Concrete Logo
Hamburger button

Como foi o Scrum Gathering 2015

  • Blog
  • 17 de Agosto de 2015
Share

No último final de semana, rolou no Rio de Janeiro o Scrum Gathering 2015, um dos principais eventos sobre agilidade do Brasil. O Fernando de la Riva, o Leonardo Pabon e o Victor Lima foram os palestrantes que representaram a Concrete Solutions, e eu fui como espectador. A intenção desse post é compartilhar um pouco do que rolou por lá e as minhas impressões sobre o evento. Vamos lá?

As grandes falácias da agilidade

O evento começou com os principais organizadores (Marcos Garrido, Rodrigo Toledo, Carlos Felipe e Rafael Sabbagh) falando sobre um assunto muito pertinente, que envolve alguns mitos usados como “desculpa” por algumas pessoas para não adotar ágil. Eles citaram dez falácias como as maiores da agilidade:

image00

1) PO não participa de retrospectiva: a pergunta que norteou a discussão foi “o PO faz parte do time?” Eles citaram cases de algumas experiências nas quais POs não eram colaborativos e acabavam prejudicando o processo. A conclusão é que eles devem, sim, participar das retrospectivas, pois fazem parte do time.

2) Há receita pronta para escalar: dessa vez, a pergunta inicial foi “vocês aplicam as mesmas coisas para diferentes projetos?” Os palestrantes alertaram para tomar cuidado com os frameworks que se preocupam com o processo e esquecem um pouco do produto, e finalizaram dizendo que não tem receita pronta para escalar.

3) Agile não tem documentação: a ideia desse tópico é que agile tem sim documentação, mas não demoramos dois meses só nisso. Os palestrantes relataram como exemplo a alteração de um simples label na qual o processo demorou dois meses e meio para entrar em produção por conta do processo de documentação. A ideia é ter documentação, mas que ela não atrapalhe ou burocratize o processo.

4) Auto-organização é bagunça: se você tem um mindset antigo (Taylor, Faioli) vai achar que é uma bagunça e pensar: “esse pessoal fica jogando cartas e tem autonomia para decidir, não é certo. Eu é que decido”. O Scrum traz diversos elementos que ajudam na criação de uma auto-organização, como colaboração e responsabilidade compartilhada, que faz com que a linguagem passe a ser o time. A força dentro do time é muito mais forte do que a de um chefe. Em resumo: a auto-organização é muito organizada, mas se você usar um mindset arcaico para julgar, vai achar que não é.

5) Não dá pra ser ágil no governo: a dica dos palestrantes é pensar em fazer esquemas de prazos curtos. Eles citaram as leis governamentais que regem estes contratos, dizendo que nos EUA tem um limite máximo de seis meses para um software ir ao ar e isso é lei. Já na Inglaterra está sendo aprovado o prazo de oito semanas. A lei atual brasileira, que na opinião do Rodrigo Toledo precisa ser mudada, não ajuda em nada o desenvolvimento de software ser ágil, com licitações e muitos processos burocráticos. No Brasil ainda existem muitas empresas que não dão valor a TI e dizem que o “core” da empresa não é TI. Mas a conclusão é que é plenamente possível ser ágil no governo.

6) Ágil é apenas um processo: de acordo com os palestrantes, ágil é uma cultura, um mindset, não é processo.

7) Ágil não funciona com times distribuídos: neste tópico, o tema central foi comunicação. De acordo com os palestrantes, utilizando ferramentas para auxiliar a comunicação é plenamente possível funcionar com times distribuídos.

8) Ágil é coisa de TI: como esse negócio nasceu na TI, as pessoas acham que só funciona para TI. Hoje existem muitos setores utilizando agilidade, na vida pessoal, em pesquisa e em muitos outros setores. Inclusive o evento foi organizado utilizando ágil, segundo eles.

9) Continuous delivery é só para o Google (Alphabet) ou Facebook: hoje está cada vez mais fácil entregar rápido de forma confiável, utilizando testes de fluxo de deploy automatizado. Então essa falácia cai, facilmente.

