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Jack London no Agile Brazil 2012

  • Blog
  • 11 de Setembro de 2012
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    Platão descreve em Phaedro o episódio em que Hermes, tendo inventado a escrita, leva a novidade ao faraó Thamus. Excitado, aponta as vantagens da invenção, que poderia ser chamada de máquina da memória e que faria o homem jamais esquecer uma informação.

    O faraó, desapontado e cético, responde:

      – Arquive o projeto, Hermes, a memória é um grande dom, que tem que ser sempre cultivado. Com esta invenção, as pessoas lembrarão de coisas não por esforço interno, mas apenas por influência externa, deletéria e perigosa.

    Transcrição ipsis litteris do início do capítulo 3 do livro Navegar é Preciso, de Jack London, Editora Campus 2000 (só achei em sebo). A citação vem da relação entre escrita e memória do diálogo da maturidade de Platão, chamado Fedro, que trata da retórica e do amor.

 

Como alguns sabem, ajudei bastante na organização do Agile Brazil 2012 e a Concrete foi uma das patrocinadoras de primeira hora, bem dentro da linha cultivada aqui de incentivo ao compartilhamento de conhecimento e de aprendizado.

Descontada minha parte pelo orgulho de fazer junto com tanta gente boa (falta gente importante nesta foto), achei tudo muito bom, tanto sob o ponto de vista de entrega de conteúdo como oportunidade de network.

Além dos 3 dias de conferência, tivemos 8 cursos excelentes na metade dos preços normalmente cobrados. Eu, que não sou bobo nem nada, aproveitei e acompanhei o excelente treinamento de 2 dias com mão na massa de Management 3.0 da AdaptWorks, ministrado por Alexandre Magno e André Fária, dois dos melhores instrutores do Brasil.

Neste blog ainda serão publicados outros posts sobre o evento. Em breve sairá um sobre a participação do Fernando de la Riva no Executive Summit junto com os slides da palestra dele.

 
Este texto será apenas para comentar a excepcional apresentação do Jack London, pioneiro da Internet e do e-commerce no Brasil. Vejam mais sobre ele em Jack London no Agile Brazil 2012.

O Jack sempre foi um incentivador do comércio eletrônico. Se procurarem no Google acharão com facilidade frases dele mais ou menos recentes (2011) tais como:

    “Fora da Internet, perde-se até 70% das vendas”, diz London
    “O comércio tradicional como ele existe hoje vai mudar, as lojas não vão acabar, mas sofrerão uma revolução tecnologica com vitrines eletrônicas e Tablets servindo de mostruário de produtos, por exemplo. Quem não entender que este é um momento de transformação da forma de vender está fadado a sumir”, ressalta Jack London.

Só que hoje estamos vivendo um boom. Volta e meia vemos notícias como esta: Mercado de tecnologia vive novo boom e empresas disputam investidores

Talvez devido a este boom meio caótico, a apresentação dele veio justamente para recolocar algumas coisas no lugar.

Sem abrir mão de incentivar o e-commerce, falou do ambiente atual, de dificuldades, do muito que falta para o comércio tradicional se aproveitar deste boom e também do mau uso da Internet no Brasil.

No fundo mostrou que ainda temos muitas oportunidades mas que ninguém pense que a situação vai mudar em curtíssimo prazo.

 

Resumo da palestra

Eu esperava bastante da apresentação. Foi diferente do que ele tinha dito que ia fazer, talvez até melhor.

Ele é escritor, colunista de várias revistas e autor do livro com a citação ao diálogo de Platão lá de cima. Professor convidado da Coppead, da FGV, do ITA e da ECEME, já pronunciou mais de 1.200 palestras no Brasil e no exterior, notadamente nas Universidades de Michigan, Warthon e Columbia.

Com sua grande cultura, construiu uma linha de raciocínio vindo lá dos primórdios da humanidade. Falou da vida difícil na Europa, das milhões de mortes por pestes ou guerras e das migrações. Lembrou que o ser humano é único ser que ao longo dos tempos conseguiu aumentar seu tempo de permanência na terra. Você já tinha se dado conta disto?

