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A famosa arte da retenção dentro do conflito natural (parte 2)

  • Blog
  • 23 de Novembro de 2012
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“Não sei o segredo do sucesso, mas o segredo do fracasso é tentar agradar a todo mundo” (Bill Cosby)

Para se tornar uma nação rica o Brasil precisa aprender a produzir com mais eficiência. E isso passa por educar, cobrar e incentivar. O trabalhador brasileiro em média gera um quinto da riqueza gerada pelo americano.

Arrisco-me a dizer que o maior desafio de empreender neste momento do Brasil é definir uma forma de reter seus funcionários em um ambiente onde bons profissionais são de fato bastante escassos. E essa é a dura realidade.

Neste cenário de economia em ebulição, de educação longe do que precisávamos, as empresas lutam de forma feroz pelos melhores recursos que, por sua vez, aproveitam o momento para incrementar seus recebimentos. O que é absolutamente normal.

E é aí que repousa uma crença longe de ser simpática, mas real: não dá para reter todo mundo. Muitas vezes é necessário e até produtivo abrir mão de um profissional, mesmo que seja para a concorrência. Na maioria das vezes o melhor mesmo é perdê-lo para um cliente.

Em um ambiente com o nível de competitividade em que vivemos hoje em dia, a empresa que tiver como meta manter todos os seus funcionários estará fadada a perder toda a sua margem em menos de 12 meses. É impossível fazer com que seu cliente pague por todo reajuste que você terá que dar a eles, caso dcida por mantê-los todos trabalhando na sua empresa. É bem mais simples do que aparenta: se você reajustar todo mundo com base na disputa de mercado, a conta não fecha.

Então o segredo repousa mais uma vez em buscar a regra mais justa possível, que encaixe o maior número possível de funcionários e tratar as exceções, que surgirão sempre. Sua capacidade de estabelecer quais são as que valem a pena ser tratadas pode e provavelmente vai fazer toda a diferença.

Mas em toda crise pode surgir uma oportunidade. Ter um tratamento justo e verdadeiro com seus funcionários com certeza fará com que você tenha um amigo mesmo que este não fique na sua empresa. Além disso, consigo ver ao menos duas formas em que perder um funcionário, mesmo um bom funcionário, pode ser bom.

Na primeira delas seu funcionário é absorvido por um cliente ou possível cliente seu. Um cara que trabalhou contigo, conhece você, sabe que você é um empresário honesto e que procura executar seus projetos e produtos de forma séria e eficaz. Este cara poderá ser seu cliente também. Vi isso acontecer algumas vezes na Concrete Solutions e pelo que me lembro em todas elas o resultado foi satisfatório. A relação acabou sendo vista como boa por ambas as partes: Concrete e ex-funcionário.

Na segunda forma o segredo é a famosa oxigenação. Às vezes de idéias, às vezes de motivação, às vezes financeira. Um funcionário pode ter se desenvolvido a ponto de merecer um passo financeiro mais agressivo mas a empresa pode não ter espaço, no momento, para atender às expectativas dele. Isso não é culpa de ninguém, nem do cara que quer um reconhecimento por seu desenvolvimento, nem da empresa que queria poder atender mas não consegue.

Este cara, portanto, sai. E mesmo que não seja para um possível cliente, ele abre uma vaga. Uma vaga para que esta empresa busque no mercado um profissional mais jovem, mais barato, com idéias novas e motivado. E um novo ciclo se inicia, com margens de lucro mantidas e com a possibilidade de premiação aos que ficaram mais real.

É óbvio que a literatura moderna de administração nos mostra que o mais bonito é dizer que a empresa luta para manter todos os seus funcionários, os reconhecendo constantemente. Mas na prática, a conta tem que fechar. Enquanto sua empresa consegue manter um ritmo de crescimento acelerado, é possível que se consiga manter todo mundo apesar desta briga de mercado pelos melhores (e também pelos não tão bons) profissionais. No momento em que sua empresa estabiliza o vôo, é impossível.

Nessa hora o fundamental é decidir corretamente, mais uma vez, que exceções você irá abrir e seguir o seu rumo. E de preferência mantendo ótimas relações com os que saírem, porque este mundo empresarial também dá muitas voltas.

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.

Vitor Roma – Economista, mestre em administração e sócio-fundador da Concrete Solutions. Filho e neto de empreendedores, está neste mundo de administrar negócios próprios no Brasil há 20 anos.