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Como foi o Coders on Beer sobre Gestão Ágil de Produtos

  • Blog
  • 25 de Janeiro de 2015
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Na última terça-feira, dia 20, realizamos aqui na Concrete Solutions em São Paulo nosso primeiro Coders on Beer do ano. Para quem não conhece, o evento é uma oportunidade de bater papo e compartilhar conhecimento e experiência de uma maneira bem informal, enquanto tomamos cerveja e comemos pizza. O tema que escolhemos para esta edição foi “Gestão Ágil de Produtos Digitais”, porque tivemos muitos insights significativos nos últimos meses que gostaríamos de compartilhar.

Coders On Beer - Produto

 

Quem começou a conversa foi o nosso PO Leonardo Pabon, com uma introdução geral aos métodos ágeis. Pabon usou como exemplo um jogo de xadrez comparado a um jogo de apostas, como o de roleta, por exemplo. Enquanto no primeiro suas chances de ganhar dependem de quantas jogadas posteriores você consegue prever, no segundo você precisa da maior quantidade dinheiro possível, uma vez que você não consegue prever as próximas jogadas. O xadrez é mapeado pelo determinismo, enquanto o jogo de apostas é marcado pelo caos. Se você usar a estratégia errada, você perde.

O mesmo acontece em projetos digitais. O PMI é baseado na filosofia de controlar o máximo possível as variáveis do projeto, assim como no xadrez. Depois de todo o seu planejamento, se por acaso um desenvolvedor falta ou alguma plataforma falha você perde o trabalho e se complica. Projetos digitais são como jogos de apostas. Você precisa entender que não tem como prever o que acontecerá no decorrer da execução. Se você tentar controlar um sistema imprevisível, acaba tendendo ao caos.

Pabon1

 

Por isso, Pabon explica que a fase de “inception” do projeto tem que ser muito forte, não apenas para montar o backlog, mas para entender o cliente final, qual o problema que ele tem e de que forma você pretende resolver o problema dele. Assim, se o projeto estiver dando errado você sabe como começou e qual outra alternativa você pode seguir. A postura de “não previsão” é essencial para lidar com projetos digitais.

Para essa fase de “inception” o processo que usamos aqui na Concrete Solutions é o de customer e product discovery, assunto que o nosso gerente da área mobile Victor Lima seguiu depois de Pabon. Victor começou falando sobre a ideia de um negócio, que pode surgir de qualquer lugar. O que normalmente ocorre é que a partir da ideia você analisa o que precisa para funcionar, investe e pronto. Tem um negócio. O que nós propomos é inverter a ordem, a partir de um canvas de modelo de negócios.

Canvas Modelo de Negócios

O canvas pode ser feito em algumas horas, no máximo uma tarde, e tem nove áreas a serem preenchidas. A primeira delas é o problema que você está tentando resolver. O EasyTaxi, por exemplo, teve a ideia de que achar um taxi perto de você é um problema relevante, que merece ser resolvido. Depois disso você tem que saber seu “customer segments”, ou seja, quais são as pessoas que têm esse problema. A caixinha na qual você coloca sua solução é o terceiro campo, que propositadamente tem metade do tamanho da caixa para o problema. Isso significa que você deve focar no problema que vai resolver, e não na solução.

Em seguida, você deve preencher o campo de “unique value proposition” com a sua proposição única de valor, ou seja, como você vai gerar valor para o seu cliente. Por fim, você define as métricas que vai usar para medir o sucesso do seu produto, o que você tem de diferente dos seus concorrentes, quais canais você vai usar para chegar aos seus clientes e qual será sua estrutura de custos e seu modelo de receita.

Lima1

Em seguida é hora de começar o processo de discovery que, em resumo, elenca os principais problemas que você pretende resolver e monta uma entrevista para validá-los. A intenção é ir até onde seus possíveis clientes costumam estar e fazer uma série de perguntas para validar se mais pessoas têm o problema que você imaginou. Na segunda etapa, o time prepara um protótipo simples da solução (nas palavras de Lima, amarrado com chiclete e barbante) e mostra aos clientes para pegar feedback.

O aprendizado é usado para alimentar o product backlog. Parece que o trabalho termina aqui, agora basta desenvolver e vender, certo? Não! A ideia é fazer um ciclo contínuo entre a linha de discovery e a linha de engenharia de entrega real. Cada item que entra no backlog durante o desenvolvimento deve ser testado com o feedback do usuário.

Depois de Victor Lima, foi a vez do PO Rogério Martins assumir o comando da conversa. Rogério falou sobre a importância do UX e da relação deste profissional com os desenvolvedores para o sucesso de um produto. Segundo ele, o time multidisciplinar trabalhando ao mesmo tempo faz uma grande diferença para o projeto, uma vez que features são discutidas e desenvolvidas em tempo real, diferente do que acontece quando a empresa contrata uma agência de design, por exemplo. Neste último caso, as chances de retrabalho são muito grandes, uma vez que não sabemos se o design e as funcionalidades estão de acordo.

Rogério1

Rogério resume o desenvolvimento do produto em três visões: 1) de negócio; 2) do usuário, que envolve UX; e 3) técnica, afinal nem sempre dá para fazer tecnicamente tudo o que você imagina. Segundo ele, as três visões têm que andar muito juntas, sendo que a segunda anda mais perto da primeira no começo e mais perto da terceira no final do projeto. Para ele, quanto mais perto a experiência do usuário estiver dos desenvolvedores, mais chances de sucesso o produto terá.

Depois de um bate-papo bem diverso com Victor Nascimento, Victor Lima, Rogério Martins e Fernando de la Riva, falando como funciona essa proximidade entre UX e desenvolvimento, Fernando de la Riva assumiu a palavra para mostrar a nossa trajetória e aprendizados em ágil, em uma fala cheia de referências interessantes sobre o assunto. Fernando citou a evolução do Lean Startup e livros como “De Zero a Um”, do Peter Thiel. Segundo Fernando, a conclusão de tudo o que o time leu e fez nos últimos quinze anos é a de que é difícil para caramba fazer produto digital. São sistemas dinâmicos complexos, com os quais não conseguimos lidar de modo linear.

Fernando1

E foi isso! Se você quiser ouvir o áudio do evento, é só ir lá na nossa página do SoundCloud. E se surgiu alguma dúvida, sugestão ou crítica, é só deixar seu comentário abaixo. Até a próxima!