Concrete Logo
Hamburger button

Direto ao ponto, um ponto de partida

  • Blog
  • 27 de Maio de 2015
Share

No último Agile Trends, um dos paineis que mais gerou expectativa foi o apresentado por Paulo Caroli, com o título “Direto ao ponto: criando e evoluindo o MVP”. No post “Como foi o Agile Trends 2015”, eu disse que a palestra valia um post à parte. Então, aqui está:

Em 50 minutos, o autor procurou nivelar o conhecimento dos participantes sobre o processo de definição de produto e como o MVP emerge, ou deveria emergir, desse processo. O guia rápido de Inception e a coleção de dinâmicas disponibilizadas no livro podem ser muito úteis na descoberta e desenvolvimento ágil de produtos. Vale a pena conferir.

Para quem perdeu a palestra ou não teve acesso ao livro, um breve resumo e minha análise sobre os principais pontos apresentados:

A Inception Enxuta

De acordo com o formato abordado, uma semana de trabalho colaborativo deveria ser suficiente para que a equipe compreenda objetivos, principais usuários e funcionalidades em nível alto o suficiente para definir e estimar estratégia de concepção e o tempo para lançamento do MVP .

O workshop de inception deve contar com a participação de 10 a 25 stakeholders e membros ativos, sendo que a participação dos stakeholders é imprescindivel pelo menos no kickoff e apresentação dos resultados obtidos. A interação face a face e a prática de anotar à mão em post-its, flipcharts e cartões também são indispensáveis para o foco e o engajamento. Além disso, manter a sala reservada para todo o período é uma boa prática, pois reduz o risco de perda de informação e necessidade de documentação prematura.

Abaixo, algumas dinâmicas utilizadas que valem a pena copiar e dar o crédito, obviamente:

Visão de produto colaborativa: a sugestão aqui é usar o modelo elevator pitch do Crossing the Chasm (Crossing the Chasm: Marketing and Selling High-Tech Products to Mainstream Customers, de Geoffrey Moore) pedindo que cada participante ou grupo de participantes preencha as lacunas e obtenha um consenso iterativamente.

É – Não é – Faz – Não faz: essa é outra atividade que é tão útil quanto simples. A matriz cujos rótulos dão nome à dinâmica é um convite para que os participantes consolidem o entendimento sobre os objetivos do produto, além de uma boa forma de identificar se o produto é aderente aos objetivos do negócio, da empresa e das pessoas que vão desenvolvê-lo. Aqui, leva o crédito Raphael Sabagh.

Mapa de Empatia com foco em Personas: O modelo usado pode ser esse aqui, usado pela Cooper e, conforme o produto e o facilitador, podem ser trazidas mais informações como uma narrativa, por exemplo. Consiste em pedir que os participantes identifiquem as características de algumas representações de usuários que serão utilizadas para descrever as jornadas de usuário.

Para o planejamento das atividades da semana, o autor disponibiliza 2 templates que costuma utilizar (aqui e aqui). Eles dão conta de todas as etapas necessárias para a concepção do produto.

Seguindo esse programa detalhado com as dinâmicas propostas, não tem como errar. Certo?

Não é bem esse o ponto

“Criando e Evoluindo o MVP”  foca bastante  na receita, no formato. A começar pela própria definição de MVP que poderia ser um pouco mais ampla. A partir dos exemplos apresentados, podemos levar o cliente à compreensão equivocada de que o produto final é, necessariamente, “maior” que o MVP. O foco do MVP deve estar na função mais do que na forma.

Alguns ingredientes da técnica apresentada são caros e raros em nosso quotidiano de desenvolvimento de produto. Sobre colocar stakeholders e membros do time em um workshop na mesma sala por uma semana, o custo de agenda pode ser proibitivo. Pense em manter juntos alguns dos stakeholders do Tidal, por exemplo: seria o workshop de inception mais caro do Universo. Brincadeiras à parte, reunir as partes interessadas, garantir uma sala por tanto tempo disponível, ter o time antes de iniciar o desenvolvimento e, em tempo, definir quem paga essa conta, são pontos a ser considerados.

A descoberta de personas também merece mais atenção. Fugir de estereótipos e, tanto quanto possível, encontrá-las a partir de fontes de pesquisa e exemplos reais é fundamental.

Mas o ponto principal de divergência, para mim, são as muitas versões do MVP e o trabalho intenso sem contato com o mundo exterior. Isso me lembra as primeiras linhas de Inspired, em que o autor, Marty Cagan, descreve como conseguiu trabalhar com muitos recursos, gente talentosa e ainda assim construir um produto que as pessoas não queriam.

Mais importante do que estimar o tempo e as ondas de lançamento ao fim da semana, produzindo um farto estoque de melhores hipóteses para até 6 versões, é pensar como e quando validar seu produto com usuários reais. Isso deve acontecer sempre e o quanto antes. O como e os porquês podem ser conferidos em um post recente aqui no blog.

Você pode seguir uma boa receita à risca e não funcionar, assim como também pode ajudar a fazer produtos excelentes com bem menos recursos. Até à Inception Enxuta descrita aqui podemos aplicar o conceito de MVP, reduzindo-a ao essencial. Por que não?

Assistiu à palestra e teve outras impressões? Concorde, discorde, compartilhe conosco aqui embaixo.