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As marcas da mobilidade: uma prótese para seu corpo

  • Blog
  • 14 de Setembro de 2014
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Provavelmente já aconteceu com você: esquecer o celular em casa ou ser surpreendido com a falta de bateria. Devido à falta de um aparelhinho, você não consegue tirar fotos, conectar à internet, usar o GPS oua agenda, jogar, acessar suas redes sociais e comunicadores instantâneos… E, é claro, não consegue fazer e nem receber ligações. Atualmente, não só os moradores das metrópoles mas de qualquer lugar já têm a necessidade de usar um celular imbuída no cotidiano. Ficar sem ele é como ficar sem uma parte do corpo.

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A palavra prótese vem do grego, prosthenos, que significa extensão. Podemos considerar, então, que atualmente o celular é uma prótese: as funções de analisar mapas, acessar redes sociais, procurar referências na internet e nos comunicar via mensagens ou ligações estão nas nossas mãos, e são acionadas com apenas alguns toques. Aliás, considerando a origem de termos, a tecnologia celular substitui o sistema de transmissão central de alta potência e divide a cidade em unidades celulares. É daí que vem o nome para esse novo sistema.

Neste contexto, o estudioso John B. Thompson descreve que os seres humanos protagonizam dois tipos de interações: a primeira é a face a face, na qual emissor e receptor devem partilhar o mesmo tempo e o mesmo espaço. A segunda é a mediada, que surge com os meios de comunicação: um meio técnico é necessário para que esse tipo de interação ocorra.  No caso do celular, há uma disjunção no tempo e espaço, uma vez que nos conectamos, por meio dele, com diferentes pessoas em diferentes lugares.

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Para Bauman, essa proximidade virtual possibilita o que chama de ubiquidade: ou seja, a tecnologia nos permite estar em mais de um lugar ao mesmo tempo: “Os celulares assinalam, material e simbolicamente, a derradeira libertação em relação ao lugar” (trecho de Amor Líquido, página 81). Ao contrário do telefone fixo, que indica total falta de mobilidade e só conecta duas pessoas ao mesmo tempo, o telefone celular (mais precisamente o smartphone) proporciona plena mobilidade e inúmeras funções, o que o faz cada vez mais necessário no dia-a-dia do ser humano.

Segundo reportagens recentes, metade dos orelhões no Brasil serão desativados, uma vez que o aparelho caiu em desuso e ficou anacrônico. Enquanto isso, as vendas de smartphones não param de subir, alavancando o comércio de Telecom. Com essa mudança de paradigma,  as empresas evoluem para os chamados “wearables”. Google e Apple já lançaram seus smartwatches, que estão ainda mais ligados ao conceito de prótese. Se o celular ainda tem alguns momentos de distância do seu corpo, o smartwatch estará sempre ali, grudado em você.

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Para Muniz Sodré, “no âmbito dos objetos técnicos, o ‘futuro’ comparece na forma de cada novoindutor de nomadismo e velocidade inscrito num instrumento: à fluidez datelefonia celular e da internet, acrescenta-se, por exemplo, o híbrido ‘internetmóvel’, ou seja, internet pelo celular para gente em trânsito”. Como diz certa música, “o futuro é hoje, e cabe na mão”.

*Texto inspirado no trabalho apresentado no XV Congresso de Ciências da Comunicação na Região Sudeste, realizado de 13 a 15 de maio de 2010. Para ver o documento na íntegra, acesse este link.