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Guerra ao custo fixo!

  • Blog
  • 12 de Março de 2013
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“Cuidado com as pequenas despesas: uma rachadura afunda um navio”
(Benjamim Franklin)

Se eu tivesse que dar UM conselho a um empreendedor seria: faça da guerra ao custo fixo sua bandeira.

Custos fixos são aqueles que acontecem independente da sua empresa gerar receita ou não.

Eles são inevitáveis: o aluguel, a conta de luz, o link de internet, a contabilidade… Enfim, todos os custos que incorrem mesmo que sua empresa não esteja nem ainda em fase comercial. A tendência é que eles se estabilizem e, numa primeira fase, se tornem não só fixos, mas também estáveis. Porém, se você não ficar atento, eles te enganam.

Explicando, custos fixos não aumentam de forma linear com o crescimento da sua empresa. Você estabelece um patamar de custo fixo e ele sustenta o crescimento da sua empresa até um determinado ponto. O último ponto deste patamar, o momento em que sua máquina está no máximo de stress sustentada por aquele ponto fixo, é o de maior rentabilidade.

Como saber que hora é esta? É mais simples do que pode parecer! É aquela hora quando a telefonia já está dando problema por falta de linha disponível, o link não está sendo o suficiente, o espaço físico já apertou, falta gente de controle, de suporte, etc… Isso significa que você levou sua máquina ao stress e com isso gerou alta rentabilidade, MAS pode significar também que você precisa mudar de patamar de custo fixo.

E aí todo cuidado é pouco.

No mundo ideal esta mudança seria aos poucos, ou seja, você aumenta um pouquinho o custo fixo para dar uma folga à máquina estressada, e roda mais um tempo. Depois volta a aumentar, e por aí vai.

O problema é que nem sempre isso é possível. Se você lotou seu escritório com 120 funcionários, por exemplo, e precisa de mais 10 vagas, não dá para alugar um espaço para 10 vagas, e depois de 6 meses outro com mais 10. Você vai com certeza partir para uma solução que englobe um aumento de, suponhamos, 50 vagas. E neste caso, de forma inevitável, você levou seu custo fixo a um patamar maior do que o necessário para sustentar sua operação. Ou seja, está “devendo”.

Estes são problemas de administração de custo fixo que podem ocorrer mesmo você estando o tempo todo atento. Mas existe também o que chamo de “tendência a relaxar do empreendedor”. Todo empreendedor tem uma tendência natural a relaxar, por conta do cansaço.

No início do seu negócio você olhará tudo, nos mínimos detalhes. Com o tempo e o crescimento dele, você não terá mais condições de olhar tudo, é natural. Mas você também vai cansar, vai deixar passar determinadas questões. Isso é absolutamente natural e recorrente. E é perigoso.
Deste processo, bastante conhecido, surgiu aquela expressão “o olho do dono engorda o gado”, tão usada por aí. E ela não surgiu à toa.

Meu conselho é que você se programe para checar as consequências deste relaxamento natural. É simples. De seis em seis meses peça uma lista de todas as despesas fixas da sua empresa e olhe uma a uma, pergunte, analise a necessidade delas, veja opções. Isso é algo que você deve fazer de forma natural e tenho certeza que lhe renderá frutos.

Para finalizar, portanto, eu preparei três exemplos bobos, mas bastante ilustrativos sobre o impacto que o custo fixo pode trazer sobre sua operação. Avalie o que ocorre com a curva de lucro em cada um dos casos, e os impactos que o custo fixo trouxe a cada um deles.

Mas o principal, os exemplos abaixo também trazem uma reflexão que fica para o próximo post: os custos fixos, no limite, são também variáveis?

Exemplo de impacto do Custo Fixo

Cenário I

  • Empresa com crescimento de receita de 11% ao ano
  • Margem de 50% da receita
  • Cada nova unidade de produção gera custo fixo adicional de 35MM
  • A cada 35% de aumento de produção, é necessária uma nova unidade de produção

cenario1

Cenário II

  • Empresa com crescimento de receita de 11% ao ano
  • Margem de 50% da receita
  • Cada nova unidade de produção gera custo fixo adicional de 20MM
  • A cada 35% de aumento de produção, é necessária uma nova unidade de produção

cenario2

Cenário III

  • Empresa com crescimento de receita de 11% ao ano
  • Margem de 50% da receita
  • Cada nova unidade de produção gera custo fixo adicional de 35MM, MAS a empresa pode optar por utilizar unidades de parceiros e com isso reduzir seu custo para 20MM, cedendo 10% da sua margem (que passa a 45%)
  • A cada 35% de aumento de produção, é necessária uma nova unidade de produção

cenario3