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Digital Platform economy: Por que o uso de nuvem pública fora do país é bom para a economia brasileira?

  • Blog
  • 12 de Maio de 2014
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No livro “Our Brave new world”, de 2005, a consultoria Gavekal cunhou o termo “economia de plataforma” para demonstrar o novo rearranjo da distribuição de trabalho internacional, no qual participantes mais eficientes ocupam pedaços de uma cadeia de valor madura e geram mais valor para a empresa detentora da propriedade intelectual. Perder postos de trabalho e faturamento de baixo valor agregado é bom para economia americana, porque gera apenas uma necessidade de adaptação de mão de obra.

Livro

Contra o senso comum, o fato de a manufatura ir para a Ásia não afeta a competitividade dos EUA porque a parte da economia “exportada” é não só de baixo retorno mas extremamente volátil, enquanto os royalties gerados pelos hubs de exportação voltam e os produtos vendidos no mercado interno têm margens maiores. O conceito clássico de exportação e importação foi colocado em cheque.

Assumindo que manufatura (custo do produto vendido) significa hipoteticamente 30% do faturamento de uma empresa aberta, este valor sai da balança comercial mas gera uma empresa de lucro N% maior (pela redução de custo direto). Como estamos falando de empresas que são negociadas de 20 a 30 vezes o EBITDA, podemos assumir que cada 1% de real que sai sob forma de custo gera um ativo negociável de 20 a 30 vezes mais valioso.

Se o fluxo de dinheiro que investe no mercado de capitais vem da mesma fonte, para cada dólar que sai basta que ele gere um corte de custo de 20 a 30 vezes menor para o fluxo de capitais se equilibrar, conforme a simulação abaixo:

Tabela 1. Se a compra de manufatura de um país mais eficiente em uma empresa que "trades" @ 30 x EBITDA gera 3,23% de economia em CPV, ela gera um valuation adicional no mesmo valor, que se for comprado por capital externo equilibra a balança de pagamentos.

Tabela 1. Se a compra de manufatura de um país mais eficiente em uma empresa que “trades” @ 30 x EBITDA gera 3,23% de economia em CPV, ela gera um valuation adicional no mesmo valor, que se for comprado por capital externo equilibra a balança de pagamentos.

Mas o que isto tem a ver com o mercado de startups de tecnologia, Venture Capital e Cloud Computing no Brasil?

Se trocarmos os participantes e assumirmos que o CPV ou CSV de uma startup de tecnologia tem um componente de custo de infraestrutura computacional, podemos traçar um paralelo entre a manufatura na China e seu efeito sobre as empresas (intensivas em propriedade intelectual) e as startups escaláveis brasileiras utilizando nuvens externas (IaaS, principalmente) de empresas como a Amazon.

Cada real economizado (sem levar em conta a diminuição geral de custo pela eliminação do desperdício, já que o custo está marcado na curva de uso) gera um valuation 20 a 30 vezes maior gerando um ativo negociável em balcão equivalente. Se o fluxo de capitais de VC (venture capital) que financia o crescimento destas empresas vem de fundos externos, a mesma dinâmica ocorre e um ciclo virtuoso (e simbiótico) se repete com a vantagem que uma parte volátil do balanço, que se transformava antigamente em CAPEX líquido, agora foi (ironicamente) exportada.

A hipótese é que a utilização de nuvens públicas externas, apesar de em primeira análise retirar faturamento de datacenters locais, aumenta a competitividade das startups escaláveis. Pela geração contínua de ativos financiados por capital externo, o efeito é positivo tanto na geração de riquezas quanto na balança de pagamentos.

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