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10 motivos que levaram o Facebook a pagar US$ 19 bi pelo Whatsapp

  • Blog
  • 20 de Fevereiro de 2014
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Jan Koum é CEO e co-founder do Whatsapp. Depois de migrar para os EUA com o fim da antiga União Soviética, o ucraniano tinha de buscar todos os dias suas “food stamps” (vale comida para pessoas de baixa renda), não falava a língua local e tinha enorme dificuldade de falar com a família e amigos que ficaram para trás, uma vez que era uma época de ligações internacionais caríssimas. Talvez esta tenha sido a inspiração mais profunda para que ele e seus sócios criassem o Whatsapp, maneira simples e funcional de juntar pessoas, sem propaganda e jogos e cujo valor está na mensagem e na democratização da comunicação.

Jan Koun

Nem em seus sonhos mais delirantes Koum deve ter imaginado que faria uma saída de US$ 19 bilhões entre dinheiro, ações e pacotes de retenção. Isso é equivalente ao valor de mercado da Sony e 30% mais do que o valor da HP. É a maior aquisição de uma empresa financiada por capital de risco (venture capital) da história. A Sequoia capital conseguiu, segundo estimativas, 200 vezes seu investimento de US$ 8 milhões na empresa.

Esta é uma daquelas operações que nos assombram e tentamos entender o que se passa por trás da decisão do Facebook de pagar tanto dinheiro por uma empresa de 50 pessoas, das quais 25 são engenheiros. Rapidamente, enumerei 10 motivos:

1. O Whatsapp movimenta aproximadamente 50 bilhões de mensagens por dia, o equivalente a todo o tráfego de SMS do mundo;

2. A base de usuários da empresa é de 450 milhões, sendo que 70% dela é ativa todos os dias;

3. Esta base cresce um milhão de usuários por dia;

whatsapp-crescimento

4. O Facebook Messenger perdeu a corrida para ser o principal canal de comunicação “social” móvel fora dos EUA. No Brasil, por exemplo, segundo dados publicados pelo TechCrunch, o market share do Whatsapp entre usuários de iPhone é de 71%, enquanto o Facebook Messenger não passa de metade disso. Na Europa a situação é ainda mais séria, com números incríveis de 97% na Espanha e 81% na Itália;

5. O Facebook não tem outras opções de penetração internacional. A chinesa Tencent não tem nenhuma intenção de vender o WeChat com seus 200 milhões de usuários e o mesmo ocorre com o aplicativo Line no Japão e KakaoTalk na Coréia, que tem 88% de market share entre iPhones;

6. O Facebook está passando por um processo de “desagrupamento” de funcionalidades. Hoje, é uma suíte de aplicações sociais (a timeline na web, o Paper, o Instagram) e eles precisam de uma jogada mais forte do que o Facebook Messenger no espaço de mensagens. A tentativa de compra do Snapchat mostra isto também;

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7. Social messaging móvel é a nova mídia social, preferida dentre adolescentes. As plataformas clássicas, como Facebook, LinkedIn e Twitter, ficaram antiquadas. O principal produto de todas elas é o “feed de notícias”, que está morrendo. O trabalho que o Path tentou fazer de criar círculos de até 50 amigos foi feito com maestria pelos grupos de mensagens do Whatsapp. Quem não tem um grupo de família e não fecha eventos por ele que jogue a primeira pedra;

8. US$ 19 bilhões não significam mais a mesma coisa, o FED injeta US$ 85 bilhões na economia todo mês para lidar com os sintomas da crise de 2008. Este processo está criando uma bolha em várias classes de ativo, “equities” é uma delas. O dinheiro não vale mais a mesma coisa. Os unicórnios (termo utilizado para startups do clube do 1 bilhão) aumentaram muito de tamanho;

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9. O social é baseado em compartilhamento de fotos e vídeos para contar histórias, e os smartphones são as novas câmeras fotográficas. Primeiro, o Facebook comprou o Instagram e agora adquire o Whatsapp que já é um dos maiores repositórios de fotos do mundo.

10. Mark Zuckerberg deve ter algum sentimento de culpa por ter feito o seu famoso pitch vestindo pijamas para um sócio da Sequoia capital, chamado “10 motivos para não investir” em um negócio fictício chamado Wirehog. O objetivo era “vingar” moralmente Sean Parker pelo papel que a firma teve no Plaxo. Piadas à parte, realmente ele tinha em 2010 cartões de visita em que seu cargo era “I am CEO bitch”, que não merece tradução.

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Essa aquisição realmente nos faz sentir saudade da época em que achávamos a compra do Instagram incrível e questionávamos porque o Snapchat não foi vendido por US$ 3 bilhões, mas estamos em um admirável mundo novo no qual está ocorrendo uma luta diária pela nova mídia social, simples, móvel e ativa.

Esta luta está sendo travada por jogadores com dinheiro quase infinito em um mercado inundado por dólares, mas o prêmio é a nova plataforma de um bilhão de usuários e a consolidação do fragmentado mercado de mensagens sociais móveis, uma aposta de US$ 19 bilhões.