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Luca Bastos no TWBR AwayDay

  • Blog
  • 29 de Outubro de 2012
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No fim de semana de 20 e 21/10, tive a oportunidade de apresentar um keynote em um evento interno da ThougthWorks chamado TWBR AwayDay. Um Away Day normalmente acontece em um fim de semana e na TW não foi diferente.

Luca

A ThougthWorks é certamente uma das empresas de TI mais admiradas no mundo e foi com orgulho que aceitei o convite. Afinal já aprendi muito assistindo palestras e lendo muitos blogs e livros feitos por TWers.

O evento é mais uma daquelas idéias que vale a pena copiar. Uma reunião com praticamente todos da TW BR mais outros de várias partes do mundo. Pode ser que minha memoria me traia mas acho que veio gente dos Estados Unidos, Canadá, Suécia, Escócia, Alemanha, Inglaterra, Índia, China, África do Sul, Austrália, Argentina, Venezuela e Bolívia.

Lá constatei como vale a pena engajar uma empresa de TI, cheia de trabalhadores pensantes, em projetos de cunho social. Era visível o orgulho de todos, principalmente os mais diretamente envolvidos nos diversos casos apresentados.

Reservaram um quadro com sugestões em post-its de ações a fazer. No domingo as ações foram discutidas em um workshop. Ficou claro a vontade de muita gente contribuir em projetos e iniciativas em prol do bem comum.

Para mim, que era convidado, ficou a vontade de replicar a idéia e ver nos meus colegas aqui da Concrete, as mesmas expressões de satisfação e orgulho.

Nesta linha, tivemos dois keynotes abordando projetos sociais:

    Dona Marli          

Eu gostei muito da fala do David mas realmente me emocionei com a Dona Marli Medeiros falando do que tenta e consegue fazer no Centro Educacional e Ambiental da comunidade da Vila Pinto com o apoio da TW. Antes esta área de reciclagem de Porto Alegre era dominada pelo tráfico de drogas. Vejam o vídeo em https://www.youtube.com/watch?v=ejIlcZJd4cA

 
O meu keynote foi baseado na apresentação que propus ao Agile Brazil 2012 (mais um evento que a TW patrocinou e neste caso a Concrete também). A proposta foi recusada com um dos avaliadores dizendo que não teria o que aprender. Ao submeter enfatizei que não iria ensinar nada. Mesmo eu tenho dificuldades de aprender com meus erros e muitas vezes acabo reincidindo.

Já disseram antes de mim, que a experiência é uma luz que ilumina o caminho… só que o caminho já traçado, é uma lanterna de popa e a frente, o caminho permanece escuro. Graças a Deus é assim porque sem incertezas a vida seria muito chata.

O propósito foi contar um pouco da minha trajetória na área de TI, de como entrei, como era no “meu tempo”, falar das minhas escolhas e de alguns valores em que acredito

Um parêntesis:

    Sobre minhas escolhas não posso esquecer do grau de aleatoriedade que nortearam algumas delas. Esta observação é uma espécie de piada interna comigo mesmo.

    Estou acabando de ler o 3o volume da Revolta de Atlas (Atlas Shrugged) da Ayn Rand. Talvez ainda influenciado pela leitura do Andar do Bêbado do Leonard Mlodinow, não concordo tanto com a ênfase que ela dá a teoria da causalidade.

    Bem, o livro é um bom romance de ficção mas sem a profundidade filosófica que dizem. Vale a pena encarar as mais de 1000 páginas mas o livro não é o assunto deste post.

 
Sobre os valores, que são realmente os bens dos quais me orgulho, é com satisfação que notei que alguns coincidem com o que está escrito nos cartões de visita dos TWers e que são os valores ditos como eixos da TW: Atitude, Aptidão e Integridade.

    – Atitude,

      fora o entendimento comum, para mim passa por conceitos como a famosa frase que dizem ser adotada no Google mas que foi criada por Grace Hopper (contra almirante da marinha americana e ex programadora que dizem criou o primeiro compilador COBOL e hoje é nome de prêmio para mulheres de TI):

        É melhor pedir desculpas por ter feito algo do que pedir licença para fazer.

      Na TW eles são assim.

      Alguns dos projetos sociais apresentados começaram sem pedir permissão a ninguém. Um dos casos que me contaram aconteceu pela iniciativa de alguém que julgou poder fazer. Aí juntou mais gente e o projeto foi crescendo com contribuições nos intervalos de espera dos builds e em algumas poucas horas depois do expediente.

    – Aptidão

      na nossa área é a vontade constante de aprender, de estar sempre atualizado e orgulhoso do que sabe.

    – Integridade.

      Este é um bem que não se pode abrir mão nunca. Um deslize, uma relaxadinha quando se tem um pouco mais de poder e vai tudo por água abaixo. Sim, é verdade que o poder é danado de bom. E que traz muitas tentações.

      Eu, aos 67 anos de idade me sinto contente de ter desprezado muitas oportunidades de ganhar comissões por vendas de produtos ou por indicações de empresas. Posso ter sido rigoroso demais comigo mesmo mas não me arrependo. Sempre repassei aos meus clientes todas os descontos que me ofereciam (por eu ser consultor ou por minha empresa ser responsável pela escolha de equipamentos).

 
No keynote fiz questão de abordar duas coisas que acho importantes:

    – Network

      a importância do network e principalmente a importância de frequentar um gueto. De ter amigos com interesses comuns que se lembrarão de você na hora de procurar serviços da sua área. Durante os 20 anos em que competi na vela, quase todos os meus clientes vieram por indicações de amigos velejadores.

    – Comprometimento

      falei da importância do time se comprometer com o produto, de se orgulhar de ver o cliente usando uma criação sua. Parece que isto acontece sempre mas não é assim. Muitas vezes o comprometimento do time é no uso da tecnologia da modinha, de tornar o projeto mais cool ou pior ainda, de escolher alguma tecnologia com intuito de aprender.

      O comprometimento com o produto exige ser mais pragmático. Escolher o que significa entregar o mais rápido possível um MVP, produto mínimo viável e receber logo o feedback para poder aí sim aprender algo de mais valia.

 
Durante o dia de sábado aconteceram várias trilhas de palestras em que o compartilhamento de conhecimento foi a tônica.

 
À noite tivemos mais dois keynotes, um do Trevor Mather, presidente e CEO da TW e outro do Roy Singham, fundador e chairman.

       

Foram duas ótimas apresentações das quais só vou chamar a atenção de algumas coisas mostradas em um slide do Roy que coincidem com o que venho dizendo há tempos (não exatamente com as mesmas palavras):

    – Todos tem um papel na busca por clientes;
    – Don’t do Agile, Be Agile: don’t follow practices blindly (lembrei do Ágil como MacGyver)
    – Participe de projetos Open Source
    – Evangelize mais (escreva livros além de palestrar em eventos) (eu acrescento, escreva no nosso blog)
    – Relacione-se com universidades (a frase dele foi: “Continue your good work on University relations)

 
Depois foi tudo festa:

       

 
No domingo tivemos o workshop das iniciativas sociais que já citei sobre o SIP, Social Impact Program.

Depois do almoço o evento seguiu mas eu precisei voltar mais cedo para pegar meu vôo para São Paulo.

 
Reitero por aqui o meu orgulho pelo convite e os agradecimentos pelos elogios dos amigos que fizeram muito bem ao ego de um velho desenvolvedor (desculpe aos amigos que não gostam desta palavra e preferem o termo programador)