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Caixa ou competência

  • Blog
  • 2 de Outubro de 2012
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O fluxo de caixa representa sua vida no mundo do empreendedorismo. Uma vez que seu caixa acaba, o fim é inevitável. ( Usman Sheikh, blog Journey of a Serial Entrepreneur)

O empreendedor médio brasileiro, em sua grande maioria, opta por empreender sem estar preparado para isso. Pode ser que isso seja derivado do viés oportunístico do empreendedorismo brasileiro, pode ser que seja característica do nosso povo.

Porém, mesmo o empreendedor que gasta algum tempo se preparando, sempre o gasta tentando conhecer antecipadamente o mercado em que estrá inserido, as particularidades dos seus concorrentes, preço, etc. E isso já é, acreditem, muito importante.

Se você estuda seus concorrentes com cuidado, conversa com seus potenciais clientes, já entra no mercado copiando o que é bom (sim, não há vergonha alguma nisso!) e trazendo idéias novas e complementares.

Só que será muito bom se você aprender um pouco que seja de contabilidade. Só um pouquinho. Sabe aquele papo de que “isso aí meu contador vê, porque eu não entendo nada”? Pois é, aceite meu conselho, entenda ao menos um pouco.

E se você aprender um pouco e entender do que falo, siga outro conselho: controle na competência, faça gestão no caixa. Vou supor então que você, que está lendo, pouco sabe do assunto. Considerando isso, tento explicar em poucas palavras a diferença.

Regime de Competência: o registro do documento se dá na data do fato gerador (ou seja, na data do documento, não importando quando vou pagar ou receber). Regime de Caixa: diferente do regime de competência o Regime de Caixa, considera o registro dos documentos quando estes foram pagos, liquidados, ou recebidos, como se fosse uma conta bancária.
(https://www.administradores.com.br/informe-se/artigos/regime-de-competencia-x-regime-de-caixa/20654/)

Então imagine a situação hipotética onde você é rentável (suas receitas, notas fiscais emitidas, são maiores do que sua despesas) mas o dinheiro não sobra.

Isso pode estar ocorrendo porque, por exemplo, você emitiu a nota fiscal mas seu cliente só a pagará em 45 dias. Então até lá você vai precisar pagar suas contas, impostos, funcionários, etc. Isso também pode estar acontecendo porque mesmo sendo rentável você precisou investir em máquinas e equipamentos.

Ou seja, você pode ser rentável, mas estar perdendo dinheiro. E mesmo que o argumento seja o que em algum momento você realizará este lucro, você pode não ter tempo, porque o aperto de caixa pode te matar no caminho ou o custo financeiro do dinheiro que você vai precisar pode pulverizar sua rentabilidade.

É fundamental que você controle sua empresa por regime de competência, ou seja, verifique regularmente a rentabilidade da operação que você montou. Isso se faz com a apropriação correta das receitas e despesas nos períodos em que elas foram realizadas e contraídas. Assim você saberá se seu negócio é rentável.

PORÉM, mais importante do que isso é gerir seu negócio por caixa. Uma empresa saudável GERA CAIXA. Se a rentabilidade não é suficiente para gerar caixa, sua empresa precisa ser mais rentável do que é, porque o negócio que você montou não remunera seu ativo de forma satisfatória.

Empresa sustentável vale dinheiro para dentro, gerando fluxos de caixa positivos e consistentes; ou para fora, tornando-se um ativo valioso para venda.

Sem geração de caixa, não há rentabilidade que se sustente.

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.

Vitor Roma – Economista, mestre em administração e sócio-fundador da Concrete Solutions. Filho e neto de empreendedores, está neste mundo de administrar negócios próprios no Brasil há 20 anos.