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Equipes de alto desempenho: utopia ou possibilidade?

  • Blog
  • 27 de Maio de 2013
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Uma das maiores utopias empresariais refere-se à formação das chamadas equipes de alta performance. É mais do que natural que, em uma época onde o trabalho em equipe está tão divulgado, se busque um discurso que, além de atender às demandas do mercado, ainda consiga maximizar seus resultados.

Antes de se discutir performance, é necessário discutir o conceito de equipe que, apesar de ser uma palavra de aparente fácil definição, pode trazer dúvidas.

Existe vasta literatura sobre o processo de formação de equipe e de liderança. Durante anos, a formação de um líder foi a menina dos olhos dos programas de MBA no mundo todo. Drucker definiu três possíveis equipes, usando sempre a referência ao esporte como exemplo:

– a equipe de beisebol, semelhante a uma equipe cirúrgica ou a uma linha de montagem: tarefas independentes fazendo parte de um todo;
– a equipe de futebol, semelhante a uma equipe de projeto: trabalhos semelhantes, com funções ligeiramente diferentes e ocorrendo em paralelo;
– uma dupla de tênis, semelhante a um conjunto de jazz: trabalhos absolutamente interdependentes.

A grande maioria das equipes que encontramos nas organizações funciona na prática como grupos de trabalho, ou seja, membros dividem informação e práticas, além de tomarem decisões para ajudar cada um a desenvolver tarefas de sua área de responsabilidade. São equipes de beisebol ou no máximo de futebol.

Mas, por que é tão difícil formar equipes?

Em minha opinião, em primeiro lugar, existe uma grande contradição inicial. Somos uma sociedade toda voltada ao desempenho individual, desde o colégio até os planos de metas e objetivos das grandes empresas. Isso causa um conflito natural, tão relevante como o conflito que já discuti antes aqui, entre chefes e comandados. Nenhum programa de distribuição de lucros global paga mais do que o desenvolvimento pessoal individual, seja por meio de promoção, seja por bônus.

Além disso, as estruturas organizacionais ainda são fortemente baseadas no modelo Taylorista-Fordista, que vigorou por muito tempo como modelo de sucesso e organização. Isso fez com que o foco na figura do chefe, do líder e dos processos firmes fosse sempre o primordial. E isso é bem distante do conceito de formação de equipe.
Resumindo, há evidente conflito natural entre os interesses coletivos e os individuais. Pessoas educadas em princípios individualistas precisam renunciar a eles ao menos temporariamente em prol do trabalho coletivo.

O que se busca numa equipe é sinergia, sempre. O objetivo de uma equipe é que seus talentos individuais se somem de forma que o resultado dessa soma seja superior à simples soma de suas partes. Dois mais dois tem que ser mais do que quatro.

Mas muitas empresas adotam as teorias de trabalho em equipe apenas para predispor maior cooperação entre funcionários, sem fazer esforço algum para a construção da equipe. Pior ainda, assumem que o ato de juntar as pessoas fará com que elas aprendam a interagir produtivamente de forma instantânea.

E o desafio para montar essa equipe se inicia no processo seletivo, coordenando três fatores: habilidades técnicas, habilidades interpessoais e aderência das pessoas à missão da equipe. Ou seja, lembre-se bem que não necessariamente uma equipe de pessoas iguais a você lhe trará o melhor resultado. É provável que não traga…

Partindo do processo seletivo chega-se à mentalidade, agora em novos três fatores: missão do time, objetivos do time e regras. Os famosos “por quê, para quê e como”.

Resumindo:

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E esse é o primeiro passo para que você possa, antes de pensar em performance, pensar em formar a equipe com a correta indução de comportamento dos seus membros.

Feito isso, pode-se pensar em buscar uma performance acima dos padrões normais dos grupos que são montados como equipes. Com as pessoas certas e a mentalidade adequada você terá a chance de buscar o que quer, embora isso não baste.

Uma performance acima da média se obtém com a tarefa contínua de se relembrar os objetivos, medir resultados, discutir de forma clara e direta o que precisa ser melhorado e ter velocidade para remodelar quando necessário.

Para finalizar, deixo alguns conselhos de fatores que nunca podem ser esquecidos no processo:
– Não se esquecer que trabalho em equipe não é algo natural e demanda tempo
– É fundamental eliminar formalidades e aquele espírito colegial de falsa camaradagem
– Lembrar-se sempre que buscar a harmonia a qualquer custo é um dos grandes inimigos de uma performance alta
– Ter tolerância a erros. Medo de errar impede inovação

Vitor Roma
(@vromaCS)

Fontes: DYER, W. Team Building. New York: Addison-Wesley Publishing Company, Inc. 1995
DRUCKER, P.F. Administrando em tempos de grandes mudanças. São Paulo: Editora Pioneira, 2011