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Muito cuidado com "a escravidão do mini-me"

  • Blog
  • 23 de Julho de 2013
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“As equipes brilhantes são formadas por pessoas especiais que, em geral, se irritam umas com as outras” (Tom Peters) 

Existem dois erros muito comuns ao empreendedor e muito perigosos porque são bem difíceis de serem percebidos. O primeiro deles eu chamo de “a escravidão do mini-me”.

dr-evil-mini-me-2Para quem não se lembra, Mini-Me foi um personagem do filme Austin Powers que era uma miniatura derivada de um processo de clonagem mal-sucedido do vilão Dr. Evil. Tornou-se uma miniatura de fato, parecendo em gostos, trejeitos e fisicamente com seu criador.

No ambiente corporativo “essa clonagem” ocorre mais comumente do que possa parecer. E é um erro que vem quase sempre do líder, porque é sempre muito difícil ser contrariado, conviver com diferenças de formação ou de cultura, e ver essa diversidade como algo que possa ser fundamental para o crescimento pessoal dos envolvidos e da própria empresa.

É muito normal que os líderes se aproximem de funcionários que se pareçam mais com eles, tanto em formação técnica quanto em formação cultural. E isso é muito perigoso, por duas razões.

A primeira é mais evidente: nem sempre os funcionários que parecem com você, os que se dão melhor contigo, são os melhores caras para uma determinada situação. E o fato da sua aproximação evidente ser clara para eles (e para os demais) pode fazer com que eles invistam mais nos fatores que tornam essa aproximação mais latente, o que forma um círculo vicioso. Ao mesmo tempo, um cara que é diferente, que mostra gostos diferentes, que traz uma cultura diferente, pode se sentir alijado do processo, inclusive se desmotivar e até ir embora da empresa. E você, você pode estar perdendo alguém muito bom.

A segunda razão é tão importante quanto a primeira: a cegueira por conta da escravidão do mini-me pode te fazer perder a diversidade, o questionamento, a energia positiva que emana de discussões acaloradas sobre um tema ou sobre um problema. É da diversidade que saem a inovação, as alternativas e as maneiras diferentes de se pensar uma solução.

Discutir e interagir sempre entre pessoas muito parecidas pode te fazer cego para ver caminhos alternativos ou mesmo te fazer perpetuar em algum erro que possa estar cometendo. O cara que concorda sempre com você, ou que pensa sempre como você, nem sempre será seu melhor aconselhador. E se criar um mini-me (acredite, o processo é normalmente culpa do líder) pode até te ajudar em alguns momentos, os caras que te questionam ou te desafiam são igualmente importantes.

Outro erro comum no empreendedor brasileiro é fazer negócio com amigos. É doído, mas é verdade: amigos não são necessariamente as melhores escolhas.

Contratar pessoas é uma das grandes dificuldades dos empreendedores, como sabemos. Nem sempre se acerta de primeira, mas também não é difícil acertar com um bom talento em algum momento. No ambiente universitário, trabalhar com amigos é mais fácil, mais confortável e bastante aceitável, mas para o empreendedor nada disso funciona.

Por mais que você esteja inclinado a trabalhar com um amigo que precise ou que você considere apto para o cargo, avalie se você já está pronto para isso. E estar pronto significa ser capaz de cobrá-lo da forma correta, dando igualdade de tratamento a ele como aos demais funcionários e, principalmente, podendo dizer a ele de forma clara se o trabalho não estiver funcionando.

E para encarar essa situação o empreendedor precisa de tempo. Tempo para se preparar e atingir a maturidade necessária, a ponto de conseguir criar regras claras de convívio e de cobrança e, ainda mais, de ter o discernimento para avaliar se o amigo será mesmo capaz de atender suas expectativas na função que ocupará.

Muitas vezes a melhor forma de ajudar um amigo é justamente deixando de chamá-lo para trabalhar contigo, o que também não quer dizer que ele não possa ser o cara certo para aquela função…

Vitor Roma (@vromaCS)