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O que rolou no WWDC 2015?

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  • 16 de Junho de 2015
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Na semana passada, entre 8 e 12 de junho, aconteceu em São Francisco a conferência anual da Apple direcionada para desenvolvedores, o WWDC. É neste evento que as novas tecnologias e tendências da empresa são anunciados em primeira mão para o público. Este ano, desenvolvedores de mais de 70 países foram até Moscone Center para conhecer as muitas novidades anunciadas e participar da cerimônia, e a Apple providenciou também live streaming do keynote e de mais 37 sessões para quem quisesse acompanhar de casa.

Entrada do WWDC 2015, foto de Jonas Tomaz.

Entrada do WWDC 2015, foto de Jonas Tomaz.

O evento teve três grandes lançamentos: a nova versão do OSX El Capitan (disponível de graça para todos os usuários de Mac), a versão 9 do iOS e os novos aplicativos que agora fazem parte do sistema (News e Wallet, por exemplo). Outro anúncio que merece destaque foi o novo sistema operacional específico para os smartwatches, chamado de WatchOS.

Alguns números interessantes também foram anunciados, como por exemplo a taxa de adoção do OSX Yosemite, que foi de 55% em 8 meses. Comparativamente, o Windows 8.1 está com uma taxa de adoção de 7% no mesmo período, enquanto a taxa de adoção do iOS8 é de 80% após 10 meses do lançamento. O Android 5 (Lollipop), por sua vez, ainda está com uma adoção de 12% desde que foi lançado, de acordo com a Apple.

A experiência do usuário foi o foco

A maior parte dos avanços foram focados na experiência do usuário. A ideia da Apple é melhorar os casos de uso dos usuários nas três plataformas: no El Capitan, por exemplo, existe um novo modelo de gerenciamento de janela, melhores buscas via spotlight e aumento de performance, tanto na mudança de contexto entre apps quanto o tempo de abertura de um novo app.

El Capitan Mac Magazine

Gerenciamento de janelas do El Capitan, foto da Mac Magazine

Em muitos casos, a solução permeou outros dispositivos. O caso do gerenciador de janelas, por exemplo, permite uma experiência com mais de duas janelas abertas enquanto o usuário está usando o seu iPad. Além disso, outros aplicativos ganharam novas funcionalidades, como o Notes, que agora permite um conteúdo mais rico, e soluções similares ao Mail e o Mission Control.

A briga pelo campo de busca

Outra intenção ficou muito clara: estamos no meio de uma segunda fase da briga pelo campo de busca. Durante os seus anúncios, a Apple mostrou como todo e qualquer campo de busca existente dentro de seus aplicativos ou sistemas operacionais agora está mais inteligente e integrado. O spotlight no El Capitan permite pesquisas como “San Fracisco Giants”, que retornam datas de jogos e resultado do último jogo, por exemplo. Buscas por “weather friday” já reconhece e busca o clima na sexta-feira na cidade aonde você está com o seu Mac. Mas o mais importante é que o spotlight consegue entender e agir baseado em linguagem natural. Por exemplo: “slides from Brian” encontra os arquivos de apresentações do Brian no seu Mac, assim como buscas do tipo “slides from Brian about El Capitan” são ainda mais precisas.

O aplicativo de e-mail também permite buscas avançadas baseadas em linguagem natural: “e-mails I ignored from Phil” retorna a lista de e-mails que eu ainda não respondi para o Phil. O Finder também permite agora uma busca baseada em linguagem natural para encontrar arquivos no seu computador de forma mais fácil. Por exemplo: “documents I worked on last June” vai me trazer a lista de arquivos que eu trabalhei nesse mês.

Melhorias no campo de busca, foto do site iPod School

Melhorias no campo de busca, foto do site iPod School

No iOS, a Siri já sugere aplicativos que você pode querer abrir com base nos seus dados de uso, além de sugerir contatos com base nas pessoas para quem você mais liga, lugares e notícias que podem te interessar. É possível buscar qualquer termo nos calendários, em sites de vídeos populares (Youtube, Vevo, iTunes Store), em seus álbuns de foto, etc. Se você buscar “show my karaoke photos of Eddy”, a Siri retorna as fotos daquela pessoa naquele contexto no seu álbum. Também foi lançada uma API que permite a indexação de conteúdo dentro dos aplicativos. Basta o desenvolvedor fornecer o conteúdo específico para essa API que ela passa a ser “buscável”.

