Concrete Logo
Hamburger button

Como foi o Agile Trends 2015?

  • Blog
  • 3 de Maio de 2015
Share

No último final de semana rolou em São Paulo o Agile Trends 2015, um dos maiores eventos voltados a métodos ágeis do Brasil. Nós da Concrete Solutions somos tradicionalmente participantes da comunidade ágil e sempre tivemos presentes. Esse ano decidimos aumentar nossa participação levando todos os nossos Product Owners, além do Victor Lima para uma talk sobre Customer & Product Discovery em mobile e do Fernando de la Riva como mediador do painel sobre “Contratação ágil”.

Para contar como foi o evento, convoquei os nossos POs (Erivelton Lazarini, Harrisson Souza, Rafael Auday, Rogério Martins e Viviane Martins) e pedi que eles falassem o que acharam e quais as talks que mais gostaram. Em geral, todos eles citaram o networking e integração como o principal benefício do evento. Como crítica, apontaram o formato. Em geral, o Agile Trends propõe duas talks de 18 minutos seguidas por uma rodada de discussões entre o público e os palestrantes, também de 18 minutos. Para nossos POs, para grande parte das talks o tempo foi curto, considerando os temas propostos. Exceção para os keynotes e sessões especiais, que contaram com um tempo maior, de 50 minutos.

Suicídio por inteligência artificial

Vamos à análise do evento em si. O primeiro dia começou com o keynote “”, de Luli Radfahrer, uma das falas que mais interessou ao Rafael Auday. Segundo Rafael, o que ele gostou foi a forma como o professor da USP abordou o assunto, mostrando uma forma diferente de pensar sobre a inteligência artificial e seu poder.

Segundo Rogerio Martins, o professor mostrou porque a inteligência artificial já é uma realidade que nós, muitas vezes, nem percebemos por meio de alusões e muitas cenas dos filmes Trancendence, Matrix, 2001: Uma Odisséia no Espaço e O Exterminador do Futuro. Tanto Rogerio Martins quanto Rafael Auday perceberam, com o keynote, a grande responsabilidade dos profissionais de tecnologia na concepção de novos softwares e produtos digitais neste contexto. Erivelton Lazarini só sentiu falta de uma relação entre o tema da palestra e o tema geral do evento (ágil).

PúblicoAgileTrends

Evento lotado! Sala principal durante a palestra de Luli Radfahrer.

Trend Talks 1

Após o Keynote, o público se dividiu em três salas para as trend talks que viriam a seguir. Em uma das salas, Victor Lima falou sobre Customer e Product Discovery e dividiu o palco com Marco Migliavacca, que falou sobre negócios baseados em tecnologia. Na opinião de Harrisson Souza, Victor Lima conseguiu cobrir de ponta a ponta todos os requisitos necesssários para o Discovery e deixou claro que o foco é entrar na cabeça das pessoas para descobrir a proposta de solução, além de ter o software funcionando na mão dos usuários para maximizar essas descobertas.

VictorLimaAgileTrends

Victor Lima falando sobre Product e Customer Discovery em Mobile.

Rogerio Martins e Rafael Auday preferiram assistir à talk sobre Ágil Distribuído, com curadoria de Rafael Prikladnicki e que tinha por objetivo mostrar os problemas de se trabalhar com times remotos. Rafael gostou de ver os processos usados por diferentes empresas e Rogerio observou que as apresentações deixaram claro que ainda não temos solução para o problema. Segundo ele, o calcanhar de Aquiles de todas as empresas neste quesito é o mesmo: a comunicação. Ferramentas como vídeo conferência, hangout, Skype, telefone e e-mail foram citadas como opção, mas mesmo com elas os times remotos não conseguem a mesma fluidez de um time que trabalha junto fisicamente. Para Rogerio, o melhor caminho é abrir o máximo de canais de comunicação possível e tentar realizar encontros periódicos pelo menos em cada marco importante do projeto.

Viviane Martins estava na terceira sala, onde o assunto era “Arquitetura de Software Ágil”. Segundo ela, o contraste de realidade e ponto de vista dos palestrantes contribuiu muito para tornar o painel interessante. De um lado estava Daniel Curki e seu “Time de um homem só” falando sobre como é possível fazer produtos digitais que funcionam com recursos limitados. Do outro, Breno Barros falou sobre como trazer para o mindset de “fábrica de software” práticas de agilidade que podem contribuir para entregar produtos melhores.

