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"Growth or die" OU "Growth and die"?

  • Blog
  • 12 de Março de 2014
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Depois de um tempo afastado aqui do blog da Concrete, volto para falar em um assunto muito comentado e por vezes muito mal interpretado por empreendedores de todo o mundo: a necessidade de crescer sempre e crescer muito.

Por isso surgiu a expressão “growth or die”, que como discutiremos atende muito mais a figura do investidor do que a do empreendedor (muitas vezes figuras participantes de um mesmo negócio, mas com expectativas bem diferentes).

Crescimento instantâneo sempre significou valorização considerável para os investidores (normalmente angels ou VCs), e mais do que valorização rápida, diminuição do risco que reside em qualquer novo investimento criado e sustentado por estes investidores.

Mais valorização, mais retorno para investidores, mas não obrigatoriamente para os empreendedores. Existem negócios que tem por principal característica demorar um pouco a entrar na chamada “curva de adoção” (momento em que o mercado percebe o problema que seu produto ou serviço está solucionando). Isso pode fazer com que o investidor fique nervoso, aumente sua pressão sobre o empreendedor, que por vezes caminha na direção errada para atender logo a quem colocou dinheiro.

Se você tivesse inventado o Instagram antes do surgimento do Iphone, por exemplo, teria um grande negócio ainda precoce no mercado. Este é apenas um exemplo simplório que ilustra o que quis dizer.

Anos de literatura em negócios desenvolveram alguns mitos sobre o assunto, os mais comuns além da expressão acima são a de que qualquer crescimento é bom e a de que quanto maior o tamanho da empresa, melhor.

A notícia principal que tenho a dar é a de que não existe nenhuma comprovação científica sobre isso. Nada, nenhuma pesquisa, nenhum dado significativo, além da percepção que normalmente vem de investidores preocupados em diminuir risco.

Crescer é difícil porque crescer significa MUDANÇA. Pode ser bom ou ruim. Mas o que eu posso garantir é que crescer sem a preparação adequada será um inferno, sobreaquecerá pessoas, processos e controles.

É o chamado efeito tsunami, resumido abaixo em pontos principais, com as consequências prováveis deste efeito quando causado por um crescimento sem a adequada preparação:

– Sobrecarrega controles de qualidade, fazendo com que muitas vezes a capacidade de entregar produtos e serviços perfeitos (“99% defect free”) não consiga se sustentar;

– Sobrecarrega controles financeiros, fluxo de caixa (na maioria das vezes se gasta antes de receber), aumenta as possibilidades de fraude e de inadimplência;

– Pode trazer descuido à sua proposta de valor, caso a capacidade de atendimento da empresa se dilua frete a uma nova base de clientes mais pulverizada;

– Pode diluir sua cultura, como consequência de uma política de contratações que a empresa não conseguirá manter da mesma forma, com o mesmo cuidado em trazer pessoas mais adequadas;

– Pode colocar a companhia em um outro patamar de competição, mais agressivo, que traga concorrentes com mais estrutura financeira, marcas mais sólidas e mercado mais estabelecido.

Crescer requer mais gente, mais processos, mais dinheiro, mais controles, mais tudo.

Em resumo, se seu negócio crescer muito, você tem condições de administrar o que ele vier a se tornar? Se você não estiver financeiramente preparado para um crescimento acima da média como lidará com seus desafios de caixa? Como lidaria com um igual crescimento na sua inadimplência?

Perguntas importantes devem ser respondidas antes de buscar um desafio de crescimento maior do que o previsto. Porque você precisa crescer? Quanto? Você tem as pessoas que precisa para isso? Seus controles estão prontos? Seus processos estão prontos para este próximo passo?

Não ter condições de responder a elas poderá significar que em vez de crescer ou morrer, você poderá crescer E morrer.

Meu conselho é para que você se concentre em melhorar, sempre. Porque muito melhor do que pensar em “growth or die” seria “improve or die”.

Assunto para o próximo post…

*Update: Continue lendo esta série aqui (segunda parte).