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Um ambiente de confiança

  • Blog
  • 10 de Agosto de 2012
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E agora José ?

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Carlos Drummond de Andrade

O nome China é curiosamente derivado do seu primeiro Imperador, Qin Shi Huangdi, também escrito como Chin. Qin Shi Huangdi se tornou rei no território de Qin em 247 a.c. durante o período conhecido como Período dos Reinos Combatentes entre 476 a.c. e 221 a.c..

É na época de Qin que os escritos de Sun Tzu sobre combates e táticas militares se tornam “populares” e com isso Sun Tzu é conhecido até hoje pelos seus escritos e pelo popular lançamento moderno de A Arte da Guerra.

Imediatamente ao assumir o reino de Qin o Imperador inicia sua campanha de conquistas, e através de muitas batalhas e sequências de estratégias de alianças e combate consegue conquistar os outros 6 reinos, se tornando o primeiro Imperador do novo Estado de Qin em 221 a.c.. Foram 20 anos de batalhas continuas.



Oficial do Exercito de Qin - Soldado de Terracota

Oficial do Exército de Qin representado em estátua de Terracota, mais de 8.000 foram encontradas próximas ao seu mausoléu.

Após sua conquista, Qin, senhor de toda a civilização conhecida, inicia um processo grandioso de construção do seu império. Qin ordena a unificação de escrita, leis e administração pública. E começa a sistematicamente eliminar qualquer discordância e executar sistematicamente todos os bravos homens do reino.

Da proposta do conselheiro Li Si, aprovada pelo primeiro Imperador:

“… nos dias de hoje, os eruditos… estudam a antiguidade para poder criticar seus próprios tempos… Agora, o Augusto Imperador unificou tudo sob os céus, distinguindo o branco do preto e estabelecendo uma única fonte de autoridade… Eu desta forma requisito que todos os registros históricos que não sejam os do estados de Qin sejam queimados… Qualquer um que utilizar o passado para criticar o presente será executado junto com sua família”

A postura certamente não era uma de diálogo, e constantemente os próprios conselheiros do Reino sentiam que suas cabeças e famílias estavam sob risco.

A intenção de Qin era a de criar um reinado que durasse por 10.000 gerações. Ele queria ser o Imperador para sempre, absoluto. Suar ordens então são de procurar com o uso de vastos recursos financeiros a fórmula da vida eterna.

Ironicamente, nessa busca, Qin passa a utilizar medicamentos baseados em mercúrio, que curiosamente tem como um dos efeitos colaterais uma forma de doença mental com grande tendência a paranóia.

O “elixir da vida” foi o que lentamente envenenou e matou o grande Imperador. E imagine contrariar o grande Imperador para dizer para ele que ele estava doente ou que deveria procurar outra forma de tratamento.

Rios de Mercúrio

O Imperador de tudo o que havia sob o céu viveu apenas 50 anos.

Dando continuidade as políticas tirânicas de seu pai, Qin Er Shi, viu seu reinado durar apenas 3 anos. E em um período de 4 anos rebeliões destruíram sua dinastia, colocaram fogo em sua capital, e saquearam seu grandioso mausoléu. Sua dinastia foi seguida por uma das mais duradouras da história da China, a dinastia Han com mais de 400 anos de duração.

Realmente, a história nos mostra que mesmo sendo ele o todo poderoso Qin, perder a capacidade de ouvir e de manter dialogo pode se mostrar fatal.

O exemplo de Henrique VIII também vem a mente. Henrique VIII, considerado um dos grandes reis na história da Inglaterra morreu aos 55 anos de idade.

Supõe-se hoje que o rei sofria de Gota, doença que não era tão conhecida pelos médicos na época. Sua doença era agravada pela obesidade e por sua dieta, composta quase que exclusivamente de cerveja e carne. Com isso, quando os médicos conseguiam reduzir as feridas de suas pernas, sua situação se agravava e o rei chegou a ficar em coma em um desses casos. Os médicos então mantinham suas feridas continuamente abertas para tornar o problema crônico e adiar a inevitável morte do rei.

Mesmo sabendo que a caso do Rei era grave, nenhum médico teve a coragem de sugerir uma amputação como tratamento. Além de Henrique VIII, a essa altura da vida, ser conhecido pelo seu humor imprevisível e temperamento, se um médico sugerisse a possibilidade de morte do rei poderia ser acusado de alta traição.

A política oficial do estado não permitia aos médicos reais que se sugerisse que o regente poderia morrer, e uma operação com risco, como uma amputação seria algo impensável para os médicos reais da época.

E o que nós tiramos disso ? Certamente ambos os regentes citados são amplamente conhecidos por seu poder. E também pela sua paranóia e pelo ambiente de insegurança vivido pelos seus súditos.

Sem um ambiente de confiança, não poderia haver alguém que pudesse dar o conselho “correto”. Este não seria ouvido e com boas chances o súdito sofreria as consequências de querer “saber mais” que o rei.

Um ambiente de confiança pode não ser necessário para construir a grande muralha da China, com toda a sua magnitude a gastos de manutenção e guarda. Mesmo que, esta não seja efetiva na defesa contra as invasões bárbaras.

Para construir algo grandioso não precisamos do ciclo do feedback, para entender se estamos no caminho certo precisamos de feedback e de um ambiente em que criar seja seguro. Para fazer um grande projeto sem muita utilidade não precisamos de feedback, para compreender que o precipício está logo adiante, sim.