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Repartir o bolo

  • Blog
  • 30 de Janeiro de 2013
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Volto depois de um tempo fora do blog para continuar a série sobre empreendedorismo. E volto para falar de um assunto polêmico que é a distribuição de lucros.

Você a esta altura já sabe quem são os caras da sua empresa. Também já encontrou uma forma de verificar como retém os caras que têm mais identificação com os valores dela e mais, quais deles inclusive contribuíram para a construção desses valores. Mas a todo momento vai estar lendo sobre e discutindo a tal da distribuição de lucros.

Primeiramente, existe farta literatura sobre o assunto e muito se discutiu, por anos, a importância de se distribuir aos funcionários os lucros de uma organização, o que seria uma forma de premiar e aumentar a produtividade geral da empresa. Existem, como na maioria dos casos da administração, tribos de defensores árduos da distribuição geral de lucros e também os que são contra. Eu estou no meio do caminho.

Começarei dando como exemplo uma experiência que eu tive antes de montar a Concrete. Fiquei por apenas 8 meses numa empresa de construção civil, na qual contribuí muito pouco, confesso. Desde o primeiro momento não houve sinergia entre a minha forma de trabalhar e a da empresa, e minha passagem por lá acabou de forma meio melancólica.

Cerca de 6 meses depois de ter saído da empresa, fui convocado por meio de telegrama para receber minha parcela da distribuição de lucros referente ao período em que lá fiquei, apurado após encerramento do exercício e pago a todos os funcionários, de forma indiscriminada. Recebi aquele dinheiro com a sensação clara de que nada havia feito para merecê-lo. Trabalhei direito, de forma séria e dedicada? Sim. Mas tenho certeza de que meu trabalho não influenciou em nada aquele lucro que, parte dele, era a mim distribuído.

Depois, como empreendedor, voltei a pensar no tema. Discute-se distribuição de lucros toda hora, mas eu me sentiria muito mal em distribuir para um funcionário que ficou menos de um ano numa empresa que é um projeto de longo prazo. Esta ideia sempre vem e sempre é discutida com o mesmo porém: o quanto que uma distribuição de lucros generalizada acaba se tornando direito adquirido e perde seu viés de produtividade.

Por outro lado é fundamental que o empreendedor, principalmente em serviços, tenha uma noção clara: uma hora você tem que repartir o bolo com quem faz a diferença.

Entenda de forma simples: se você começar a demonstrar sinais de riqueza com certeza derivados do seu investimento da empresa, é claro, mas destoantes dos seus principais funcionários, é bem capaz de você perdê-los. Simples assim.

Até acredito que estes principais funcionários, se envolvidos corretamente no processo, permaneçam na empresa mesmo sem estarem plenamente satisfeitos financeiramente se, e somente se, enxergarem que o empreendedor também está dando sua cota de sacrifício para que o bolo aumente. Mas se houver a percepção de que alguns são fundamentais e que só o empreendedor tem direito ao bolo, você terá problemas. E estes problemas podem fazer o bolo não ficar tão grande.

O recado portanto é: aceite que você vai ter que repetir o bolo porém, reparta com quem mais contribui para que seu bolo exista. Seja sob forma de distribuição de lucros, seja pagando um salário um pouco mais alto do que a margem permite (o que não deixa de ser uma distribuição acima do lucro esperado), aceite isso sem que doa, porque faz parte do jogo.

Não acredito em distribuição de lucros generalizada e acredito que quem faz isso como forma de gerar produtividade acaba instituindo direito adquirido e perde o impacto sobre a produtividade, ficando só com a parte ruim do processo.

Acredito sim que você possa, e deva, dividir seus lucros com quem foi fundamental para que você os tivesse.

É como tudo na vida e nos negócios: entre o branco e o preto tem aquela área cinza onde, normalmente, mora o melhor caminho.

PS. Este post é o resumo de um dos capítulos do livro “Empreendendo no Brasil”, que espero lançar em breve.