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A importância de ter um plano que você possa mudar

  • Blog
  • 10 de Julho de 2012
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Em administração as histórias vêm e vão, sempre com a mesma capacidade de formar evangelistas ferrenhos e radicais, como se regras definitivas surgissem capazes de remodelar o mundo dos negócios. Quase sempre estas “certezas absolutas” morrem poucos anos depois, para dar lugar a uma nova regra definitiva que surge.

O mito do planejamento vem nesta esteira. Visto ora como vilão, ora como salvador da pátria, a verdade normalmente está bem no meio do caminho. Quem como eu já está há um bom tempo vendo este negócio de planejamento estratégico já presenciou momentos onde esta função era execrada, e momentos onde a viu se tornar essencial para o sucesso do empreendimento.

Na faculdade lembro-me de ter lido um artigo que dizia que o sucesso das empresas japonesas acontecia porque estas não usavam Planejamento Estratégico, enquanto as americanas o usavam em excesso. Este texto havia sido escrito nos anos 80 e, já nos anos 90, se mostrara ultrapassado porque afinal as empresas americanas haviam chegado lá. E aí a força do planejamento virou regra: planos de negócios, 4P´s, SWOT, Matriz BCG… Todos instrumentos muito legais e úteis, mas que não podem ser únicos.

Segundo Welch (1), “planejar representa a forma como a empresa pretende atingir os objetivos e as metas propostas”. Welch também diz que o processo de planejamento deve ser dinâmico, flexível e oportuno, isto é, adaptável às mudanças, com estilo participativo, voltado para a eficácia empresarial. E é aí que mora, no meu entendimento, o segredo do negócio.

Minha visão sobre a importância do planejamento estratégico para um empreendedor é simples: é fundamental que você tenha um planejamento, mas é também fundamental que você não o abrace ao ponto de não conseguir ver mais nada, sob o risco de morrer abraçado com ele.

Um mau plano estabelece o que deve ser feito com todos os detalhes possíveis previamente estabelecidos. Um bom plano, por outro lado, considera que os pressupostos sobre os quais o planejamento foi construído, podem mudar, e portanto, o plano deve ser flexível o suficiente para acomodar mudanças conforme novas circunstâncias forem surgindo.

É preciso planejar sem que você gaste mais tempo planejando do que executando, porque afinal é só executando que você poderá medir e receber informações importantes para a verificação da validade e do nível de acerto do planejamento. Você poderá ter enormes ganhos com este processo, porque comparar o que você planejou com o que você conseguiu fazer é fundamental para o futuro.

As organizações nascem com propostas de objetivos e diretrizes, criados normalmente da mente e do sonho de um fundador. Mas as mensagens chegam todos os dias; dos clientes, dos funcionários, do Governo, enfim, de todos os envolvidos. Se você conseguir receber estas mensagens e proporcionar as alterações necessárias no seu plano sem se desviar de seu objetivo inicial, suas chances de sucesso aumentaram muito.

Importante é que você se livre regras absolutas, das verdades imutáveis. Todos ao seu lado podem lhe trazer informações importantes o tempo todo. Se você não ouvir seu cliente, não saberá se o que você planejou para o seu produto está no caminho correto, e esta informação só virá quando seus clientes não os comprarem mais. Se você não ouvir seu funcionário não saberá se sua estratégia de retenção está indo no caminho correto, e esta informação só vira quando seu turnover crescer e você perder pessoas essenciais.

Gaste tempo observando sua empresa, perceba no que ela está se tornando. Não imponha valores e modelos, adapte as suas crenças à própria existência dela.

É fundamental planejar; tão fundamental quanto saber a hora de rever o planejamento.

Liberte-se dos dogmas. Tenha mente e espírito abertos para o desconhecido, o novo, o inovador, o desafiador e até para o que, numa primeira análise, possa parecer sem sentido.

(1) WELCH, Glenn Albert. Orçamento empresarial. 4º ed. São Paulo: Atlas, 1996.