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Eu era a única designer da sala…

  • Blog
  • 12 de Outubro de 2015
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*Post originalmente publicado no blog pessoal da autora. Acesse aqui.

“(…) Amadores focam em olhar o design no Photoshop e copiar na página. Profissionais focam em experiências web acessíveis, semânticas e portáveis, nas quais o design tem um papel decorativo.”

Eu li a linda frase acima no material de um curso que eu fiz. A escola é muito boa, eu gostei muito do professor e dos meus colegas (maioria maciça de devs 🙂 ). E eu era a única designer da sala.

É complicado estar cercada de pessoas que acreditam que design é para “fazer o bonito”, ou que é um supérfluo sem muito valor, ou que é frescura… E daqueles que confundem design com arte.

Design, além de forma, é função. O trabalho precisa ser realizado de uma maneira que o público reconheça e entenda rapidamente. Geralmente, os projetos precisam repercutir em grande escala. E é aqui que ele se diferencia da arte. O design deve trazer soluções e resolver problemas, afinal o designer projeta. Não deve o designer estar sempre pronto a questionar e pensar? O designer bacana é curioso, quer entender de gente (ele trabalha para as pessoas e por pessoas) e gosta de ouvir vários pontos de vista. Divergir e convergir fazem parte do Design.

Beat Schneider diz que “Design é a visualização criativa e sistemática dos processos de interação e das mensagens de diferentes atores sociais; é a visualização criativa e sistemática das diferentes funções de objetos de uso e sua adequação às necessidades dos usuários ou aos efeitos sobre os receptores” no livro “Design – Uma Introdução. O design no contexto social, cultural e econômico”, da editora Blücher.

Richard Hollis, por sua vez, cita que “(…) a principal função do design gráfico é identificar: dizer o que é determinada coisa e de onde ela veio… Sua segunda função, conhecida no âmbito profissional como Design de Informação, é informar e instruir, indicando a relação de uma coisa com a outra quanto à direção, posição e escala … A terceira função, muito diferente das outras duas, é apresentar e promover (pôsteres e anúncios publicitários); aqui, o objetivo do design é prender a atenção e tornar sua mensagem inesquecível’, no livro “Design Gráfico. Uma História Concisa”, da editora Martins Fontes.

Ora, o designer não estuda a relação do usuário com o produto, seja ele uma embalagem ou uma interface digital?

Nós fazemos pesquisas, entendemos os concorrentes, aprendemos com quem faz bom trabalho e com trabalho ruim. Pensamos em contraste, balanço, tipografia, unidade, hierarquia, harmonia, escala, ergonomia e em Gestalt. Para que servem metodologias como o Design Thinking e o Design Centrado no Usuário? Será tudo isso para realizar um trabalho meramente ilustrativo?

O design conta uma história, serve a um propósito e entende seu público. Ele é questionador e cheio de perguntas.

É nossa responsabilidade (sim colegas! só reclamar não resolve nada 🙂 ) saber embasar nossos trabalhos em argumentos, fazer parte de times multidisciplinares e nos aproximarmos de desenvolvedores, arquitetos de informação, engenheiros e todos aqueles que participam do processo de criação e desenvolvimento de um produto para mostrar que design é, sim, projetar e construir trabalhos melhores, e que contribuem para a inovação.