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Samsung Galaxy Gear: primeiras impressões

  • Blog
  • 16 de Setembro de 2014
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Hoje em dia, todo o furor sobre wearables está focado no Apple Watch e no Android Wear. Porém, existe uma opção que já está há algum tempo no mercado, que não recebe a atenção devida.

Recentemente eu comprei um Samsung Galaxy Gear, de primeira geração. Ele originalmente vem com uma versão customizada de um Android 4.2 feita pela Samsung e pode ser atualizado para o Tizen. Ele oferece algumas possibilidades bem interessantes, e vou comentar sobre a minha experiência depois de uma semana de uso contínuo.

O Bom

De uma modo geral, estou bem satisfeito com a compra do Galaxy Gear. Algo que é praticamente obrigatório, é a atualização para o Tizen. Isso traz melhorias substanciais de durabilidade de bateria, melhoria na interface, e abre o leque de opções para uma gama enorme de aplicativos.

Frequentemente me perguntam qual a função que eu acho mais útil no wearable, e por algum motivo, as pessoas ficam surpresas quando eu respondo que é o relógio. O fato de não precisar retirar o meu telefone do bolso para ver as horas, ironicamente, é uma facilidade incrível. De brinde, como a hora do relógio está sincronizada com o celular, e a do celular sincronizada via internet e com horário de verão automático, não preciso mais me preocupar em ficar acertando os ponteiros.

Diretamente associada a ela, está o acesso ao meu calendário do dia, com ênfase no próximo compromisso marcado. Em particular, eu tenho utilizado muito a ponte aérea recentemente, e a forma como coloco os detalhes do vôo no meu calendário, permitem que eu utilize apenas o relógio para fazer meu checkin no terminal de auto-atendimento.

Logo depois de ver horas e acesso ao calendário, a facilidade de receber notificações no relógio é sensacional. O que gostei do software da Samsung, é que as notificações são opt-in, ao invés do opt-out do Android Wear. Ou seja, eu posso escolher exatamente quais aplicativos enviarão notificações ao meu relógio, ao invés de escolher quais não devem mandar. Minha sugestão: mantenha a lista pequena, para não se distrair demais. Aliás, com o relógio em contato tão próximo com o corpo, constantemente deixo as notificações apenas para vibrar, e nunca mais perdi nenhuma importante.

Uma funcionalidade bem prática, é a possibilidade de desbloquear o telefone quando ele estiver pareado com o Galaxy Gear. Dessa forma, sempre que você estiver perto do seu telefone, utilizando o ser relógio, não precisará se preocupar de colocar senha para liberar o aparelho.  E sempre que o relógio estiver fora do alcance, terá que utilizar um desbloqueio por padrão (já característico do Android). Em contrapartida, é possível habilitar no relógio a opção de bloquear com senha numérica, caso o mesmo esteja fora do alcance do telefone.

A loja de aplicativos da Samsung possui vários aplicativos para o Galaxy Gear rodando o Tizen, a maioria dos aplicativos fazem a comunicação com o telefone para poder efetuar suas funcionalidades, mas é possível também ter aplicativos que rodam de forma totalmente independente do aparelho. Um aplicativo ótimo que roda no relógio e se comunica com o celular é chamado “Instant Settings”, com ele é possível ligar e desligar o Wi-fi, serviço de localização, modo de toque (sonoro, vibratório ou mudo), rede de dados do celular, modo de economia de energia e modo de bloqueio de ligações. Desses, o mais útil é ligar e desligar o wi-fi. Super prático quando sai do escritório e não quer que seu telefone gaste bateria procurando ativamente sinal de wi-fi.

Existem duas funcionalidades que eu considero “perfumaria”, mas que têm sua dose de utilidade. Como o relógio é equipado com um alto-falante, é possível efetuar e receber ligações através dele no modo viva-voz. As vezes, é tempo suficiente para receber a ligação e pedir para quem te ligou esperar só um minuto, enquanto você retira o celular do bolso, que cismou de ficar preso justamente quando você ia atender a chamada.

ligação

Outra “perfumaria” que pode ser útil, é a presença de uma câmera que permite fazer fotos e vídeos na pulseira do relógio. Não é algo particularmente útil, mas quando se tem uma filha de 2 anos que foge de fotos, é muito prático.

câmera

O Ruim

O processo de configuração inicial foi uma dor de cabeça enorme. É necessário instalar o software de gerenciamento do Galaxy Gear a partir da loja da Samsung. Porém, ao finalizar a instalação do Software, ele me informava que meu aparelho não era compatível. Apesar de eu já ter feito o pareamento com o relógio diretamente pela interface Bluetooth do próprio aparelho. Vi na internet muitas pessoas reclamando desse tipo de problema (várias delas utilizando também o S4) e que a solução habitual era fazer um reset de fábrica no aparelho e instalar tudo de novo. Não fiquei satisfeito com essa alternativa, e como já tinha meu telefone rooteado e com um recovery customizado (TWRP), resolvi limpar o cache e o cache do Dalvik. Isso foi o suficiente para o aplicativo reconhecer que meu telefone era plenamente capaz de sincronizar com o Galaxy Gear (o que ele vem fazendo com sucesso há 1 semana).

O aplicativo gestor do Galaxy Gear é dependente de vários componentes do TouchWiz, e portanto, são necessários alguns passos adicionais para quem usa uma ROM customizada que não é baseada no TouchWiz ou quem não utiliza um aparelho Samsung. Eu utilizo  a GoldenEye, e não tive nenhum tipo de problema até o momento, ela é baseada no TouchWiz, então, não precisei fazer muitos malabarismos para o aplicativo funcionar corretamente (somente o que descrevi na sessão anterior).

Uma experiência um pouco frustrante, é que de vez em quando o telefone e o relógio se sincronizam via Bluetooth, porém, o telefone não fica desbloqueado. Aí é necessário abrir o aplicativo de gerenciamento do relógio e mandar ele se conectar novamente. Curiosamente, se não mandar reconectar, tudo funciona corretamente. O envio de notificações, o relógio se desbloquear porque pareou, atender ligações, apenas o telefone que não se desbloqueia.

Conclusão

Eu achei um dispositivo ótimo, com bastante potencial. Só preciso agora dedicar mais tempo para escolher um conjunto de aplicativos que facilitem ainda mais o meu dia a dia.

As lojas que ainda possuem esse relógio estão literalmente se livrando do estoque, então, é possível consegui-lo por um preço bem competitivo. Em termos de hardware, ele é bem equivalente ao de segunda geração, não tendo apenas o sensor cardíaco.

Uma caminho quase obrigatório é fazer a atualização do software para o Tizen mais recente. Porém, caso queira voltar para a versão Android, hoje já é possível (apesar do procedimento ser um pouco “animado”). Existe a possibilidade de uma versão de comunidade do Android Wear rodando nesse relógio. Mas eu não compraria contando com essa possibilidade.