10) Ágil é só para startups: os palestrantes concluíram que ágil não é só para startups, existem grandes corporações que já usam ágil em seus processos e ainda conseguem escalar.

eXtreme eXperience, oito versões do sistema em dois dias para validar ideias

Depois do Keynote, eu fui assistir à palestra do Guilherme Bruzzi sobre um teste de usabilidade (de campo). A ideia é dar uma versão do sistema para o usuário, colher o feedback, mudar e experimentar novamente com o usuário no menor espaço de tempo possível. O teste foi criado pelo Guilherme na sua tese de conclusão de curso na UFRJ, e usa conceitos de Lean Startup para descobrir rapidamente o MVP. Ele falou bastante sobre testes A/B e testes de MVP com o usuário final.

Análise de Negócios – Papel ou Competência?

Em seguida, fui ver a palestra do Marcelo Neves. Ele explicou que a análise de negócios permite mudar o contexto organizacional com indicação de novos negócios, com o objetivo de gerar valor para a empresa. Marcelo também falou sobre agilidade e a vantagem competitiva nas empresas, e terminou falando sobre Business Agility e cada um dos seis elementos que compõem a análise de negócios: mudança, pessoas, contexto, valor, soluções e necessidades.

Estimar é crime?

Após a parada para o almoço fui ver o Juliano Ribeiro, que mostrou a diferença entre estimativa e prazo. Segundo ele, deixar de estimar pode ser bastante grave. Ele citou o modelo de Cynefin, segundo o qual todos os sistemas do universo podem ser classificados em quatro tipos: simple, complicated, complex e chaotic. Ele lembra que é preciso aceitar que a estimativa pode estar errada, afinal é “uma estimativa”. Estime sim, mas com inteligência, sabendo que a variabilidade existe e que é preciso se adaptar. Ele ainda falou sobre os tipos de estimativas: function points, history points, planning poker, t-shirt sizes, cicle time e lead time. O tema foi abordado de forma bastante leve e divertida.

Are We Really Being Agile? – Agile Patterns and Anti-Patterns

image05

Em seguida eu fui para uma palestra internacional. Richard Cheng começou falando sobre o que é Agile e citando o manifesto ágil. Depois, mostrou alguns cenários fictícios e pediu para o público julgar como ruins ou bons, classificando-os dentre os doze princípios do manifesto ágil. Foi um bom exercício. Em resumo, o palestrante disse que todas as decisões para os diversos cenários precisam ser pautadas nos princípios do manifesto ágil. Assim, os padrões ágeis estarão sempre sendo respeitados.

Como conseguimos aumentar a produtividade da equipe de desenvolvimento em 30% utilizando a metodologia Kanban?

Camille Nogueira começou explicando as fases do Kanban e falando sobre o mapeamento dos processos, WIP e gargalos, além de algumas métricas como vazão , taxa de chegada e a Lei de Little (teoria de filas). Em geral, mostrou como foi implementar o Kanban na empresa em que trabalha e o resultado, que gerou as seguintes conclusões:

– As métricas do Kanban são precisas e os prazos passaram a ser atendidos;

– Como resultado, equipe ficou motivada por entregar no prazo e aumentou a capacidade produtiva;

– O Kanban foi melhor em projetos de manutenção de software e não para desenvolvimento do zero.

Camille encerrou com a célere frase de Peter Druker: “O que não é medido não pode ser gerenciado”.

Assim, encerramos as palestras do primeiro dia do evento. Após um dia recheado de boas palestras, rolou um happy hour do evento no bar ao lado do Hotel, que promoveu networking e bons papos sobre agilidade.

Jogando para ganhar

O segundo dia, sexta-feira, começou com o keynote de Marcelo Sales, no qual ele falou um pouco sobre a história de criação da Movile e a 21212.

image02

Ele também falou sobre macroeconomia, citando o momento econômico brasileiro e como as startups são importantes para uma economia aquecida, uma vez que trazem inovação. Por fim, o assunto foi investimentos, o mercado de venture capital e como funciona o aporte de capitais e o pagamento que as empresas recebem de investidores. Em resumo, foi um overviewsobre empreendedorismo, mercado de startups, como funcionam os investimentos e insights de como buscar uma boa ideia: algo que tenha o monopólio do mercado.

It’s all about apps: a gestão ágil de aplicativos mobile

Ana Cecília Nunes falou sobre a diferença entre as plataformas operacionais dos celulares, a dependência de sistemas externos, a comunicação nas lojas, reviews e ratings, o legado das aplicações, as métricas e sobre promoção de apps (aso, ranking, destaques). Cecília destacou a importância de pensar no quanto o seu produto está fazendo parte da vida do usuário, ou seja, como estimular o engajamento. Por fim, a palestrante deixou claro que usuários ativos são mais importantes que downloads e frequência é mais importante que tempo.