No entanto, é aqui que a coisa começa a ficar bem direcionada ao Google. Enquanto o Google puxa as suas informações para a sua inteligência na nuvem, a Apple seguiu um caminho oposto: garantir que o conteúdo é indexado apenas no seu dispositivo. A empresa fez questão de deixar claro que o usuário tem controle total dos seus dados e que a Apple não tem interesse em vendê-los para anunciantes em potencial. Se um conteúdo for marcado como público por muitos usuários, então o iOS vai indexar esse conteúdo nos seus datacenters e torná-lo acessível para mais pessoas. É uma mudança de paradigma, que direciona questões de privacidade e venda de suas informações por outros grandes players na internet.

Preocupação da Apple com seus dados, foto do site The Verge

Preocupação da Apple com seus dados, foto do site The Verge

Por último, a Apple anunciou que está indexando a internet com bots já há algum tempo e que agora ela também consegue sugerir resultados de buscas baseados em crawlers que vão indexando as informações disponíveis em sites na internet. A briga pelo campo de busca parecia terminada, mas a Apple está tentando se posicionar nesse território novamente.

O assistente proativo, a Siri

A Siri atingiu a marca surpreendente de 1 bilhão de requests por semana, e a Apple anunciou melhoras na sua capacidade de compreender palavras e construções mais complexas, além do contexto. Com as novas APIs de busca começamos a trazer inteligência para dentro dos apps, nos quais buscas contextualizadas com linguagem natural como “show me photos from Utah last August” traz o aplicativo de Photos com as fotos que são resultados dessa busca.

O posicionamento é que a Siri, como uma boa assistente, deveria ser cada vez mais proativa e conseguir antecipar os seus próximos passos. Agora, são possíveis buscas que entendem o contexto do app em que você está. Por exemplo, você está vendo uma página na web no Safari. Você pode fazer o seguinte pedido para a Siri: “remind me of this when I get home”, e a Siri vai criar um lembrete para você com o link específico para aquela página.

Siri men sxp

Siri, foto do site Men SXP.

Ela também passa a entender o contexto sobre o seu dia a dia. Se você está saindo para correr pela manhã e pluga o fone de ouvido, por exemplo, a Siri toca a sua playlist, assim como quando você está lendo um e-mail que sugere um compromisso no calendário ela já cria esse compromisso automaticamente, além de te avisar que é hora de sair para esse compromisso levando em consideração o endereço e local onde você se encontra. A Siri também consegue entender telefones que você recebeu via e-mail (digamos que está em um footer de contato de um cliente) e sugerir a identificação daquela pessoa quando aquele número te ligar, caso você ainda não tenha adicionado à lista de contatos.

Apple Pay

O Apple Pay vai estar disponível no Reino Unido até julho, com mais lojas participantes. O Square anunciou também um novo “dongle” com o qual empresas pequenas podem receber pagamentos com Apple Pay. Outra novidade interessante é que agora pagamentos via Apple Pay poderão ser feitos dentro dos apps, ou seja, aplicativos de comércio eletrônico vão poder aceitar. Esse pode ser um passo bem significativo para a evolução no processo de checkout tradicional em mobile. Imagine uma compra na qual após escolher os itens você só precisa escolher o endereço de entrega e confirmar o pagamento? Por conta dessas mudanças o aplicativo de Passbook passou a se chamar Wallet. Fica bem claro que o cenário está montado para uma disputa acirrada entre o Google Pay e o Apple Pay nos próximos anos.

Novidades da Apple Pay, foto do site Bostinno.

Novidades da Apple Pay, foto do site Bostinno.