Viviane conversou com o Daniel ao final da apresentação dele para perguntar como ele prioriza os incrementos que ele traz para o produto alternando entre os papéis de PO e desenvolvedor. A resposta foi surpreendente: isso não representa uma dificuldade de fato. O palestrante questiona quem não gostaria de ter no seu time um desenvolvedor com visão e contexto do produto que lhe permitam discutir e propor, por meio de um protótipo e até de software rodando, funcionalidades que trazem valor para o negócio?

Breno Barros, por sua vez, expôs um modelo que consiste em envolver o arquiteto de software dedicado desde o início da construção do backlog e validar as escolhas de arquitetura a cada ciclo, garantindo o alinhamento aos objetivos de negócio. Viviane, particularmente, comenta que prefere um modelo mais horizontal, com o conhecimento partilhado por todo o time. Entretanto, para ela a tática parece funcionar para o contexto do palestrante.

Extra Session

Após o almoço, foi a vez de Fernando de la Riva mediar o painel “Contratação Ágil”, que foi muito além disso. O debate entre Ricardo Caram, da RDI, Alberto Delgado, da Rede, e Marco Migliavacca, da RBS, foi bastante rico e trouxe diversas experiências sobre a prática real de desenvolvimento ágil em três setores diferentes: alimentação (a RDI desenvolve para a rede McDonald’s), bancos (Itaú) e mídia (RBS). Foi bastante interessante observar como os desafios e as técnicas convergem entre todos os que trabalham na área.

Fernando2AgileTrends

Participantes do Painel sobre “Contratação Ágil”. Da esquerda para a direita: Fernando de la Riva, Marco Migliavacca, Ricardo Caram e Alberto Delgado.

Neste mesmo período, Viviane, Rogerio e Erivelton assistiram à sessão “Direto ao ponto: Criando e Evoluindo o MVP”, com Paulo Caroli. Rogerio e Erivelton acharam a apresentação bem dinâmica, mas que faltou tempo para exploração do conteúdo. Rogerio explicou que o palestrante explorou a dinâmica de criação e evolução de um MVP em uma semana envolvendo todos os stakeholders do projeto, grandes insights e boas atividades. Ele discorda de alguns pontos, como a criação de personas com base nos arquétipos conhecidos e do próprio canvas de MVP, que sugere um roadmap de um produto que não foi testado nem pelos usuários nem pelo mercado, mas avaliou como ótima a apresentação, com práticas que podem ser aplicadas em diversos projetos. Erivelton disse que a falta de um tempo maior deixou algumas dúvidas, como lidar com alguns obstáculos que acontecem ao longo do processo, por exemplo.

Segundo Viviane, por ser parte do cotidiano de um PO eles acabam esquecendo de questionar a forma como fazem o MVP, por isso o tema dessa palestra chamou a atenção. Para ela, a palestra cumpriu o papel de explicar o que é e o que não é o MVP, dando o passo a passo de como fazer o produto mínimo viável em um mundo ideal e trazendo uma coleção de dinâmicas que podem e devem ser trazidas para o dia a dia dos produtos. Entretanto, dois aspectos negativos chamaram a atenção: como proceder fora das condições ideiais e ainda assim conceber bons produtos e quando envolver o consumidor no processo.

Trend Talks 2

Em seguida, Rogerio e Viviane participaram da talk entitulada “Análise de Negócios”, que teve curadoria de Luiz Parzianello. Rogerio achou as apresentações um pouco dispersas. Enquanto Marcelo Neves trouxe uma visão do Analista de Negócios no projeto, Paulo Buzin focou nas boas práticas trazidas pelo PMI em suas publicações. De qualquer forma, ambos concordam que o alinhamento da área de negócios com o time de desenvolvimento é um dos principais fatores de desacordo na criação de um produto digital e que qualquer projeto está fadado ao fracasso sem o valor percebido pelo cliente ou usuário do sistema.

Para Viviane, dezoito minutos não foram suficientes para discutir um tema tão amplo. Sobre a fala de Buzin, Viviane destaca que foi inusitado ver conceitos tão antagônicos no mesmo título (“Tendências em análise de negócios e agile na gestão do portfólio de projetos”). Segundo ela a palestra mostrou que, mais para Lamarck do que para Darwin, as tendências não se tratam de evolução, mas uma tentativa de adaptação a ambientes cada vez menos compatíveis com metodologias tradicionais.

