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O que todo empreendedor digital deve ler?

  • Blog
  • 30 de Abril de 2014
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*Artigo publicado originalmente na Exame.com. Confira aqui.

Quando o empreendedor – ou o aspirante a empreendedor – pergunta sobre a melhor maneira de ter sucesso em um negócio de tecnologia talvez ele esteja considerando o objetivo quando na verdade o que ele quer mesmo saber é o caminho. Para ter sucesso em negócios digitais, você tem que entender que está entrando em uma longa trajetória (eu já estou nela há quase vinte anos) de aprendizado empírico. Este aprendizado pode ser organizado em quatro áreas: os evangelistas, os executores, os investidores e os praticantes.

Para a área de evangelistas, três autores e livros são essenciais: Steve Blank, com “The Four Steps to the Epiphany”, Eric Ries, com “The Lean Startup” e Alexander Osterwalder, com “Business Model Generation”. Além desses, é bom conhecer também o “Running Lean”, de Ash Maurya, o “Crossing the Chasm”, de Geoffrey Moore e os livros do Clayton Christensen, como o “The innovator’s dilemma: when new technologies cause great firms to fail”. Ainda quanto aos evangelistas, algumas referências menos densas como Brant Cooper, com “The Lean Entrepreneur” e Jessica Livingston, com “Founders at Work” também são interessantes.

Livros1

A área de executores é formada pelos artistas. Além dos óbvios Steve Jobs, Bill Gates, Mark Zuckerberg, Jeff Bezzos e Jerry Yang, é importante ressaltar algumas novas referências como Marc Andreessen (da Opsware), Steve Blank (da E.piphany), Max Levchin e Peter Thiel (do PayPal), Jack Dorsey (do Twitter), Sabeer Bhatia (do Hotmail) e Marisa Mayer (do Yahoo). A boa notícia é que um dos melhores livros que já li nesta área é brasileiro: “Sonho Grande”, da Cristiane Correa.

sonhogrande(1)

Os investidores de risco, cujo papel é muitas vezes incompreendido, têm habilidade cirúrgica para cortar o que é irrelevante e decidir sempre pelo imperativo do lucro e do retorno sobre o capital investido. Isto é a única coisa que mantém o sistema saudável no longo prazo. Muitas vezes os investidores não publicam livros, mas blogam. Por isso, é possível aprender bastante com alguns deles, como Dave McLure (blog), Paul Graham (blog), Brad Feld (blog), Mark Suster (blog), Mark Andreessen/Ben Horowitz (blog) e Fred Wilson (blog). Dentre as exceções à regra de não escrever livros temos o “The Hard Thing about Hard Things: Building a Business When There Are No Easy Answers”, do Ben Horowitz, “Hackers & Painters: Big Ideas from the Computer Age”, do Paul Graham e “The Startup Game: Inside the Partnership between Venture Capitalists and Entrepreneurs” do William Draper.

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Com os praticantes, tudo o que você leu se materializa. Você precisa entender como descobrir quem é seu cliente, qual é o seu produto, como fazer produtos, como medir, como fazer marketing digital e como desenvolver software, além da experiência de usuário e análise de dados. Neste contexto, o primeiro e mais importante livro é o “Inspired”, do Marty Cagan. Nele, o autor disseca o processo de desenvolvimento de produtos digitais. O “Guia do Fundador de Startups”, do Steve Blank, também tem insights importantes. Depois disso, minha sugestão é megulhar no “Lean Analytics”, do Alistair Croll e do Ben Yoskovitz.

inspired

Para marketing digital, “Made to Stick: Why Some Ideas Survive and Others Die”, do Chip Heath e “Positioning: The Battle for Your Mind Ries & Kotler, Social Media ROI”, do Olivier Blanchard. Seth Godin tem pelo menos cinco bons livros, vale a pena ler no mínimo o “Permission Marketing”. Sobre experiência de uso, um livro leve é o “Lean UX”, do Jeff Gothelf. Sobre o funcionamento da cabeça do seu cliente, eu gosto muito to “Thinking Fast & Slow”, do Daniel Kahneman.

Talvez essa lista pareça impossível, mas uma boa estante e uma estratégia de aprendizado continuado são seus principais aliados na trajetória de se tornar um empreendedor digital de sucesso. Esse negócio não é uma corrida curta, mas uma “ultra maratona cross country”. Para ter sucesso você tem que combinar resiliência, aprendizado e análise ágil de contexto. Estas fontes permitirão que você cicle mais rápido e, embora não sejam nenhuma garantia de sucesso, entrar nesta busca de um modelo de negócios digital sem elas é um processo duro e repetível de fracasso.