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"Growth or die" OU "Growth and die"? – Parte 2

  • Blog
  • 4 de Abril de 2014
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Se preparar para crescer

Crescer pode ser bom ou pode ser ruim. Porque crescer sobrecarrega pessoas, processos e controles. Se você se preparar muito para isso, poderá diminuir o impacto deste stress, mas mesmo assim o viverá. Se você não se preparar, vai ficar pelo caminho.

Invariavelmente, empreendedores se veem à frente de mais de uma alternativa de crescimento: é quando a capacidade de foco e o equilíbrio podem fazer toda a diferença.

Eu costumo dizer que se você sai de casa para pegar dois coelhos ao mesmo tempo, a maior chance é que não pegue nenhum. Crescer com menos risco significa saber priorizar estrategicamente qual caminho você seguirá ao invés de tentar pegar todos os coelhos que vê.

A pesquisa em administração mostra que antes de crescer você deve se organizar em quatro áreas (em inglês, os 4 Ps: planning, priorization, pace and processes):

1) Planejamento

Inicie seu caminho com o fim em mente. Você pode, e provavelmente irá errar. O caminho correto é ter uma hipótese como plano A e ir testando-a até que ela chegue a um plano B que funcione.

Mas a visão do que você quer se tornar ajuda você a planejar o caminho. É como construir uma casa. Eventualmente você investe em coisas que no início não parecem ter utilidade clara, mas que irão facilitar muito a sua vida no futuro em caso de, por exemplo, você querer construir um segundo andar.

Outro conselho muito importante neste item é que você analise bem em quais problemas coloca sua energia. É importante focar seu tempo e sua mente em grandes oportunidades, riscos ou problemas.

Hoje há grande confusão com o termo planejamento, e muita gente que tem “surfado a onda” do fim dos planos de negócio diz que mais importante do que planejar é testar. Já falei sobre isso antes: planejar é tão importante quanto testar. O que é ruim é planejar tanto a ponto de não avaliar sua capacidade de executar sua proposta de valor.

Trace suas hipóteses e as teste, organizando seu caminho de modo a estar pronto para o que vem pela frente, mesmo que você não saiba muito bem o que é.

2) Priorizar

Se você quer crescer tem que saber delegar.

É um erro muito comum o empreendedor se tornar o cara que só acha bom quando faz pessoalmente. Este empreendedor normalmente erra demais por não conseguir delegar e, mais do que isso, por não conseguir entender que as pessoas têm diferentes formas e velocidades de reagir aos momentos e executar suas tarefas.

É o cara que se sente mal por não ser informado dos mínimos detalhes, que quer dar opinião sobre o ritmo de trabalho dos outros e sobre a forma como os problemas são resolvidos e pior, se acha o detentor de todas as soluções. Tem muita dificuldade em observar que muitas vezes as coisas estariam andando melhor se ele não se envolvesse.

Não cometa o erro de querer estar à frente de todas as iniciativas. Você não vai conseguir dar conta, vai influenciar negativamente seus comandados e deixar de lado coisas mais importantes que requerem sua atenção.

O mais difícil neste momento é decidir o que não fazer, porque a tendência é fazer tudo. Mas só dizendo não você será capaz de se concentrar no que é mais importante: qualidade, inovação e vendas.

O segredo é foco, e foco significa gastar energia no que se deve porque a energia do empreendedor é limitada. Diversificar atenção, sua e do seu negócio, vai matar sua capacidade de atacar os pontos que farão você crescer de forma menos dolorosa.

3)      Processos

Investir tempo e se possível dinheiro em controle de produção e financeiro.

Crescer pode significar perda de atenção a detalhes que podem ser fundamentais. Eu costumo dizer que até um determinado momento da minha empresa eu conhecia todos que entravam, todos tinham sido entrevistados por mim. Isso um dia acabou porque se eu mantivesse este processo cada contratação demoraria o dobro do tempo.

