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Estamos criando uma cultura de distração

  • Blog
  • 31 de Maio de 2012
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Obs: Este post é quase todo inspirado no excelente texto de Joe Kraus We’re creating a culture of distraction.

E não é a primeira vez que o fundador do Excite é citado neste blog. A outra foi com a frase dele logo no topo de Business Model Canvas

 

Algumas vezes você encontra um texto tão diretamente conectado a uma grande reflexão inacabada que ele causa dois sentimentos muito fortes:

    – a paz causada por mais um tema corretamente racionalizado e

    – a ansiedade de não ter sido você a pessoa capaz de sintetizar a solução para aquele problema.

 

O texto do Kraus, além de bem formulado e estruturado, é de uma coragem fora do comum, pois ataca o âmago de nossa hipocrisia. Estamos dependentes e, como tais, doentes. Criamos uma cultura da distração ou, como eu dizia, todos nós temos “attention deficit hyperactivity disorder (ADHD)”.

Como Kraus definiu bem, isso não só é perigoso, como também triste.

Segundo o autor, uma adolescente entre 13 e 17 anos manda em torno de 4.000 mensagens de texto por mês, o que significa um a cada seis minutos em que ela está acordada. O número para meninos não é muito menor, são 3.000. Isso significa que somos interrompidos nesta taxa, o que mostra que estamos forçando nosso cérebro a um treinamento acelerado em distração e ficando cada vez melhor nisso.

Pesquisas mostram que nosso multitasking, na verdade, não é nada mais que nosso cérebro pulando de um assunto pra outro, e isso diminui em torno de 10 pontos o QI. Estamos perdendo também nossa educação e consideração pelos outros e precisamos de estímulo contínuo como efeito colateral de precisar atacar um enorme medo da solidão e do tédio

O efeito da eliminação do chamado pensamento de longo prazo cria efeitos nefastos na nossa capacidade criativa, de nos relacionar e de gerar vínculos reais, e estamos ficando cada vez melhores nisto.

Depois de dois anos lendo blogs, só consegui voltar a ler livros em um Kindle desconectado, o que chamamos de Slow Tech que é o prazer de fazer as coisas do modo antigo.

Nossos textos tem que ter cinco parágrafos curtos, nossos vídeos, três minutos. O único lugar que ainda conseguimos ter um momento de real desconexão é no chuveiro até que a Apple crie o iAquaphone (dou graças a Deus por minhas corridas) .

O efeito disso na indústria de software onde vivo é especialmente duro.

Quem programa sabe que existe o que se chama de estar “in the zone”, aquele momento de desconexão com a realidade, isolado do seu meio onde a produtividade é dezenas de vezes maior que o normal e onde os problemas realmente feios são resolvidos. A cultura de distração está matando isso.

Duas considerações finais do autor:

    1) esse efeito só vai piorar;

    2) aqueles que conseguirem mitigar este problema vão se encontrar em uma posição incrivelmente privilegiada, tornando-se pensadores livres e criativos em um mar de autômatos, ironicamente desconectados pelo excesso de conexão.

 

Realmente vale a pena ler o artigo do Joe Kraus.