Criando e testando produtos em 24h

Nesta palestra, Eduardo Insaurriaga e Romulo Tavares, da Globo.com, falaram sobre o processo de criação de produtos na empresa. Eles começaram com a questão do tempo necessário para lançar um produto e a frustração que isso pode causar caso o resultado não seja usado. Segundo eles, a meta principal é validar uma ideia de um produto em apenas 24h. Para isso, eles usam o conceito de hackdays. Os palestrantes seguiram abordando vários pontos que levam uma ideia a um possível produto, como brainstorm, validação de ideias, definição de objetivos, etc. Eles também falaram sobre como tentar descobrir se o produto será consumido, ser objetivo e buscar fazer o mais simples, usando como exemplos sempre produtos da Globo.com.

De onde vêm os bons POs

Essa palestra foi do meu colega de trabalho, Leonardo Pabon. Ele já escreveu um post aqui no Blog sobre o assunto, então se você quiser saber um pouco mais sobre o que ele falou basta dar uma olhada aqui.

image01

Ideias sobre como escalar ágil

Depois foi a vez de um dos fundadores da Concrete Solutions (meu patrão), o Fernando de la Riva falar sobre o tema da escalabilidade da estrutura ágil de desenvolvimento de software. Usando a história e as tentativas da Concrete Solutions, ele mostrou o uso de Nexus e OKR e como passamos de uma estrutura com 100 para 250 pessoas em um ano. Aqui tem um post dele, que está um pouco defasado mas mostra bastante das ideias apresentadas na palestra.

image03

Agile UX: Pensando a User Experience no mundo ágil

Em seguida, fui ouvir um pouco sobre UX com o Diogo Seffair Riker. Ele explicou sobre o uso de Design Thinking e seus princípios básicos e disse que o ponto principal para o UX é entender os costumes, hábitos e cultura dos usuários. Depois, ele falou um pouco sobre Lean UX, dizendo que o primeiro princípio é remoção de desperdício, de UX Design e de colaboração multifuncional, enfatizando a importância de trazer não designers para os processos de design. Por fim, o Diogo ainda resumiu os processos ágeis para os UX. Ele disse que se resume em brainstorming, refinamento do brainstorming e avaliação do protótipo. Depois vêm as etapas de imersão e ideação, product backlog inicial e a discussão das necessidades técnicas por parte dos desenvolvedores.

Arquétipos de stakeholders – Identificando, lidando e cooperando com stakeholders em projetos complexos

IMG_8202

Victor Lima, também da Concrete Solutions (meu chefe!), falou sobre o gerenciamento da comunicação com stakeholders de um produto, mostrando os diversos padrões de comportamento que eles costumam assumir. A palestra dele foi baseada em experiências práticas e projetos reais, e ele apresentou técnicas efetivas para lidar com os stakeholders nas diferentes situações e atingir um ponto de cooperação que seja bom para o usuário e para o produto.

The Lean Startup and Agile: Full Circle.

O terceiro e último dia do evento começou com um keynote do Stephen Forte, que faz parte do board da Scrum Alliance. Ele falou sobre os movimentos históricos que se dedicam a encontrar um padrão para as coisas e acabam se tornando um framework. Em resumo, a divertida apresentação foi sobre toda a história que culminou no aparecimento das metodologias ágeis, principalmente o Agile e o Lean Startup. No final, ele deu ênfase para a diferença de cultura e valores, e para a implementação de ágil em pequenas e em grandes empresas.

A tarde do último dia do evento foi formada por palestras realizadas pelos próprios participantes, de forma colaborativa. No chamado “Open Space”, os participantes escolhiam algum tema e sentavam em círculos para discuti-lo de forma colaborativa, apenas com um facilitador. Infelizmente, não pude participar dos Open Spaces, mas tenho relatos de amigos que participaram e disseram que foi uma experiência, diferente e enriquecedora, pois a maioria das pessoas contam casos reais de como resolveram seus problemas.

No geral, o Scrum Rio 2015 foi um excelente evento! Na minha opinião, um dos melhores do Brasil sobre agilidade. Ficou alguma dúvida, estava lá ou quer comentar algo sobre o qual não falei? Aproveite os campos abaixo! Até a próxima.