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Depois de um mês usando um Apple Watch…

  • Blog
  • 11 de Agosto de 2015
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A primeira vez que eu usei um smartwatch foi um Moto 360, logo quando saiu. Aqui na Concrete Solutions muitas pessoas acabaram comprando esses e outros modelos, e nós já falamos alguma coisa sobre o uso deles neste post. Recentemente, a Apple lançou oficialmente o seu relógio inteligente, chamado de Apple Watch, e claro que vários fãs da empresa correram atrás do dispositivo. Eu comprei o relógio há um mês, e decidi compartilhar aqui o meu ponto de vista depois desse tempo de uso.

Mostrar não é usar. E sim, ele faz mais do que isso…

O primeiro ponto a ser observado sobre o Apple Watch e os smartwatchews em geral é que são dispositivos desenhados par amudar seu hábito de uso e a sua relação com os smartphones. A ideia é que a interação com eles fica melhor conforme você simplesmente esquece que está usando um pedaço de tecnologia no pulso e começa a interagir de forma não intrusiva.

Isso implica em um problema: todos querem “testar” o watch quando o vêem pela primeira vez. Depois de algum tempo, o dono de um já começa a ter um “mini tour” ensaiado, no qual (no meu caso) eu primeiro mostro as watch faces e como elas podem ser customizadas.

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Depois eu passo para uma interação com a taptic engine, na qual eu peço para meu interlocutor usar o relógio no pulso e sentir como uma notificação é percebida, por exemplo, quando alguém envia uma mensagem no Whatsapp para o telefone.

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Nós sentimos um leve toque na parte superior do pulso, e o movimento de levantar o braço para olhar a tela do relógio faz com que a notificação seja visualizada, em dois estágios. Então, o usuário pode decidir interagir com ela (ou não). Outro aspecto relevante que geralmente mostro é a capacidade de receber e fazer ligações pelo Watch, e insisto em mostrar que você não precisa ficar com o pulso grudado no ouvido para conseguir falar ou ouvir a ligação.

A partir daí, mostro alguns apps que entendo como casos de uso relevantes e pronto, termina o tour. A impressão da maioria das pessoas é que se trata de um relógio bem bonito, mas caro, e que apesar de agregar valor não vale o investimento necessariamente.

O ponto é que o dispositivo ou qualquer tecnologia que “viva no seu pulso” é feita para ser usada sem ser percebida em primeira instância.Você só consegue efetivamente ver o valor de ter um dispositivo como esse no seu pulso quando você esquece que está usando e começa a agir normalmente.

Mudança de hábito

É muito comum as pessoas tirarem os celulares do bolso diversas vezes ao longo do dia, como um hábito preemptivo, para checar se alguma novidade (ou notificação) importante aconteceu desde a última vez que olharam para ele. Com o passar do tempo e o uso do smartwatch, depois de alguns poucos dias, esse hábito começa a ser desconstruído.

Hoje, é comum o caso em que eu chego em casa ou no escritório, deixo o celular em cima de uma mesa e começo a interagir com os afazeres (domésticos ou não ;)) sem ficar “checando as coisas no celular”, pois tenho a garantia de que as interações relevantes chegarão no meu pulso. Se elas forem pertinentes ou urgentes, eu posso buscar uma experiência mais imersiva para lidar com elas. Receber ou fazer ligações telefônicas enquanto você lava louça ou está no sofá de casa longe do celular é um caso de uso extremamente útil. O mesmo pode ser dito ao receber notificações do Whatsapp ou de e-mails importantes.

Mudança de hábito: o lado negativo

Socialmente, existe um código não escrito de conduta que diz que se um dos interlocutores olhar para o relógio durante uma conversa, significa que ele está checando as horas e provavelmente está atrasado ou sem interesse no assunto, contando as horas até terminar a conversa. Esse hábito essencialmente é tido como extremamente rude por uma das partes

No entanto, quando você está usando um smartwatch ele precisa ser endereçado de forma diferente. Esse ato não necessariamente quer dizer que você não está interessado ou está atrasado, mas passa a impressão errada para seu interlocutor. Essa é a primeira barreira entre a interação no mundo físico (e com pessoas reais) e o mundo virtual.

Isso me lembra que logo quando os smartphones foram lançados as pessoas começaram a encarar o ato de ficar mexendo nos celulares como um ato mal educado e rude. Hoje, após oito anos do lançamento do iPhone, essa experiência é cada vez mais aceita pela sociedade em geral, e não necessariamente significa falta de educação ou respeito com as pessoas que estão interagindo, mas um hábito de importância social, entendido (mesmo que não aceito) por todos.

image08Saúde e tracking de atividades

O mercado já tem muitas opções de gadgets que endereçam o problema de tracking de atividades, como o Fitbit fazendo IPO ou a MiBand’s, que acaba de chegar ao Brasil com a vinda da Xiaomi. O conceito já é bem aceito e o seu valor já é percebido por diversos segmentos.

Quando você usa um pedaço de tecnologia no seu pulso e ele te ajuda a monitorar o seu progresso, alguns fatos ficam evidentes. Por exemplo, quantas vezes você fica em pé no dia e em que horários, quantas calorias vocês gastou, quanto tempo e quando você praticou exercícios no dia, e por aí vai. Essa visão, somada ao gamification que todas as ferramentas procuram exercer, faz com que o relógio seja um fonte contínua sobre os seus hábitos de saúde e, em muitos casos, um treinador. Durante a escrita desse artigo, por exemplo, o Apple Watch me mandou levantar por 1 minuto – e eu obedeci. 😉

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Se você faz algum tipo de exercício, o relógio começa a ser um adereço bem interessante, mostrando uma visão bem detalhada sobre o seu progresso.

