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Disciplina da execução – 2ª parte

  • Blog
  • 25 de Julho de 2012
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“A estratégia é a ciência do emprego do tempo e do espaço. O espaço pode ser resgatado. O tempo perdido, jamais.” (Napoleão Bonaparte)

Semana passada começamos a falar sobre a necessidade de implantarmos na nossa empresa uma disciplina de execução, e que sem ela não existe um plano que resista de pé: a menos que possa fazer o plano acontecer, ele não vai importar.

A realidade é que hoje empreendimentos são muito mais frutos de sua capacidade de executar uma idéia do que da sua capacidade de criar uma idéia. Idéias, boas ou ruins, são criadas todos os dias e, permita-me ser polêmico, superestimadas.

Quando alguém me procura para apresentar ou pedir opinião sobre um novo negócio eu quase sempre respondo da mesma forma: “parece ser um negócio tão bom quanto todos os outros. Depende de como você vai fazer isso acontecer”.

E como este é um post para empreendedores, o mais importante é analisarmos quais destas características que são descritas como essenciais a um líder que quer implantar a disciplina da execução são mais importantes no contexto.

Conhecer seu pessoal e sua empresa é essencial. Trazer as pessoas para o seu lado, discutir com elas as iniciativas e fazer com que a sua própria iniciativa, mudada ou não pela opinião de seus pares, torne-se a iniciativa de todos. Conseguir que as coisas sejam feitas pelos outros é uma habilidade fundamental na liderança. Na verdade, se você não consegue fazer isso, não está liderando.

Insistir no realismo é igualmente importante. Realismo é o cerne da execução, porque torna as coisas desagradáveis. E se você acha algo desagradável, resolvê-lo se torna mais preemente.

Estabelecer metas e prioridades claras ajuda e muito no processo de execução. Hoje eu vou mais além, lhe aconselho a criar metas e prioridades claras e curtas. Ou seja, diminua o tempo de medição de cada tarefa, porque assim você diminuirá o tempo de percepção sobre a capacidade de realização do plano (seja pela capacidade de execução de quem está fazendo, seja pela própria exequibilidade do próprio plano). Conclua o que for planejado. É fundamental que estas metas e prioridades claras se tornem ações, e que estas sejam concluídas. Você é um agente deste movimento, o principal agente. Cobre a conclusão das tarefas porque só assim você poderá medí-las.

Gaste tempo elaborando um modelo de recompensas que faça sentido e que induza o comportamento correto de seus pares. Esta talvez seja a mais difícil tarefa de um líder, recompensar quem faz de forma justa e que traduza benefícios para a empresa, não apenas para o recompensado. É fundamental que metas, prioridades e recompensas estejam alinhados entre si e principalmente, com a estratégia da companhia, previamente estabelecida e aceita por todos os envolvidos.

Vocês conseguem ver que há um caminho: pensar estratégia – discutir estratégia – convencer e alinhar – determinar ações – medir ações – recompensar. Assim concluímos um ciclo de execução.

E como você pode, durante o ciclo, contribuir ainda mais para que ele seja produtivo? Com orientação e auto conhecimento.

Sua função como líder não é executar para todos, é orientar para que as pessoas executem. Conhecê-las para ser capaz de conseguir tornar sua orientação mais produtiva para o próprio desenvolvimento do trabalho da pessoa que está do outro lado. Cada abordagem é diferente, cada pessoa é diferente.

E finalmente, se você não conhecer suas próprias limitações, não conseguirá mostrar a firmeza de propósito que um líder precisa ter para influenciar. E sem firmeza emocional você não tolerará a diversidade de pontos de vista que pode fazer a diferença.

Firmeza, clareza e determinação. Sem firmeza, não se ganha respeito. Sem clareza, perde-se respeito. Sem determinação, não se executa, não se decide, não se toma decisões difíceis.

Determinação é a capacidade de tomar decisões difíceis de forma rápida e eficiente. Alguns líderes não conseguem tomar decisões difíceis , não as enfrentam; e no final todos na sua empresa saberão que você não consegue, que você as protela.

E este seria o primeiro passo para fugir da realidade e criar um mundo pessoal onde apenas você sabe (ou acha que sabe) o que está acontecendo.

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.

Vitor Roma – Economista, mestre em administração e sócio-fundador da Concrete Solutions. Filho e neto de empreendedores, está neste mundo de administrar negócios próprios no Brasil há 20 anos.