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A influência de Uber, Whatsapp, NuBank, AirBnB e outras no mercado brasileiro

  • Blog
  • 26 de Setembro de 2015
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Recentemente, a proibição do Uber pela Câmara Municipal de São Paulo colocou mais lenha em uma fogueira que vem sido discutida há algum tempo no Brasil: o movimento acelerado de entrada de empresas do Vale do Silício no mercado nacional. Uber, Whatsapp, Netflix, Spotify e AirBnb, além da brasileira Nubank e diversas outras, chegaram com o objetivo de resolver ineficiências e conquistar o público com um serviço muito bem executado, que já era oferecido em outros países e funcionava muito bem. Como bem resumiu recentemente o CEO do banco JP Morgan Jamie Dimon, “Silicon Valley is coming”.

Jamie Dimon (CEO do JP Morgan): "Silicon Valley is coming"

Jamie Dimon (CEO do JP Morgan): “Silicon Valley is coming”

A questão é que, aqui no Brasil, essas startups esbarram no “capitalismo de laços brasileiro”, ou seja, na relação de dependência entre o governo e o empresariado. É essa relação que “protege” a nossa economia, que é a mais fechada do G20, de acordo com a Câmara Internacional do Comércio. Nossa taxa de abertura está na ordem de 23%, abaixo dos países do BRICs, Chile e México, por exemplo. Mesmo com a alta taxa tributária no País, essas empresas chegam com grande competitividade por oferecerem melhores opções ao consumidor.

Gráfico: G1

Gráfico: G1

Tudo isso começou com o próprio Google e o setor de mídia. Enquanto antes usávamos a TV, o rádio e os jornais impressos para nos informar, hoje em dia basta uma pesquisa no Google para ter qualquer informação de forma rápida, completa e eficiente. O Twitter também contribui para essa mudança. Antes, era preciso ir até uma banca de jornal, verificar as manchetes e comprar um exemplar que fosse do seu interesse. Hoje, basta um clique nessa manchete e a informação está a seu alcance, gratuitamente. Ainda no setor de mídia, mais recentemente, o Netflix abalou a estrutura de grandes produtoras e empresas de TV oferecendo um conteúdo rico e melhor produzido por um preço bem menor, e o Spotify chegou oferecendo um catálogo impressionante de músicas por um preço bem mais acessível do que o da indústria fonográfica, que já estava abalada com a possibilidade de downloads de mp3.

Recentemente, os mais polêmicos. Com o Whatsapp, você não precisa mais gastar com envios de SMS e ligações, o que gerou reclamações das operadoras de telefonia. O AirBnB já está causando alguns prejuízos aos mantenedores de hotéis e pousadas. O Uber desestabilizou o mercado de táxis e ainda está gerando muitos protestos, reclamações e discussões nas Câmaras de Vereadores. E, por fim, os investimentos estrangeiros na brasileira NuBank prometem transparência, custos menores e a possibilidade de resolver qualquer pendência de banco pela internet.

Foto: www.euimportador.com

Foto: www.euimportador.com

Quem ganha nessa briga entre o capitalismo de laços brasileiro e o Vale do Silício? Aposto minhas fichas em quem tem a melhor arma: o consumidor. A população brasileira já está percebendo os benefícios do uso dessas novas ferramentas, e a tendência é que o uso e conhecimento sobre elas aumente cada vez mais, uma vez que o uso do smartphone e da Internet, que é o que possibilita esses novos negócios, só aumenta (ainda bem).

Para o Brasil corporativo existem algumas reações para a disrupção. Uma delas é acreditar que o problema é só o custo Brasil e insistir em usar Brasília para impor aos novos entrantes a mesma “canga” regulatória que eles levam. Outra hipótese é que este é um problema complexo no qual existe uma ineficiência causada pelo excesso de fechamento da economia e interferência no processo de autolimpeza do mercado. Este tema pode ser resolvido com aquisições, mas os poucos ativos disponíveis vão ser caros levando o retorno que era do acionista brasileiro para o investidor de capital de risco americano.

uber

Minha conclusão, portanto, é que a solução viável é abraçar a disrupção e esquecer o pacto de mediocridade imposto pelo capitalismo de laços. Devemos fazer uma engenharia reversa do Vale do Silício e apostar na implantação de uma cultura de execução digital baseada nele. Deixar o setor de Venture Capital brasileiro criar algumas opções de aquisição locais, mas principalmente focar em uma estratégia de execução digital focada no nexus cultural do Vale, com agilidade, gestão de produtos Lean, culturas autogeridas e autoorganizadas baseada em dados e, principalmente, meritocracias digitais. Ou seja, o mercado de tecnologia brasileiro precisa se inspirar no Vale do Silício e focar em oferecer melhores serviços ao consumidor para enfrentar de frente a concorrência do próprio Vale.