Fato é: depois que eu comecei a usar o watch, eu aumentei continuamente a minha carga de exercícios diária. Vamos ver até quando isso dura.

Bateria, e onde está o meu gargalo

Existem diversos estudos bem mais completos do que eu poderia fazer aqui nesse post sobre a capacidade de bateria dos Apple Watches e como ela se compara com outros smartwatches. 

No meu caso, três coisas chamaram a atenção. Em primeiro lugar, a bateria recarrega extremamente rápido: em geral, menos de 1 hora para ficar full-charge, apesar de não ter cronometrado especificamente. A segunda coisa é que foram poucas as vezes em que o meu relógio chegou a desligar por falta de bateria e se tornar inútil, considerando que além de ser um objeto de design no meu pulso eu me considero um heavy-user. O terceiro ponto é que a bateria que mais fez falta para mim, de fato foi a bateria do meu celular (atualmente um iPhone 5), que tende a acabar mais rápido do que a do relógio.

Dito isso, idealmente eu gostaria de ficar com o meu relógio no pulso o tempo todo, sem ter que remover para o banho ou nas horas de sono, até para, por exemplo, poder ter a experiência do despertador tocando em meu pulso com a taptic engine. Muitas vezes eu não consigo fazer isso por ter que deixar carregando, mas espero que isso mude.

Dumbwatch vs. smartwatch e o futuro…

Conforme você vai se acostumando com a experiência de ter um dispositivo desses no seu pulso, você começa a enxergar casos de uso mais rebuscados. Atualmente, eu vejo algumas questões que inevitavelmente serão endereçadas. Uma delas é a transição entre dispositivos “espertos” (e conectados) e dispositivos “burros” (com pouca ou nenhuma conectividade). A tendência é que o smartwatch se desvencilhe do smartphone e comece a andar em direções complementares ou opostas, nas quais o smartwatch não precise do smartphone para ter conectividade. Ele poderia se conectar à internet, por exemplo, a partir de um hotspot oferecido por carros do Uber ou via wi-fi da sua empresa ou casa, independente da conectividade via bluetooth com o seu smartphone. O próprio WatchOS 2 já endereça esse tipo de caso de uso.

Outro ponto importante vai ser a conectividade do smartwatch com outros smart devices. Atualmente eu consigo controlar o som da minha casa enquanto escuto Apple Music a partir do meu pulso. Posso passar as músicas e aumentar e diminuir o volume, desde que o meu relógio esteja conectado ao meu iPhone. No entanto, eu gostaria de ser notificado (tanto no meu relógio quanto no meu celular – se for pertinente) quando a minha lavadora de roupas (da Samsung) terminar o ciclo de lavagem. Também seria interessante se eu pudesse comandá-la para começar o ciclo de secagem, ou qualquer outra variação do tema. O fato de receber, interagir e comandar diversos dispositivos ao redor de mim a partir do meu pulso parece ser bem relevante. Em última instância, comandos por voz passariam a ser mais relevantes, conforme já falamos aqui.

Outro caso de uso interessantes

1. Jogo do Flamengo

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Um dos casos mais interessantes que pode dizer muito sobre as novas formas de interação com esse tipo de tecnologia são os aplicativos que a SporTV fez em parceria com a Concrete Solutions.

 

Durante o jogo do Flamengo, sem saber que uma partida estava para começar, recebi uma notificação especial indicando o início da partida. Pelo fato de ser uma notificação premeditada pelo app, eu consigo ter uma interação muito mais rica do que com uma notificação simples. Eu levanto o braço e fico sabendo que a partida começou. Se eu clicar no ícone do Flamengo, eu abro o app do Flamengo da SporTV no Apple Watch e vejo a seguinte tela:

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​Ao clicar na área do Goiás e do Flamengo (0 x 0) eu consigo acompanhar lance a lance o que está rolando na partida.

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E, se for pertinente, posso ver o detalhe de um lance, como o gol do Flamengo por exemplo:

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Toda a experiência de uso deve durar menos do que 30 segundos, para o caso do usuário que efetivamente quer engajar com o conteúdo e ver o detalhe de um lance mostrado no app.

Quando o jogo termina eu também sou notificado e a informação mais relevante nesse momento, o resultado do jogo, é apresentado de forma rápida para o usuário:

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2. Eventos na sua agenda

Se você possui uma semana relativamente cheia, o relógio te ajuda (e muito!) a se manter on track com os seus compromissos. Uma das possibilidades é o uso dos watch faces, como o exemplo abaixo:

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Nessa watch face estão configurados, respectivamente e no sentido horário a partir do canto superior esquerdo: a temperatura no lugar aonde estou, a hora, a quantidade de bateria restante no relógio, o dia no mês e na semana de hoje, meu progresso de atividades, e no centro o meu próximo compromisso.

Tudo isso pode ser consumido pelo usuário em apenas uma olhada para o relógio. Ao clicar na informação ao centro, eu sou levado para o app de calendário e consigo ter uma visão geral do meu dia:

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Outras formas interessantes de interagir com o calendário são a forma proativa como os próximos eventos são apresentados para mim. Por exemplo o meu próximo vôo, que foi colocado em minha agenda:

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​Concluindo, estou gostando muito do uso do Apple Watch e a cada dia vendo mais valor no seu uso. Você também tem um e quer compartilhar suas experiências? Tem alguma dúvida sobre o uso? Deixe aqui embaixo seu comentário! Até a próxima.