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O 1º dilema do empreendedor

  • Blog
  • 12 de Junho de 2012
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Fazer carreira ou abrir seu próprio negócio?

O Brasil figura sempre entre o sétimo e oitavo País do mundo em capacidade empreendedora, segundo os levantamentos do GEM (Global Entrepreneurship Monitor) e este número se manteve na última década, a despeito de todas as notícias e informações sobre o movimento do empreendedorismo brasileiro nos últimos anos.

Anualmente, cerca de 700 mil novas empresas são abertas no país e os números do SEBRAE indicam que a cada dez, sete são fechadas antes de completarem cinco anos de vida, o que já demonstra o hostil ambiente para empreender no nosso país. Segundo o mesmo GEM, já são 3 milhões de brasileiros entre 18 e 24 anos, recém-formados, que estão à frente da própria companhia, ainda que esta opção lhes traga muitos riscos.

O número do Brasil, além de prejudicado por esta hostilidade (da qual falarei em posts futuros), é também afetado pelo número dos chamados empreendedores por necessidade, ou seja, os que se tornam empreendedores porque perderam seus empregos. Isso foi muito comum durante os anos 80 e 90 e deturpou muito a análise da real atividade empreendedora global do brasileiro (Total Entrepreneurial Activity, definida como a porcentagem da força de trabalho que está ativamente iniciando novos empreendimentos ou é proprietária de negócios cujo período de existência é inferior a 42 meses).

É bastante comum ver em jovens de boa formação, com boa situação econômica e todo um futuro pela frente a dúvida entre ter um projeto profissional pessoal, com patrocínio dele próprio ou da família, ou ter um projeto de carreira que seja patrocinado por uma grande empresa.

Durante muitos anos esta pergunta era ainda mais latente porque a instabilidade econômica do Brasil fez com que algumas das nossas gerações colocassem como prioridade número um a estabilidade. Isso era absolutamente compreensível. Por outro lado, como o Brasil pouco crescia, surgiu em abundância o empreendedor oportunista citado acima, que montava seu negócio ou porque ficara desempregado, ou porque não encontrava uma oportunidade no mercado que lhe atraísse.

Hoje as relações de trabalho mudaram muito. O conceito de estabilidade mudou-se (se mudou, mas prefiro passou) das grandes empresas em geral para as empresas do governo. A competição se acirrou, os modelos de contrato de trabalho se alteraram e a revolução tecnológica trouxe a todos vários exemplos de empreendedores que se tornaram milionários após iniciarem seus negócios nas suas garagens.

Isso pode justificar o perfil mais comum do atual empreendedor brasileiro: qualificado, recém-saído da faculdade e com curta passagem por alguma grande empresa. É o momento que o sonho da carreira brilhante se vê questionado pelas limitações naturais das grandes corporações. O momento em que a grande empresa não consegue responder às ansiedades do jovem funcionário na velocidade de que ele precisa.

Diante disso tornou-se fundamental que a administração se adaptasse e estudasse este perfil, buscasse entender a formação psicológica deste jovem empreendedor que optou pelo caminho contrário à carreira e às grandes empresas.

Notadamente, fazer parte de uma família na qual seu próprio negócio seja valorizado é muito mais importante do que pode parecer inicialmente. Além disso, entende-se que é fundamental alguma participação em grandes empresas, mesmo que breve, para ter acesso a importantes ferramentas de gestão que possam ser importantes no futuro (planejamento, custos, tecnologias, etc).

Mas, ainda mais importante do que isso, é fundamental ter um bom coeficiente de adversidade, ou seja, força para não se abater diante dos fracassos, discernimento para saber quando mudar seu rumo e capacidade de executar estas mudanças quando forem necessárias.
Empreender, bem como fazer carreira numa grande empresa, é uma corrida de resistência, não de velocidade.

Em uma realidade onde a opção carreira/empreendedorismo existe, tenha certeza de que você é capaz de aguentar o tranco dos primeiros anos empreendendo.

Acredite, a pergunta sobre se está valendo a pena deixar de ganhar salário para investir no seu negócio vai ser feita diariamente.

E a resposta está longe de ser fácil de dar.

 

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.

Vitor Roma – Economista, mestre em administração e sócio-fundador da Concrete Solutions. Filho e neto de empreendedores, está neste mundo de administrar negócios próprios no Brasil há 20 anos.