Concrete Logo
Hamburger button

Guerra ao custo fixo parte II

  • Blog
  • 25 de Março de 2013
Share

No post anterior discuti o quão importante será sua guerra aos custos fixos na sua empresa. Uma guerra sem fim, travada nos mínimos detalhes.

Ao final, trouxe um exemplo simples de como os custos fixos podem variar também, trazendo uma discussão complementar: seriam os custos fixos também variáveis no decorrer do tempo?

Sim, são variáveis, inevitavelmente.

A literatura da administração buscou formas de trazer esta discussão ao conceito clássico, criando os chamados custos semifixos e semivariáveis.

Os custos semifixos são aqueles que apresentam uma “flexão” a partir de uma determinada quantidade de bens produzidos (ou serviços prestados). Ou seja, em algum momento eles se tornam 100% variáveis e começam a subir de forma linear às suas vendas.

O gráfico abaixo traz um exemplo simples deste caso:

grafico1

Um exemplo trivial desta curva seria o salário dos vendedores de uma loja, que são normalmente compostos de uma parte fixa e de uma comissão sobre as vendas, assim como os gastos com aluguel de uma loja cujo contrato de locação prevê um pagamento acrescido de uma porcentagem sobre as vendas.

Por outro lado, temos os chamados custos semivariáveis, que são aqueles que apresentam um “escalonamento” em relação às quantidades de bens produzidos (ou serviços prestados). O gráfico abaixo traz um exemplo clássico desse caso:

grafico2

Esse caso é 100% aderente ao exemplo da semana passada, onde uma indústria convive bem com seus custos fixos até que é necessário um novo investimento em uma nova planta. Neste caso, o custo fixo aumenta de ciclo de investimento em ciclo de investimento, se tornando variável em longo prazo.

Tanto em um caso quanto em outro, aumenta consideravelmente a importância da capacidade de avaliação e decisão do empreendedor. A má notícia é que você não vai poder simplificar sua avaliação e simplesmente analisar custos fixos de tempos em tempos, mas também avaliar o quanto esses custos fixos permanecem com o mesmo comportamento.

No post anterior um dos exemplos mostrava claramente isso. O empreendedor tinha duas decisões possíveis: abrir uma nova planta e ter de arcar com todo o aumento do custo fixo, mantendo sua margem, ou trazer um parceiro para auxiliar na nova planta, mas assim impactar sua margem.

Ou seja, deixou de ser uma discussão trivial sobre cortes e avaliações de custo e passou a ser uma discussão de negócio, de estratégia e de futuro.

Eu prefiro dizer que todos os custos são, na realidade, flexíveis; ou seja, sempre que têm a chance, mudam seu comportamento e nos pregam peças.

Sua capacidade de avaliar o que está acontecendo com eles ao longo da vida da sua empresa poderá fazer a diferença.