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Mobile is eating the world – Parte 2: O negócio

  • Blog
  • 7 de Julho de 2014
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No último post, falamos sobre as novidades que Apple e Google apresentaram durante seus eventos anuais, o WWDC e o Google I/O. Contamos que as empresas estão investindo para estarem não só no seu celular, mas na sua casa, no seu carro e até no seu corpo. Hoje, vamos fazer um panorama geral de como estão os negócios neste novo cenário mobile.

O que não podemos negar é que Apple e Google (além de Facebook) são empresas realmente muito boas em execução e inovação, o que as coloca no topo do ranking. Entretanto, Fernando de la Riva observa que não há um padrão entre essas companhias no que se refere a fusões e aquisições. O Google, por exemplo, já fez mais aquisições nesse primeiro semestre de 2014 do que fez o ano passado todo. Foram 19 em 2013 contra 20 este ano. Outro ponto a ser observado é que, se no ano passado eles pareciam obcecados por robótica, com oito aquisições neste sentido, este ano os interesses não estão tão bem definidos. Já foram aquisições para automação de casas, segurança, aumento de qualidade, entre outros segmentos.

Google-Nest-Labs

No que se refere à Apple, vale citar duas aquisições principais: a do Test Flight, plataforma de testes para iOS, e a do Beats, fabricante de fones de ouvido. A primeira vem para facilitar a vida dos desenvolvedores iOS e a segunda mostra a intenção da Apple de “vestir o corpo inteiro” dos usuários. O Facebook, por sua vez, fez aquisições mais defensivas, como a compra dos usuários do Instagram e do Whatsapp (esta última a mais cara da história), e para também para facilitar a vida dos seus desenvolvedores, como o Parse. Fernando de la Riva e Victor Lima observam que Mark Zuckerberg quer garantir cada vez mais tempo de mobile, ou seja, garantir que a maior parte do tempo que você esteja olhando para o celular, você esteja acessando alguma marca do Facebook. Outra ambição um pouco maior é que mobile é inerentemente social, e o Facebook quer garantir a sua supremacia neste sentido. Um dado interessante é que hoje metade da receita do Facebook vem de anúncios mobile, e eles só começaram a atuar nessa área há dois anos.

FB Mobile

Fonte: Ben Evans: Mobile is eating the world

Além destes três principais, existem alguns outros jogadores que estão muito bem posicionados no que se refere a mobile.  A Microsoft, por exemplo, está ganhando espaço com os 5% do mercado brasileiro ocupados pelo Windows Phone (de acordo com a comScore) e já está criando um ecossistema de desenvolvedores em um mercado que parecia perdido para iOS e Android. Outros pontos a serem ressaltados é a quantidade de PCs rodando Windows e de desenvolvedores .NET, além da compra da Nokia, que mostram que não podemos subestimar a companhia.

Outra empresa que merece bastante destaque é a Samsung, que é essencialmente boa em fazer hardware, mas que como principal vendedora de Android consegue também se posicionar bem em software. Além disso, a empresa está na sua casa não só no celular, mas também na TV, no ar condicionado, em computadores. Neste sentido, se a tendência é mesmo “mobile everywhere” a empresa tem grande potencial. Outro ponto que merece ser observado quando falamos da Samsung é que este ano, durante a Tizen Developers Conference, a empresa mostrou a intenção de usar outro sistema operacional, o Tizen, o que a livraria das amarras do Google.

Vale ainda citar a Amazon, recentemente capa da The Economist, que acaba de lançar seu próprio smartphone, o Fire Phone. A empresa já teve bastante sucesso com o Kindle, mas não tanto com o Kindle Fire, e não havia por que não tentar alguma coisa com telefone. Ao ser questionado sobre a concorrência de Apple e Google, Jeff Bezos respondeu que há seis, sete anos o melhor celular era da Nokia ou da BlackBerry, que perderam lugar muito rápido. E ele está certo! Vale lembrar que a empresa ainda tem US$ 10 bilhões em caixa e está à frente de cloud computing, com a Amazon Web Services, e de marketplace, o que os coloca em uma ótima posição no que se refere a App stores, por exemplo.

amazon_fire_phone_search

Além disso ainda tem o Google comprando a Motorola (e depois vendendo para a Lenovo), o crescimento assustador da chinesa Xiaomi e as empresas periféricas, como LG, HTC e outras de social que embaçam um pouco a visão do negócio nos próximos anos. Como disse Victor Lima, quando agrupamos todas essas marcas e analisamos seus parceiros, podemos ver que o mobile está sendo o drive para inovações. Novas áreas e empresas como Mercedes-Benz, Nike, Chevrolet, e Adidas, por exemplo, vão se agrupando em torno dessas empresas mobile para também tentar gerar valor.

No final do Keynote do WWDC, Tim Cook diz que a Apple é a única empresa capaz de juntar computador, celular, tablet, telefone e aparelhos da sua casa. Acreditamos que essa afirmação é questionável. Há poucos anos o papel das operadoras era apenas prover os dados e as empresas pré-smartphones estavam preocupadas em criar celulares indestrutíveis quando chegou a Apple e logo depois o Google, juntaram software e hardware e iniciaram uma nova era. Quem lança a inovação é quem leva. Resta-nos ficar atentos e maravilhados com o que vem por aí.

Obs: Esse post foi baseado no hangout realizado ao vivo na última terça-feira, 1/7, com Fernando de la Riva e Victor Lima. Se você quiser assistir na íntegra, o vídeo está aqui.