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Projeto Adam: a jogada da Microsoft em Machine Learning

  • Blog
  • 21 de Julho de 2014
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O cérebro humano é realmente fascinante, e certamente o órgão mais complexo conhecido em todo o universo. Dentro dele, os neurônios criam conexões, que são responsáveis por transmitir os impulsos elétricos que carregam nossos pensamentos. Com dezenas de bilhões de neurônios formando dezenas de trilhões de conexões, suas capacidades computacionais exigiriam o equivalente a 4 usinas de Itaipu para alimentar um computador com as tecnologias atuais e processamento equivalente, caso este computador existisse.

E de onde vem toda esta capacidade de processamento? A resposta está no neocórtex. Este é o nome dado às áreas mais desenvolvidas do córtex, e o “neo” é usado porque esta região surgiu mais recentemente no processo de evolução dos mamíferos. É uma zona riquíssima em conexões neuronais complexas. Os primatas possuem o neocórtex mais desenvolvido entre os mamíferos, e o Homo sapiens sapiens lidera esta lista evolutiva.

Um

É no neocórtex que ocorre o processamento dos sentidos como visão e audição, além do armazenamento das lembranças. Quando você aprende uma nova habilidade, como jogar bilhar ou tocar piano, deve agradecer seu neocórtex.

Você deve estar se perguntando: “e o que a Microsoft tem a ver com meu neocórtex? Ela não deveria estar preparando uma nova atualização para o meu Windows?”. Bom, a Microsoft tem um centro de pesquisa e desenvolvimento respeitável, onde seu time está trabalhando no Project Adam: uma nova abordagem para inteligência artificial escalável, inspirada no funcionamento do nosso cérebro.

Dois

Por meio da tecnologia Deep Learning, usando Deep Neural Networks, a Microsoft está implementando visão de máquina, reconhecimento de linguagem falada, comunicação e simulação de pensamentos aplicada ao reconhecimento de padrões. A ideia não é nova: em 1980 cientistas como Kunihiko Fukushima já avançavam nos estudos das redes neurais. São a abordagem e os resultados que chamam a atenção para este projeto.

A funcionalidade que recebe mais destaque é o reconhecimento visual. Não se trata de um simples reconhecimento visual que compara com itens em bancos de dados. O Adam consegue identificar um cachorro em uma foto. Além disso, ele identifica a raça do cachorro. E em alguns casos, consegue distinguir até mesmo a subespécie dentro de uma mesma raça. É capaz ainda de ler documentos e classificá-los, além de agrupar imagens com padrões semelhantes.

A ferramenta é poderosa, mas quais os planos? Uma das sugestões da Microsoft é colocar à disposição de aplicativos em smartphones, que poderiam fazer diagnósticos de doenças de pele ou dar informações nutricionais de alimentos com apenas com uma foto, por exemplo.

Três

Deficientes visuais poderiam ter o mundo “narrado” pelo Adam, que reconheceria a situação atual por meio do streaming da câmera do telefone.

Se você quer saber como tudo isso funciona, imagine um banco de dados gigantesco, com informações separadas em categorias. Entre estas informações estão fotos e documentos. Agora, imagine tudo sendo processado por uma rede neural artificial com 2 bilhões de conexões… É isso! Seguindo este modelo, de acordo com a Microsoft, os resultados do Project Adam são 50 vezes melhores que o de tecnologias de empresas de ponta, como o Google ou a Apple, utilizando 30 vezes menos computadores no processamento.

Quatro

É possível imaginar como a Microsoft utilizaria o Adam para melhorar sua plataforma móvel, “turbinando” a Cortana, seu assistente concorrente com o Google Now ou a SIRI da Apple. Entretanto, o Project Adam ainda tem muito a aprender. Veja neste vídeo um pouco mais sobre o projeto.

E se você gostou e quer se aprofundar no assunto, indico os livros: “Redes Neurais: Fundamentos e aplicações em programas em C”, de Oswaldo Ludwig e Eduard Montgomery; “Inteligência Artificial”, de Ben Coppin; “As bases biológicas do comportamento”, de Marcus Lira Brandão; e “Computação Natural: uma jornada ilustrada”, de Leandro Nunes Castro.

Obrigado, neocórtex 🙂