Nestes casos, o risco maior é que você não tenha conseguido passar os valores corretos do que você procura para quem vai tomar as decisões de contratação. Em um ambiente de competitividade por bons recursos isso pode se tornar mais complicado, porque a pressa por contratar para atender ao crescimento vai lhe trazer erros. Sempre traz.

Descrever e, mais difícil ainda, implantar. Porque isso exige insistência e quebra de comportamento, principalmente em momentos de crescimento nos quais há aquela famosa corrida por atender logo os pedidos que chegam.

Com relação ao estoque, isso se torna mais perigoso. Estoque, mesmo barato, se fica parado significa perder dinheiro. Em época de crescimento é mais comum o confronto vendas x produção, onde vendas quer ter estoque para vender e produção, medida por resultado, não quer.

Se você consegue ter um processo de beneficiamento de estoque barato, tudo bem. Mas ainda assim as empresas não buscam a utopia de estoque zero à toa. Buscam porque estoque parado é perder dinheiro. Garantir que seu processo de produção é firme para acompanhar momentos de aceleração pode salvar sua vida.

E finalmente, finanças. Não conheço um negócio que você não tenha que gastar primeiro do que recebe no Brasil. Já começa pelo vencimento de muitos tributos, normalmente no início de cada mês, e quase sempre antes de você receber a nota fiscal que gerou o tributo.

Crescer demanda dinheiro. Os prazos de pagamentos de seus novos clientes vão variar, a inadimplência pode aumentar, seus investimentos em máquinas, estoque (físico ou pessoal), treinamento e outros vai se intensificar. Se você não tiver dinheiro, pode ficar pelo caminho.

Isso me remete ao texto sobre finanças que escrevi aqui mesmo no blog: controle por competência, mas administre por caixa. Você precisa saber se sua operação está funcionando bem, sendo rentável, e isso se mede por competência. Mas é no caixa que você enxerga o fôlego que tem para crescer.

Se falta dinheiro, falta fôlego e estamos falando de uma corrida de resistência.

4) Controle seus passos

Aprendi que muitas vezes os mais velhos têm muito mais a ensinar do que as metodologias modernas que nada mais são do que, em sua maioria, releituras de teorias existentes há muitos anos. Em administração principalmente.

Eventualmente aparece uma forma nova de falar sobre algo que já é feito há muito tempo, mas que sofreu, como tudo na administração, seus ciclos.

Retorno de capital, EVA, metodologias ágeis, micro management, Project finance… Um monte de nomes lindos muito usados em consultorias mas que significam técnicas antigas aplicadas a uma nova realidade de negócios, normalmente derivada da revolução tecnológica que vivemos.

É o famoso nada se cria, tudo se transforma. Várias técnicas de administração sendo aplicadas às novas formas de fazer negócio, derivadas de uma revolução tecnológica que hoje é quase que contínua. São ruins? Claro que não! São adaptações corretas para melhor administrar uma nova realidade dos negócios. Mas são adaptações.

E daí vem o velho e bom “não dê passos maiores que as suas pernas”. E sabe-se lá quando isso surgiu. Muitas vezes o passo maior do que somos capazes de dar vem de nós mesmos. Uma decisão equivocada de buscar crescimento pode nos fazer gastar errado e correr riscos. Excessos de investimento em marketing, por exemplo, sem a correta avaliação do estágio em que a empresa está.

Os americanos usam uma expressão que gosto muito: “The management challenge is when to let up on the gas pedal”.

Isso significa saber quando está na hora de tirar o pé do acelerador e deixar que seus processos e suas pessoas se adequem a uma nova realidade derivada do crescimento.

É a decisão mais difícil a se tomar, porque normalmente o senso comum é de que crescer significa mais dinheiro, então tirar o pé do acelerador significa perder uma oportunidade que você não sabe se terá novamente. Mas eu não estou dizendo que é fácil. Não é mesmo.

De qualquer forma acelerar demais pode significar um acidente logo depois, e como diriam os mais velhos, não dê um passo maior do que suas próprias pernas.

*Update: Continue lendo esta série aqui (terceira parte).