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A era das ferramentas digitais

  • Blog
  • 4 de Novembro de 2014
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Esses dias, no transporte público vindo para a Concrete, uma conversa que ouvi me fez pensar na seguinte história:

É manhã de segunda. O experiente fotógrafo Hans Schukruts decide ouvir o conselho dos seus amigos mais jovens e vai até a agência XPTO, especializada em inovação com produtos para Internet. Ele explica:

– São tempos difíceis. O marketing boca a boca não tem funcionado. Meus amigos disseram que eu preciso ter um portfólio digital. Vocês podem me ajudar?

Prontamente a agência explica sua maneira de trabalhar, e conta vantagem por ser uma empresa de ponta, que utiliza as mais modernas ferramentas.

O cliente aceita meio desconfiado, responde alguns questionamentos e vai para casa, ansioso. – Pessoal, reunião! Temos um novo projeto! – grita o representante comercial da agência.

O time se agrupa, eufórico, sedento por uma chance de colocar em prática a ferramenta que acabara de ouvir em um podcast.

– Precisamos organizar as ideias. Não podemos usar este papel. Um mapa mental seria a ferramenta ideal.

O time procura uma ferramenta para isso e encontra o VYM. Instalam e logo começam a arrastar daqui, clicar de lá, digitar acolá, até conseguirem um belo guia para a criação do site.

– Agora sim, temos tudo organizado. Mas tem tanta coisa repetida…  Precisamos de uma lista organizada e priorizada – disse um dos programadores.

Do meio do grupo, uma voz se destaca:

– Google Drive! Vamos criar uma planilha!

– Boa! – responde o líder técnico.

O time de desenvolvimento utiliza metodologias ágeis. Assim, foi conveniente utilizar o Atlassian Jira, com o módulo agile habilitado.

Agora sim, o projeto foi formalizado. Só falta começar a criação do ambiente. Ouve-se então o PO dizendo:

– Mas onde está o bendito DevOps? Devoooooooooooooppppsssss!!! – ecoa o grito por todo o ambiente.

Surge da cozinha, com uma caneca de café em uma das mãos, uma figura despreocupada, com cabelos despenteados, com aparência de louco.

– Não se preocupe, doutor. Já tenho tudo sob controle. Criei uma conta na AWS, baixei as receitas Ubuntu do Rails e do Postgresql para nosso OpsWorks. Configurei um repositório no GitHub, preparei os Jobs de CI no Jenkins e pré-configurei os testes com o Cucumber. Já solicitei uma conta do New Relic, cadastrei os servidores no Zabbix e ativei o CloudWatch. Tudo sob controle.

O time responsável pelo frontend do site, que reúne UX, desenvolvedores, PO e etc., conversam sobre a aparência do site.

– Vamos usar HTML5 e CSS3! – suplica o desenvolvedor.

– Só se for com Bootstrap – diz o outro.

– Pode ser, assim podemos testar também o Pingendo.

– As transições precisam ser suaves. Vamos incluir JQuery – diz o UX, preocupado com a usabilidade.

Então todos se dirigem às suas mesas, abrem seus Macbooks Pro, rodando a última versão do OS X, e começam seu trabalho, um com Adobe Photoshop, outro com Sublime Text.

Começa um diálogo entre os desenvolvedores:

– Zé, qual versão do Rails eu instalo?

– Instala a última, Chico.

– Mas não instala na sua máquina não! – se intromete o Tonico. Usa uma camada de abstração, com uma máquina virtual tipo o Virtual Box.

– Isso, e para gerenciar a camada de abstração, você usa outra camada de abstração, tipo o Vagrant – disse o Zé.

– Sim, e para abstrair ainda mais, dentro da camada do Virtual Box você cria o ambiente em um container LXC.  E você ainda pode usar o docker para criar ainda outra camada de abstração em cima do LXC. INSANO! – comentou o Tonico, super animado.

Chico achou aquilo tudo meio exagerado, mas queria estar na vanguarda, então, mesmo sem saber exatamente para que servia cada uma das camadas, decidiu seguir as dicas.

Todos correndo muito, eis que chega a primeira reunião com o cliente depois da definição do projeto. O time preparou uma apresentação interativa no Prezi, buscando uma boa impressão.  Depois de ver todas as ferramentas, ambiente, e o preço estimado, Hans dá um vigoroso gole em seu copo d’água, respira profundamente e diz em tom firme:

– Vocês estão me dizendo que o meu site não está pronto, que vocês passaram uma semana inteira preparando para começar o projeto, e vai custar 50 mil reais? Hans levanta e sai.

Claro que é apenas uma história fictícia, mas a intenção é chamar a sua atenção para alguns fatos:

  • Você vai encontrar muitas ferramentas para trabalhar com tecnologia da informação. Algumas são brilhantes, outras são cópias, e algumas são inúteis. O que deve ser avaliado antes de optar pela ferramenta é se o benefício conseguido com ela é maior que a complexidade que ela pode adicionar ao projeto.
  • Nem sempre a ferramenta mais conhecida e mais utilizada é a melhor para a sua necessidade. Por isso, o argumento “mas todo mundo está usando” deve ser ignorado. É bem fácil encontrar empresas que adquiriram grandes plataformas de ERP, e-commerce ou outras soluções caras pensando em não ficar em desvantagem e amargaram enormes prejuízos.
  • A ferramenta mais cara nem sempre é a mais adequada. Pode dar trabalho, mas se custo for uma restrição muito grande e tempo não for problema, você pode personalizar algum projeto open source. Aliás, hoje em dia existem milhões de projetos open source. Por isso, antes de comprar alguma coisa não custa nada vasculhar o GitHub por algumas horas.
  • Alguns clientes podem comprar seu projeto por causa das letrinhas e siglas, mas a maioria busca preço baixo, qualidade, comprometimento e resultados.

E aí? O que você acha de tudo isso? Concorda, discorda? Aqui na Concrete optamos por conhecer as mais diversas ferramentas, mas só utilizar o que é realmente preciso, de acordo com a complexidade e a necessidade do projeto. Quer saber mais? Deixe aqui embaixo o seu comentário!