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Algumas considerações sobre apps de estacionamento

  • Blog
  • 24 de Fevereiro de 2015
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Há algumas semanas, o pessoal da Folha de S. Paulo procurou o Victor Lima, nosso gerente da área mobile, para saber a opinião dele sobre o modelo de negócio de apps de estacionamento. Apesar do pouco espaço, a entrevista foi bastante produtiva e decidi transcrever algumas das observações do Victor sobre o assunto aqui no Blog. Pode ser que ajude você que está pensando em empreender. =)

O repórter queria saber mais sobre três aplicativos específicos: o letspark, o ezPark e o Onde Parar. A primeira observação do Victor é que o modelo de negócios dos três apps segue duas das macrotendências que os negócios de tecnologia tendem a seguir em 2015 e que o Fernando de la Riva já comentou neste post. A primeira delas é “todo mundo está conectado”. Usando o exemplo de Fred Wilson, se você fosse forçado a escolher entre seu laptop e seu smartphone, a maioria das pessoas escolheriam o smartphone. Desde a diarista até o dono da empresa, todos estão conectados à rede por meio de um celular, inclusive pessoas que estão procurando uma vaga para estacionar.

vicio1

Outra grande tendência são estruturas hierárquicas que se transformam em redes tecnologicamente conectadas, mudança essa facilitada pelo fato de quase todas as pessoas terem um smartphone com internet em mãos. Atualmente, é comum observarmos grandes hierarquias como as gravadoras, por exemplo, sendo substituídas por redes como o SoundCloud, ou as grandes empresas de cinema sendo trocadas pelo Youtube, Netflix, etc. Essa tendência traz um grande potencial que é conectar marketplaces, no nosso caso, quem tem vagas disponíveis.

Mais um grande potencial deste modelo de negócio é obedecer às leis de oferta e demanda. Por exemplo, o EasyTaxi juntou taxista e quem procurava táxi, assim como o Airbnb juntou quem procurava e quem tinha apartamento para alugar. Os apps de estacionamento estão tentando juntar quem procura vagas de estacionamento e quem tem vagas disponíveis. Desfazer ineficiências também é um grande passo para o sucesso de um produto digital.

Troca

Depois disso, é importante observar que esse tipo de app está resolvendo um problema que as pessoas realmente têm. A regra número um para qualquer produto, startup ou iniciativa digital falhar é ter uma solução para um problema que ninguém tem ou simplesmente não solucionar nenhum problema. Qualquer que seja o método estatístico, se você fizer uma pesquisa vai encontrar pessoas que já tiveram problemas para encontrar vagas em estacionamento, o que prova que os aplicativos estão no caminho certo.

Assumindo isso, o desafio está na execução. As pessoas estão tentando criar um celular que se conecta à internet desde 1990, mas só em 2007 o iPhone sintetiza isso e entrega um produto que revoluciona o mercado. O problema de encontrar vagas de estacionamento já existe há muito tempo, a questão é como você vai executar a solução para resolvê-lo. Você já tem donos de estacionamento procurando clientes, pessoas querendo alugar as vagas em seus prédios e pessoas procurando lugar para estacionar, o que forma um cenário bastante favorável para todas as partes do marketplace. Resta saber como abordar esse problema.

Vagas Estacionamento

Neste ponto, entre os aplicativos listados avaliamos duas abordagens diferentes. Enquanto o ezPark está mais calcado em uma rede colaborativa, com pessoas oferecendo e procurando vagas, os outros têm um viés mais voltado para juntar donos de estacionamento e oferecer uma comparação de preços para os motoristas com base na localização. Em geral, cada um tenta se diferenciar e resolver o problema de uma forma diferente, mas no final normalmente um ou dois modelos sobrevivem, no máximo.

E para sobreviver é importante que os aplicativos estejam atentos a três pontos: fonte de receita, barreiras de entrada e donos naturais do domínio do negócio. Só o fato de resolver um problema não significa necessariamente que você tem uma fonte de receita. Pode ser que os apps consigam anunciantes, que é o modelo mais comum para negócios de internet, ou cobrem alguma taxa para publicar a vaga de estacionamento no app, mas esse último tende a se esgotar quando o aplicativo ficar muito popular.

Segundo ponto: barreira de entrada. O que impede qualquer outro empreendedor de tentar executar a sua ideia de outra maneira? Uma vez que um modelo é validado, ele corre o risco de ser copiado e se a execução do concorrente for melhor, o pioneiro acaba perdendo o jogo. Por fim, é importante ficar de olho nos donos naturais do negócio. Esse é um mercado de cerca de US$ 20 bilhões de dólares, de acordo com essa matéria do TechCrunch. Pode ser que algum aplicativo que já esteja no mercado de transporte, como o Uber, por exemplo, ou em um segmento decida investir na ideia e brigar com os grandes pode ser uma dificuldade importante.

Davi e Golias

Victor finalizou dizendo que o sucesso estará nas mãos de quem entender melhor como fazer a aquisição de usuários, que é um modelo “ovo e galinha”. As pessoas só vão começar a usar o app se virem vagas disponíveis por lá, e os donos de estacionamento ou donos de vagas só irão publicar vagas se virem pessoas procurando pelo aplicativo. Esta é uma questão de marketing e growth hacking, termo utilizado no Vale do Silício para “hackear o seu crescimento”. A ideia é que depois de conseguir conectar o produto ao mercado, você escale. E, para isso, é preciso crescer e conseguir usuários das duas pontas.

Identificar o problema é bastante complicado, fazer o app dá trabalho, mas não é a finalidade, é quase que um meio. O desafio maior está em como alimentar o ecossistema e fazer com que as pessoas usem. E é isso! Tem alguma dúvida, sugestão ou comentário sobre o assunto? Deixe sua contribuição abaixo.