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Quem são os caras?

  • Blog
  • 18 de Outubro de 2012
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“Você poderia tirar de mim as minhas fábricas, queimar os meus prédios, mas se me der o meu pessoal, eu construirei outra vez todos os meus negócios”
(Henry Ford)

Por volta do segundo ano de existência da Concrete Solutions, ainda caminhando longe de uma estabilidade financeira e organizacional, começamos a nos deparar com um problema que hoje afeta toda a área de tecnologia, e que acredito ser comum a todas as empresas atuais: rotatividade de funcionários. Com o mercado em ebulição, e com a empresa sem condições de pagar mais do que a média do mercado, precisamos buscar soluções. Foi quando eu desenvolvi o maior aprendizado sobre esse assunto.

Olhe para a sua empresa e pense: com quem eu seria capaz de reconstruí-la?

As empresas estão sempre buscando novos talentos, high potential ou salvadores da pátria no mercado, e muitas vezes se esquecem de que nem sempre será capaz de mantê-los todos motivados e em crescimento acelerado. O que acontece no final é que na prática, a gestão dos recursos humanos se torna uma tentativa infrutífera de valorizar a importância e a criatividade dos profissionais.

E, seja qual for o nome adotado pela sua empresa, isso não mudará a realidade de que você está perdendo pessoas boas para o mercado. Perdê-las pode ser ruim, se isso significar que você está perdendo-as para um concorrente. Mas também pode ser bom, se seu ex-funcionário puder crescer e tomar a decisão de contratá-lo futuramente, por exemplo. Ou se a saída de um bom funcionário já desmotivado pela dificuldade de crescimento significar a chegada de um mais entusiasmado, que trará coisas novas e novo ânimo. As vezes é bom para todos, empregador e empregado.

Não, ao contrário do que dizem as mais lindas e entusiasmadas teorias de RH, você não deveria precisar de todos os funcionários da sua empresa para reconstruí-la, e sim de uma camada deles. Dependendo do tipo e da fase de vida da empresa, essa camada pode ser maior ou não. Mas nunca deveria ser a totalidade.

E aí você pode pensar que há certo “antimarketing” em escrever isso abertamente, mas eu discordo. Se você me perguntar o que eu gostaria que um funcionário meu pensasse ao ler este texto, eu direi: quero que ele pense em ser um desses caras. Se ele pensar de forma diferente, não é um deles.

As pessoas com quem conseguiríamos reconstruir nossa empresa devem ser competentes tecnicamente, alinhadas corporativamente, capazes de ajudar a estabelecer e permear cultura interna. Pessoas que consigam ver na sua empresa um projeto de médio prazo, pelo menos (e isso é cada vez mais raro).

A maior dificuldade é saber como definir da forma correta quem são esses caras. Mais para frente falaremos dos erros frequentes nestas escolhas, hoje falaremos dos principais acertos.

A primeira coisa que um cara com quem você reconstruiria sua empresa deve ter, como já disse, é proficiência técnica. Independente da linha de atuação da sua empresa, os melhores caras tecnicamente são aqueles que fazem diferença para dentro (processos, qualidade de produto, administração de equipe…) e para fora (gestão de clientes, imagem da empresa…). O maior elogio que recebi de um cliente nos meus 12 anos de Concrete foi que ele via a minha empresa com a “certeza de ter bons profissionais trabalhando com ele”.

Em adicional à proficiência técnica, há o conceito de parceria. Vejam bem, parceria não quer dizer amizade. Eu já disse algumas vezes que empresa não é colégio, ninguém precisa ser amigo o tempo todo. Ser parceiro é outra história. É você enxergar no cara o potencial de te ajudar a escrever a história da sua empresa, sua cultura, sua capacidade de liderar movimentos, de enxergar oportunidades e de enfrentar as dificuldades.

Agora, acredite que tão difícil quanto identificar quem são estas pessoas é pensar e implementar uma forma de mantê-los a longo prazo juntos de você. É a segunda parte do problema…

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.

Vitor Roma – Economista, mestre em administração e sócio-fundador da Concrete Solutions. Filho e neto de empreendedores, está neste mundo de administrar negócios próprios no Brasil há 20 anos.