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Inteligência emocional e o empreendedor

  • Blog
  • 26 de Junho de 2012
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Em 2004 iniciei meu Mestrado em Administração no Ibmec com a intenção de escrever sobre Governança Corporativa. Naquela época era este o assunto que mais me chamara a atenção durante meu MBA de Finanças. Já no Mestrado tive aulas de Comportamento Organizacional e posteriormente de Desenvolvimento de Habilidades Gerenciais com a professora Flávia Cavazotte, hoje na PUC RJ. Ela tocava muito no tema da Inteligência Emocional, que era moda na época e que se tornou conhecido por um acadêmico que soube explorar comercialmente o tema, Daniel Goleman.

Flávia usava pouco Goleman em suas aulas. Para ser sincero, ele nem é o autor que mais indico sobre o assunto mas me fascinei pelo tema. Não só pelo Comportamento Organizacional, mas pela forma como a inteligência emocional era importante para isso. Era algo bem presente no meu dia a dia de Concrete Solutions. Apesar de sermos uma empresa de tecnologia, sempre vi a Concrete como uma prestadora de serviços como todas as outras, ou seja, com foco na experiência em serviços do cliente, em atendimento.

Com o tempo fui observando como normalmente problemas comuns entre cliente e prestador de serviços, eram minimizados quando a parte da Concrete conseguia entender e se posicionar ao lado do cliente, buscando um entendimento que fosse bom para os dois lados. E isso acontecia também nas questões internas entre gerentes e funcionários. Era fácil observar o quanto nossos melhores projetos eram atendidos por quem parecia ser dotado de melhor inteligência emocional. Ou seja, a coisa casava com o que eu estava estudando e gostando de estudar.

Então mudei meu foco de pesquisa e escrevi uma tese que buscava medir se havia alguma relação entre o sucesso de um empreendimento e a inteligência emocional do empreendedor. Dentre muitas coisas legais que apareceram durante a pesquisa, a que mais me chamou a atenção foi a relação da instabilidade emocional com a durabilidade do empreendimento. Isso a princípio parecia incoerente com o que esperava, mas depois vi que fazia sentido. Voltarei a explorar isso no meu próximo post.

De qualquer forma, me aprofundando no estudo do tema e buscando cada vez mais exemplos no dia a dia da Concrete, tive cada vez mais certeza de que se você possui um bom coeficiente de I.E., suas chances de ser um empreendedor de sucesso aumentam muito.

Historicamente percebe-se um grupo de características pessoais básicas à maioria dos empreendedores: necessidade de sucesso, de autonomia, criatividade, maior aceitação ao risco e grande determinação (lembrem-se do post da semana passada- ver https://blog.concretesolutions.com.br/category/empreendedorismo/). Entendo que todas elas juntas podem ser ligadas ao conceito mais firme de Inteligência Emocional:

    “Habilidade para perceber, clarificar e gerir as nossas emoções e as emoções dos outros, de forma a facilitar os processos cognitivos e promover o crescimento pessoal e intelectual.”
    Salovey e Mayer, 2000

Ainda estamos falando de relações. Digo “ainda” porque cada vez mais nos distanciamos dela no mundo corporativo. Quando comecei minha trajetória não existiam emails, por exemplo. Lá na Superintendência de Informações Gerenciais da Mesbla tinha que ir à Contabilidade para buscar as informações necessárias para o meu relatório. Dependia da disponibilidade do cara de lá, do seu bom humor, etc… Resumindo: se o cara não fosse com a minha cara, me dava mal. Hoje, mandaria a requisição por email com cópia para o Diretor dele e o meu…

Mas ainda falamos de relações. Se você consegue entender o que mexe com o cara do outro lado da mesa, se consegue se colocar no lugar dele na hora de negociar algo e percebe justiça de ambas as partes, se percebe que está atendendo os problemas que ele precisa solucionar, suas chances de tê-lo como aliado aumentam muito.

Toda a trajetória do empreendedor brasileiro está ligada a fatores relacionados à sua inteligência emocional, sua capacidade de lidar com situações adversas, com clientes e fornecedores inseridos no mesmo ecossistema, e progredir nele. É um tema vasto. Por isso na semana que vem volto a ele, discutindo mais o próprio perfil deste empreendedor que pode vir a dar certo no nosso país.

 

Em tempo

Fiquei muito feliz com as discussões geradas pelo post da semana passada por comentários, twitter ou emails. Este é o objetivo dos posts e todo feedback vai contribuir muito para o meu livro.

Sempre fico muito preocupado com deturpações do efeito que casos de sucesso, como o do criador do Facebook, causam nos jovens. Normalmente é um deslumbre semelhante ao que as crianças têm quando vêem o glamour de um jogador de futebol vitorioso. Não percebendo que enquanto este chega lá, a grande maioria fracassa.

O excesso de confiança derivado de pouca avaliação do precário sistema financeiro brasileiro, ainda essencialmente baseado em dinheiro do governo e interesses políticos, pode causar um novo boom de frustrações. E um empreendedor frustrado pode decidir nunca mais empreender.

No Brasil, que é objeto dos meus posts e do meu livro, nem se fala. Exemplos reais, de economia real, longe da crença simplória de que o mercado financeiro brasileiro já ultrapassou seu absurdo nível de imaturidade, podem fazer toda a diferença na sua avaliação.

 

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.