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Mobile is eating the world – Parte 1: As novidades

  • Blog
  • 4 de Julho de 2014
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Em 2011, Marc Andreessen disse que o software estava comendo o mundo em seu famoso artigo “Why software is eating the world”, publicado pelo The Wall Street Journal. A frase ficou famosa e foi reproduzida em todo o mundo como uma verdade. Hoje, porém, acreditamos que Ben Evans está mais certo ao dizer que agora, três anos depois, quem está comendo o mundo não é mais o software, mas o mobile. Isso ficou evidenciado com as conferências realizadas pelas gigantes da tecnologia no último mês, como o WWDC, da Apple, e o Google I/O, do Google.

O WWDC foi considerado pelo nosso gerente da área mobile e sócio-fundador da CloudRetail, Victor Lima, como “um dos melhores WWDCs da história”. Dentre os principais destaques está o iOS 8, que está muito mais integrado com a nova versão do Mac OS (Yosemite) e vai permitir que você mude de dispositivo levando junto a tarefa em que está trabalhando. Você pode, por exemplo, atender uma ligação feita para o seu iPhone no seu Mac ou começar a escrever um e-mail no computador e terminar no celular ou no iPad.

iOS8

O Google, por sua vez, lança no Google I/O o Android L (rumores dizem que o nome se refere a Lollipop, seguindo a tendência de nome de doces) – saiba mais sobre o evento em geral neste post do Victor Lima. Segundo Fernando de la Riva, nosso diretor-executivo, o novo sistema operacional é um claro investimento para concorrer naquilo que a Apple faz de melhor: o design e a experiência do usuário. Neste ponto, o Google criou o que chamou de “material design”, que usa o conceito de profundidade, mesclando sombra e iluminação. Lima lembra que é a primeira vez que ele vê fortes investimentos para elevar a qualidade técnica da experiência do usuário por parte do Google. Se você quiser saber mais, este site junta todas as informações do lançamento.

Do lado do desenvolvedor, a notícia que mais agitou o pessoal durante o WWDC foi a nova linguagem de desenvolvimento, denominada Swift, que promete ser muito mais simples e rápida. De acordo com Victor, esse movimento da Apple é uma jogada para diminuir a barreira de entrada para novos desenvolvedores. Durante o keynote, foi possível observar na plateia desenvolvedores com 13, 14 anos de idade e ficou claro que, com o Swift, a Apple quer aumentar sua participação dentre os desenvolvedores não só de pouca idade como também aqueles que não estão tão ligados à programação, como os profissionais de UX, por exemplo.

O Google não fica atrás. Lançou quase 5 mil novas APIs e novos SDKs durante o Keynote, principalmente relacionados ao Android Wear (calma, já falaremos dele). Para Victor Lima, faz todo o sentido este investimento de ambas as empresas uma vez que os desenvolvedores fomentam o ciclo do negócio: são eles que desenvolvem os aplicativos que trazem usuários e receita. Neste ponto, vale lembrar que nos últimos 12 meses o Google repassou aos desenvolvedores de aplicativos cerca de US$ 5 bilhões, considerando a base de 1 bilhão de usuários ativos (MAUs – monthly active users). Enquanto isso, a Apple repassou US$ 10 bilhões para uma base de menos da metade de MAUs.

Por fim, o “mobile everywhere”. A Apple anunciou uma série de kits: o HealthKit, que facilita a construção de apps e gadgets que conseguem usar dados de monitoramento de saúde do usuário; o HomeKit, que essencialmente quer fazer com que os aparelhos da sua casa reconheçam quando você está presente e você consiga, por exemplo, acender ou apagar a luz só falando com o Siri; e o CloudKit, que além de permitir reunir todos os seus arquivos na nuvem, agora também pode ser a sua plataforma de BaaS (Backend as a Service). Enquanto isso, o Google comprou a Nest para abordar o problema de automação de casa, quer entrar na sua televisão com a Android TV e estar no seu corpo por meio do Android Wear, sistema presente em relógios inteligentes já fabricados pela Samsung e pela LG e que também puxa para o lado de saúde ou fitness.

No que se refere à automação de casas, Victor observa dois pontos. Para a Android TV, as barreiras estão nos produtores de conteúdo e distribuidores. Enquanto está claro que o Google tem uma relação bastante forte e próxima com os fabricantes do hardware, como Samsung e LG, existe uma questão importante que é de onde este conteúdo vai surgir, uma vez que grandes canais não são citados como parceiros. Nas palavras de Victor Lima, resta saber “se eu consigo me divertir só com Porta dos Fundos e lançamentos do Netflix ou não”. O outro ponto, segundo Lima, é que falta definir qual será o aparelho central que concentrará o controle dos outros dispositivos no HomeKit ou no Works with Nest.

homekit

Sobre o Wear, nosso diretor-executivo Fernando de la Riva comenta, citando Ben Evans, que parece “uma solução em busca de um problema”. Enquanto a questão de reconhecimento de voz já está bem melhor endereçada, falta ainda deixar claro até que ponto as funções de um smartwatch não são redundantes, pois são coisas que já conseguimos fazer com o celular. Para Evans, a geração de valor parece baixa e o Google ainda enfrenta um problema de ergonomia, pois o espaço de um relógio é muito pequeno. Talvez faça sentido para pedirmos uma pizza mais rapidamente ou para saber em quanto tempo ou o que temos que fazer para chegar em determinado lugar enquanto andamos, mas o wear ainda tem algumas funções a serem melhor definidas.

Um ponto interessante é que o Google Glass nem foi citado durante o Keynote, o que nos faz chegar à conclusão de que o produto foi apenas um experimento de wearable, mas não funcionou. A opinião de Fernando e Victor é que talvez o Glass vire um produto de nicho, para cirurgiões ou controladores de estoque, por exemplo.

wear

As duas empresas falaram ainda sobre como entrar no seu carro. Enquanto a Apple falou sobre o CarPlay, que já havia sido anunciado e agora se encaixa em uma visão maior de como usar os seus aplicativos no carro, o Google lançou o Android Auto. Nesta questão, dois pontos são levantados por Fernando e Victor: o ciclo de troca de carro, que é muito maior do que de celular ou relógio, e o preço, que também é bem diferente. O que vale lembrar é que, se existe um hardware que precisa ser multiplataforma é o carro, porque nele entram pessoas com Android, iPhone, Windows Phone, etc. Neste sentido, é importante que tanto Apple quanto Google pensem em parcerias para que a iniciativa funcione.

De uma forma geral, o que vale dizer é que conseguir juntar seus aplicativos na sua casa, no carro, no celular e no computador tem um apelo bastante interessante, e as duas gigantes mostraram que têm fôlego para assumir esse papel. Na segunda parte deste post, vamos abordar uma visão mais de negócio sobre essas novidades: como essas e outras empresas estão se posicionando para não ficar de fora do novo mundo mobile. Até lá!

Obs: Esse post foi baseado no hangout realizado ao vivo na última terça-feira, 1/7, com Fernando de la Riva e Victor Lima. Se você quiser assistir na íntegra, o vídeo está aqui.