Trend Talks 3

Depois do coffee break, Rogerio assistiu à talk “Kanban, Gestão Visual e Tangebilização”, na qual Rodrigo Yoshima e Henrique Bastos se “degladiaram” (nas palavras de Rogério) no palco com suas análises. Yoshima trouxe maneiras de medir o custo que acarretam os atrasos nos projetos, todas envolvendo a comparação entre duas abordagens diferentes ou entre priorizar um ou outro projeto dentro de um portifólio. Rogerio achou as soluções um pouco etéreas demais. Na segunda talk, Henrique Bastos defendeu a transparência financeira no trabalho de desenvolvimento, mostrando ao time envolvido os custos de cada tarefa priorizada em determinado projeto. O palestrante também apresentou métricas para se medir financeiramente o impacto de usar outra abordagem e como essa transparência pode reduzir os custos de desenvolvimento, tornando o time mais engajado na geração de valor.

IMG-20150425-WA0039

Nossos POs! Da esquerda para a direita: Federico Maier, Rogerio Martins, Mariana Lobato, Harrisson Souza, Viviane Martins e Erivelton Lazarini. (Faltou o Rafael Auday =/)

Segundo dia

Para começar o sábado, Rogerio participou da talk “Agile UX”, com Natália Arsand e Pedro Belleza. Segundo ele, novamente o tempo foi curto para as apresentações. Enquanto Arsand passou por temas como atenção, interação e percepção até chegar ao modelo mental, envolvendo psicologia e o desenvolvimento de software, Belleza abordou as diversas disciplinas que envolvem a experiência do usuário, desde pesquisadores até designers visuais.

Enquanto isso, Viviane assistia às talks “Agilidade além do mundo do software”, com João Paulo Novais, e “Lean Security: a segurança digital também pode ser lean e agile”, com Diego Mariano. Viviane observou que, segundo as palestras, o governo e as instituições financeiras não são sinônimos de conservadorismo. Ambos os palestrantes descreveram inciativas bem sucedidas no Serpro, com células de aprendizado e mentoria ágil fora dos departamentos de TI, e no Itaú, onde iniciativas lean de empresas como Google e Facebook têm inspirado a adoção de novas práticas até nos setores mais críticos, como o de segurança.

Harrisson, por sua vez, assistiu à sessão extra “SIMPLe: definindo um produto com foco no problema”, com Rafael Sabbagh e Marcos Garrido. Segundo ele, os palestrantes conseguiram exemplificar bem como chegar à especificação do produto a partir de uma experiência real por meio de uma dinâmica envolvendo o público. Os participantes puderam elencar duas ou três hipóteses de necessidades que serviriam ao contexto e priorizar o que era mais importante para o negócio, elencar uma métrica para atingir e validar a real solução para um problema, sugerindo algumas features. Tudo isso com um quadro, caneta e muitos post-its.

Trend Talks 4

Para finalizar, Rogerio assistiu às talks sobre Qualidade e Teste de Software, com Aldo Munhoz e Diego Asfora. Segundo ele, ambos levaram ao encontro um  pouco do mundo dos analistas de qualidade e como eles trabalham em diferentes tipos de organização. Enquanto Munhoz focou em mostrar as responsabilidades dos times de QA e as razões de investimentos em qualidade, Asfora levou uma visão mais integrada, com o profissional de QA dentro do time de desenvolvimento e participando de todos os momentos do projeto. Asfora valorizou a integração entre o time a participação dos diversos papéis com iguais responsabilidades em busca do objetivo comum.

Fim!

Ufa! Apesar de não termos uma análise de todas as talks deu pra perceber que o Agile Trens 2015 foi bastante produtivo, não? Harrisson destacou que pôde perceber diversas técnicas para construção inicial de um produto. Para ele, foi importante avaliar a importância de sair do prédio e falar com pessoas para gerar mais eficiência, assim como reduzir o ciclo de feedback de aprendizado, tornando-o veloz e mais assertivo.

Rogerio, por sua vez, destaca que aqui na Concrete os POs acabam se dedicando à integração de seus times, ao andamento dos projetos e às entregas periódicas de valor e pouco compartilham experiências entre si. Para ele, comumente os POs se deparam com situações adversas e percalços nos projetos e a troca de experiências ajudou bastante a colocar alguns denominadores comuns e balizar práticas que funcionam.

E você? Participou do evento? O que achou? Deixe sua contribuição abaixo e até 2016!