Tudo para chegar na questão da duração média das empresas e de como é preciso se reinventar para seguir vivo.

Falou também de comércio eletrônico. Disse que em 1995 se pensava que em 2010 o comércio eletrônico ocuparia uma fatia de 30% do comercio total.

E de como este pensamento estava redondamente enganado.

Segundo ele, que foi o primeiro presidente da Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico, mesmo nos States o comércio eletrônico ainda é ínfimo quando comparado a tudo que se vende tradicionalmente. Não alcança 5% do total.

Eu sou meio desconfiado quando vejo alguém citando números. Principalmente este dado que me surpreendeu pois imaginava que, pelo menos lá, a participação fosse bem maior. Encontrei um relatório do U.S. Census Bureau chamado E-Stats de maio de 2012 dizendo:

    “Retailers’ e-commerce sales increased by 16.3 percent. As a share of total retail sales, e-commerce sales was 4.4 percent ($169 billion), up from 4.0 percent ($145 billion) in 2009.”

O Jack disse que no Brasil o total vendido nos sites nem alcança 2,5%. Também fui procurar e nem precisei ir muito longe. A previsão do total de vendas pela Internet em 2012 não atinge 25 bilhões (23,4 segundo https://www.secundados.com.br/#e-commerce).

Segundo a Pesquisa Anual de Comércio do IBGE em 2010, naquele ano o comércio movimentou cerca de R$ 2 trilhões de receita. Então, por comparação deduzo que os 2,5% citados pelo Jack talvez sejam até números otimistas.

Ele disse também que mais de 80% dos comerciantes brasileiros ainda não tem sites.

Isto parece contrastar com os dados do site https://www.secundados.com.br/#dados-de-internet, que diz haver 80 milhões de brasileiros com acesso à Internet (2/3 com banda “larga”) em 38% dos domicílios (a Internet ainda está longe de alcançar todos os lares brasileiros com velocidade no mínimo decente).

Mas está de acordo com o fato que ele apontou dizendo que a Internet é mal usada no Brasil.

Aqui 10% dos que usam a Internet o fazem nas redes sociais enquanto em outros países, como o Japão por exemplo, isto não passa de 2%.

Disse que no Japão o Facebook não está entre os 10 sites mais usados. Disse mais que no States, onde o Facebook é fortíssimo, o Twitter tem um percentual de uso muito menor do que no Brasil. Somos o 2o no mundo em número de usuários do Twitter (o 3o é a Indonésia). O Jack lembrou tambem que no Brasil o Twitter foi invadido por robots de empresas que o usam para promover produtos e principalmente celebridades.

O Jack chamou a atenção para o fato de que ainda se constrói muitos shoppings centers em cidades pequenas. Isto segundo ele, é um indicador de que o comércio tradicional ainda está longe de morrer.

E de passagem, falou que alguns grandes sites de e-commerce no Brasil passam por certas dificuldades, com prejuízos e situação no mínimo preocupante em termos de endividamento.

 

Conclusão

Este quadro não foi para desanimar ninguém. Até deixa claro que existem muitas oportunidades. Mas serve também para deixar o povo esperto de que os lucros na Internet não tão fáceis e imediato como alguns pintam.

 

    Obs.: Fiz um entrevista com o Jack no final do evento mas infelizmente perdi a entrevista por um problema na minha filmadora.

      Em resposta à última pergunta em que eu disse que ele deveria ter feito um keynote no Agile Brazil, o Jack disse que está disposto a voltar no ano que vem e que tem muito prazer em proferir palestras.

      Recomendo fortemente a quem organiza eventos no Brasil que deem oportunidade aos participantes de usufruir do mesmo prazer desfrutado por parte do público do Agile Brazil. Caso o Jack me autorize, posso passar o contato dele para quem me procurar. Por favor me digam o motivo para facilitar a consulta ao Jack.