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O que esperar do ambiente de tecnologia em 2014?

  • Blog
  • 9 de Janeiro de 2014

No primeiro post de 2014, falamos sobre o que deu certo em 2013. E agora, o que podemos esperar em 2014? Este será um ano atribulado para o mercado de capital de risco e startups, devido aos fatores internos (eleição, Copa do Mundo e falta de saídas ou “exits”) e externos, como as dúvidas sobre a manutenção do grau de investimento e uma não tão provável alteração da política de afrouxamento monetário do FED. Estes fatores externos potencialmente acarretariam uma diminuição da oferta de capital para financiamento no Brasil como um todo, especialmente nesta classe de ativo.

Outra mudança negativa seria uma revisão de apostas e fechamento de muitos negócios de varejo digital “multimarca”, que sentem as dificuldades de margem e fluxo de caixa, intrínsecas ao setor, e a priorização de modelos alternativos de varejo online.

Acredito que será um ano de startups enxutas e muito “bootstrapping” (autofinanciamento), e de uma gradual mudança de modelo de negócios: de “copiados” e focados em capital e execução para modelos mais arriscados e inovadores, mas com mais retorno potencial. Seguem minhas apostas:

Startups B2B: Segundo o Gartner, existe uma união (batizada de Nexus) de quatro forças interdependentes: nuvem, mobilidade, informação e redes sociais, que se reforçam e alteram a forma com que pessoas e empresas se relacionam com tecnologia, permitindo novos modelos de negócio. Ainda existe um nível de adoção baixo destes fatores no Brasil em comparação com o mercado americano. No mercado brasileiro existe ainda a prevalência de uma forma de fazer negócio do século passado. Startups que ajudem a aumentar esse nível de adoção podem flanquear grandes players do setor de tecnologia.

Big data e Machine Learning: 2014 será o primeiro ano na história em que as máquinas vão gerar mais informação que os humanos. Esta informação sobre cada aspecto da vida, quando abordada com ferramental de big data (tratamento inteligente analítico de grandes volumes de dados, não tratáveis de outra forma) e machine learning (em uma tradução livre, aprendizado de máquinas por meio de dados), permite a automação de decisões que antes precisavam de intervenção ou da intuição humana. O trabalho das startups será a consumerização e simplificação deste ferramental para que mais empresas e pessoas tenham acesso a ele.

Desburocratização: empreender é antes de tudo procurar problemas, de preferência bem graves para que muitas pessoas paguem grandes somas de dinheiro para tê-los resolvidos. No país da burocracia, coisas como comprar e depois financiar um apartamento, abrir (ou fechar) uma empresa, comprar seguro e refinanciar uma dívida são um pesadelo em vida. Startups que permitam ao cidadão comum sobreviver a estas “via crucis” são não só um caminho provável de sucesso mas também um ótimo remédio anticorrupção.

Ferramentas de análise e tomada de decisão em tempo real nas redes sociais: A eleição de 2014, além de sua importância histórica, vai, assim como a de Barack Obama, ser a primeira em tempo real. A capacidade de monitorar redes sociais será chave para ter alguma chance de competir nos centros urbanos mais digitalizados. Este conhecimento, como acontece algumas vezes com a indústria armamentista, vai forçar uma revolução no setor privado também. A visão de que as redes sociais são meios de comunicação bidirecionais (ante unidirecionais, como a TV) vai revolucionar a indústria. O Twitter faz em tempo real o que empresas de pesquisa faziam em semanas, e isto muda tudo.

Varejo inteligente: Andy Dunn disse uma vez que o varejo multimarca nos EUA era um negócio de margens mínimas porque existia o “urso pardo”: um predador inteligente, veloz e paciente que não poderia ser encarado. Este urso, na metáfora, era a Amazon, e seus dois filhotes adotados eram a Zappos e a Diapers. No Brasil temos uma hidra com muitas cabeças, entre elas o custo Brasil, o custo de marketing para aquisição de clientes, as baixíssimas margens e, principalmente, o problema de fluxo de caixa. Para competir neste modelo, estratégias de curadoria (escolha de um catálogo por especialistas), venda recorrente, criação de marca própria ou modelos tipo venda em clube ou relâmpago devem ser as principais apostas.

Educação: a forma que nossa geração foi educada, com foco em títulos e universidades de concreto e tijolo, tem sido frontalmente atacada por mudanças tecnológicas e comportamentais provocadas pelo surgimento de iniciativas como Udemy, Coursera e Khan Academy, muitas delas colocando conteúdo de cursos inteiros de forma gratuita na internet. A fatoração de títulos em cursos individuais e formações mais orientadas e valoradas ao mercado, associada à entrega pela internet, pode mudar completamente esse mercado.

*Este post foi usado originalmente para as matérias “7 ideias de negócios promissores em 2014” e “O que esperar do mercado de startups em 2014”, ambas da Exame.com.