Concrete Logo
Hamburger button

Disciplina da execução

  • Blog
  • 17 de Julho de 2012
Share

“Durante 27 anos pratiquei 14 horas por dia, e agora eles me chamam de gênio!” (Sarasate,músico)

Semana passada falei da importância de se ter um plano, e obrigatoriamente um plano que seja passível de mudança a qualquer momento. Hoje chegaremos à sequência do plano: sua execução.

Um bom planejamento sozinho não alcança os objetivos da empresa, por melhor e mais completo que ele seja. Se o planejamento realizado não for executado, acompanhado, controlado e, o mais importante, corrigido se necessário, de nada adiantará realizar o planejamento. Um bom plano não sobrevive à incapacidade da sua equipe de executá-lo.

E o mais grave dessa história é que as pesquisas mostram que normalmente é esta incapacidade que faz os planos falharem.
Por exemplo, uma pesquisa coordenada pelo professor Lawrence G. Hrebiniak, de Wharton, com o Gartner Group, em 2006, entrevistou 243 gerentes que relataram estar envolvidos na formulação e na execução de estratégias.(https://mgmt.wharton.upenn.edu/profile/1329/research/).

Os três itens de maior relevância na pesquisa foram a importância de gerenciar bem a mudança, a obrigação da estratégia em não conflitar com a estrutura predominante de poder e o processo de transferência de conhecimento. De acordo com os entrevistados, esses três fatores, se corretamente administrados, fazem com que todo processo de execução tenha mais chances de sucesso.

Então, para começo de conversa, é muito bom que as pessoas tenham uma certeza imutável: a execução é uma disciplina integrante da estratégia. Nenhuma estratégia que valha a pena pode ser planejada sem levar em conta a habilidade da organização em executá-la. E nesse aspecto reside um fator mais complicado do que podemos imaginar a princípio. Faça uma avaliação de quantas reuniões você fez nos últimos seis meses e verifique em quais delas os envolvidos saíram com funções a executar, prazos e metas a serem cumpridas.

Aproveite que está pensando nisso e verifique quantas iniciativas a sua empresa pensou em desenvolver nos mesmos seis meses e que não foram para a frente simplesmente porque ninguém as desenvolveu.

A primeira grande lição do processo de execução de uma estratégia deve vir do líder da organização (ou do plano). Execução em grandes organizações não pode ser imposta, precisa ser debatida. Se o líder impõe uma mudança ou planejamento sem obter o comprometimento do seu time com os planos de ação que eles ajudarão a executar, ele falha.

E um erro leva a outro. Se você impõe mudanças e planos tende a gerenciar detalhes porque, afinal, a não aderência do time às imposições vai fazer o líder se lembrar daquela velha máxima da administração: se quiser ver bem feito, faça você mesmo. E isso é um erro.
Há uma diferença enorme entre ser o líder de uma organização e controlar a organização. Seu papel, como líder, com o processo de execução deve ser envolver as pessoas no seu plano, ouvi-las, motivá-las, designar tarefas e depois garantir que elas compreenderam suas prioridades. Prioridades estas baseadas no ENTENDIMENTO abrangente da estratégia.

Neste caso, então, se define a primeira regra de avaliação de um plano estratégico: a menos que o plano seja realizável, ele não importa.

O livro “Execução – Disciplina para se atingir resultados” (Larry Bossidy e Ram Charan), para mim o melhor sobre o tema, descreve quais devem ser os comportamentos de um líder que quer levar sua empresa à disciplina da execução:

– Conheça seu pessoal e sua empresa;
– Insista no realismo;
– Estabeleça metas e prioridades claras;
– Conclua o que for planejado;
– Recompense quem faz;
– Amplie as habilidades das pessoas pela orientação;
– Conheça a si próprio.

Semana que vem voltaremos à disciplina da execução, falando mais do aspecto comportamental do líder nesta busca pela capacidade de execução de um plano.

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.
Vitor Roma – Economista, mestre em administração e sócio-fundador da Concrete Solutions. Filho e neto de empreendedores, está neste mundo de administrar negócios próprios no Brasil há 20 anos.