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Arbitragem de idéias, copiar modelos de negócio ainda é uma estratégia viável?

  • Blog
  • 15 de Maio de 2013
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Este post é uma versão em formato de artigo da entrevista dada para exame.com, 8 idéias para abrir uma startup

Uma da maneiras mais comuns de lançamento de startups no Brasil é copiar um modelo de negócio de sucesso em outros mercados mais maduros, chamado de arbitragem de idéias. Este modelo foi relacionado a grandes sucessos do cenário de tecnologia Brasileiro como todas empresas do portfolio da Rocket internet e o Peixe Urbano.

O conceito de arbitragem pode ser definido como

Arbitragem, no mercado financeiro e em Economia, entende-se por uma operação de compra e venda de valores negociáveis, realizada com o objetivo de ganhos econômicos sobre a diferença de preços existente, para um mesmo ativo, entre dois mercados. Trata-se de uma operação sem risco (ou de risco reduzido) em que o arbitragista aproveita o espaço de tempo existente entre a compra e a venda (em que o preço do ativo ainda não se ajustou) para auferir lucro”

Tecnicamente, não deveria haver espaço para arbitragem em qualquer classe de ativo mas as dificuldades de execução e a tradução cultural bem como a tendência americana a ignorar a América Latina permite ainda algum espaço em venture capital. O Sucesso da estratégia à médio prazo ainda dependerá dos eventuais eventos de saída desta geração de startups.

Podemos jogar uma lanterna no futuro e ver quais startups ou setores americanos estão tendo sucesso e aplica-los aqui. Adicionalmente deveriam ser empresas facilmente copiáveis (sem barreiras de entrada) e com mercados alvo também grandes no Brasil

Nesta linha alguns setores novos e outros conhecidos merecem destaque.

Qualquer releitura da economia da colaboração (share economy) como AirBnb que esteja alinhada com algum grande gargalo do custo Brasil como hotéis, transporte, custo de capital para compra de ativos produtivos é uma boa aposta.

Outro setor seria a organização de informalidade como o task rabbit. O caos urbano pode levar a uma combinação da economia do “opt out” e do compartilhamento de ativos (trabalhos temporários e aluguel de ativos) como um modo de vida cada vez mais viável.

Setores como a impressão 3D irão revolucionar criação de novos produtos no Brasil como ocorreu nos EUA e se organizarão rapidamente como cadeia de valor com marketplaces e empresas de otimização de capacidade ociosa.

Acredito que a forma que nossos filhos vão estudar será completamente diferente do que nós tivemos. Empresas como udacity, coursera, khan academy estão criando uma nova forma de educação na internet.

Finalmente com o advento da nova busca em grafo do Facebook, todo um ecossistema está aparecendo com empresas de valor agregado social. Não podemos esquecer do mercado de jogos sociais (que teve um crescimento anual composto de incríveis 184% segundo a forbes em 5 anos) continuam sendo uma opção madura mas viável .

Isto posto vale um questionamento, será que a arbitragem de idéias de uma economia quase 7 vezes maior, com um viés cultural diferente (protestante/anglo saxão) e aproximadamente 50 anos a frente do país no que diz respeito a maturidade do principal hub de inovação uma opção viável?

Eu pessoalmente acho que não. Como diria Paul Graham, MVPs (produtos mínimos viáveis) fáceis de fazer nem mexem o sismógrafo. Acho que o empreendedor de tecnologia deve buscar uma combinação de uma grande ineficiência e ou barreiras regulatórias difíceis de transpor. Acredito que é neste ambiente onde pode realmente acontecer inovação disruptiva no Brasil que é diferente da necessidade de inovação Americana num mercado muito mais perfeito.

Adicionalmente, existe dúvida se estas novas empresas cópia são passíveis de serem compradas por suas contrapartes internacionais ou se simplesmente a decisão da empresa original vai ser entrar organicamente no mercado local. Os irmãos Samwer tiveram muito sucesso com esta estratégia, no Brasil o cenário tem sido diferente mas a situação ainda não está definida. Por sinal, a famosa “blitzkrieg letter” é um clássico do empreendedorismo e merece ser lida e relida.

Uma das empresas de tech mais inovadoras do mercado Brasileiro é a Órama que entrou no mercado para oferecer os fundos com grande barreira de entrada  (potencialmente os melhores) , no varejo, para o investidor pela internet. Eles montaram um produto complexo no meio de um ambiente regulatório hostil mas no final criaram uma empresa com potencial da ordem de bilhões e com inúmeras saídas viáveis.

O mercado vai decidir se o modelo vencedor é esse ou o de arbitragem de ideias, eu como veterano da primeira bolha  e participante ativo desta, aposto no primeiro.