Apple Music

Segundo um artigo essa semana da The Economist, a quantidade de receita feita com a venda de músicas pela internet, como o modelo iTunes, por exemplo, vem perdendo espaço para o modelo de “aluguel de música”, ou serviços de streaming nos quais o usuário não é dono da música, mas paga uma taxa mensal para poder consumir quantas músicas ele quiser quantas vezes achar necessário.

Para entrar nesse mercado, a Apple anunciou o Apple Music, em parceria com Jimmy Iovine, um dos colaboradores do disco “Wall and Bridges”, do John Lennon, e coincidentemente um dos sócios da Beats, junto com o rapper Dr. Dre. O Apple Music é feito de três grandes iniciativas: um streaming de música de qualidade, rádio disponível 24 horas por dia, 7 dias por semana para todos no planeta e o Connect, que é uma plataforma na qual os artistas conseguem se manifestar online (fotos, vídeos, perfis, mensagens) e se conectar com os fãs.

Apple Music, foto do site Tech Tudo.

Apple Music, foto do site Tech Tudo.

A Apple já revolucionou o mercado de música anteriormente, com o iPod e o modelo de compra de músicas apresentado pelo iTunes. Agora, a gigante está atacando serviços de streaming como o Spotify, rdio, Pandora e soluções adhoc, como playlists de vídeos no Youtube ou Vevo. Vale lembrar que a Apple tem se mostrado especialmente boa em criar, sustentar e expandir um ecossistema: ela fez isso com desenvolvedores em torno do iOS, e vai tentar fazer o mesmo com músicos e fãs ao redor da Apple Music. Com curadoria de conteúdo e muito bom gosto à base de sotaque britânico, ela pretende resolver o problema de apresentar música boa para milhões de ouvintes simultaneamente.

O mercado reagiu rapidamente ao anúncio e o Spotify acabou arrecadando 500 milhões de dólares em investimento para se preparar para a batalha que está começando a ser travada. Empresas como SoundCloud também vão enfrentar competição direta desse novo serviço. Vale lembrar que poucos meses atrás a Apple fechou acordos com grandes gravadoras para obter os direitos de diversos artistas.

O relógio, agora mais esperto

Com o lançamento do WatchOS, agora são possíveis diversos avanços na experiência do usuário do Watch. Os aplicativos rodando no relógio poderão acessar a internet e se tornar menos dependentes do celular no bolso do dono, por exemplo, e o Watch consegue obter acesso direto aos wi-fi que já são conhecidos pelo celular, coisa que já é possível de ser feita com o moto 360 por exemplo. Essa novidade permite mais flexibilidade para o que é possível fazer no Watch.

watch tech radar

Apple Watch, foto do Tech Radar

Complicações (um nome no mínimo curioso para se usar em um produto da Apple) passam a ser disponíveis, como acesso às informações como batimentos cardíacos em tempo real. O watch também vai permitir que novos aplicativos sejam desenvolvidos em cima desses sensores. Outro ponto interessante é a habilidade para acessar o microfone de dentro de aplicativos no watch, o que permite que a interação seja muito mais fluida e específica para um dispositivo tão pequeno.

Swift

Durante o evento a Apple ainda apresentou o Swift 2, com uma nova lista de funcionalidades. Dá para perceber que o time da Apple está trabalhando pesado para garantir que a linguagem esteja o mais madura possível para o desenvolvimento. Um ponto estratégico foi o anúncio de que o Swift agora é open source, ou seja, a linguagem poderá ser portada para outras plataformas, como Linux e Windows, e possivelmente ser usada para desenvolvimento no back end, uma vantagem talvez que poucas linguagens além do Java possuem.

A Swift agora é open source! Foto do site Venture Beat.

A Swift agora é open source! Foto do site Venture Beat.

A Swift é um posicionamento ousado da Apple para atacar o que pode ser chamado da “experiência do desenvolvedor” e para permitir com que novas pessoas sem background de desenvolvimento consigam implementar as suas ideias e lançá-las para o mundo.

Faltou alguma coisa ou que comentar alguma das novidades? Fique à vontade para aproveitar o campo abaixo. Até 2016!

E é isso! Foto do Huffington Post.

E é isso! Foto do Huffington Post.