem simples. Afinal você vai errar mesmo.

    Ver:

     

    8) Medir – nos negócios digitais nem sempre a medida é o dinheiro que entra. Há muitas outras métricas. É importante medir sempre.

    É preciso saber logo suas chances como estão evoluindo. Conhecer recepções positivas ou negativas, se valeu pagar para adquirir clientes, reconhecer usuários ativos, se os usuários estão mantendo o mesmo engajamento, quantos % dos usuários adquiridos se mantém ativos, quantos % se engajaram inicialmente mas pularam fora. Em termos de nomes, as principais métricas estão listadas em 9 Metrics to Help You Make Wise Decisions About Your Start-Up

    As medidas são sempre em relação à principal proposição de valor e do quanto isto está importando aos seus clientes. A proposição de valor deve ser escrita da forma mais simples possível. E quanto mais simples ela for, mais fácil será medir a sua aceitação.

    A Internet está lotada de referências para ver sobre métricas para startups. Aí vão algumas:

     

    9) Saber como conseguir seus clientes – ou como planejar fazer com que potenciais clientes conheçam seu MVP, fazer seu plano de “get customers”. Parece que não é novidade. Mas negócios digitais muitas vezes precisam de estratégias diferenciadas do tipo “push” (midias sociais, emails), “pull” (AdWords), etapas de doação, de comprar early adopters, de depois descobrir que os early adopters pulam fora depois que não é mais novidade, sei lá, podia escrever um monte aqui.

    Cada empreendedor digital deve ter cuidado com as estratégias e técnicas que vai usar para conquistar clientes. Não é como com produtos tradicionais que basta montar uma equipe de vendas.

     

    10) “Entrepreneurship is a kind of management” – ter isto em mente, como enfatiza o Eric Ries logo na 3a página do livro The Lean Startup. Não basta ter a idéia, montar a hipótese, ser inovador e criativo.

    Começa pela dificuldade básica de encontrar um sócio que compartilhe das suas idéias e sonhos. Ver
    A comédia da vida societária – o desafio de encontrar bons sócios de Manoel Pimentel

    E mais:

      tem que arregaçar as mangas, trabalhar 12 horas por dia, contratar e demitir gente, tratar com fornecedores, assinar contratos, implorar para não depositarem o cheque, chorar na mesa do gerente do banco, almoçar em lugar chique para causar boa impressão, ter sempre cara de feliz, arranjar tempo para jogar golfe e fazer network, tuitar e facebookar porque sem isto ninguém lembra de você

      e se sobrar um tempinho,

      escrever aquele codigozinho que você sonhava que iria revolucionar o mundo.

    Ver:

 

Pronto, 10 conceitos ou dicas.

Poderiam ser 8. Ou 11. Mas todo mundo faz lista de 10.

Parece muito? Para mim estes seriam o minimum minimorum que muita gente diz que já conhece mas que antes do Blank & cia, poucos praticavam e mesmo hoje em dia, muitos os atropelam.

 

Pedras em 10, 9, 8…