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Os carros autodirigíveis e o impacto na sociedade

  • Blog
  • 24 de Outubro de 2015
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Nos últimos tempos muito tem se falado nos carros autodirigíveis, que estão sendo desenvolvidos tanto por grandes montadoras de automóveis quanto por gigantes do ramo de tecnologia, mas pouco é dito sobre o impacto deles na economia dos países, ou sobre o avanço que representarão para a mobilidade urbana.

O que são os carros autodirigíveis e quem está por trás dessa tecnologia?

Estudos e testes para criar um carro que não necessite de motoristas existem desde a década de 20, mas o assunto entrou em voga novamente com a entrada do Google — tradicionalmente uma empresa web- lutando por espaço nesse setor.

O Google realizou seu primeiro teste oficial em 2012, mas já vinha trabalhando nessa tecnologia desde 2009. Inicialmente, os testes foram realizados com carros “normais”, adaptados para o modelo autodirigívelHoje, a empresa tem protótipos totalmente voltados para humanos utilizarem apenas como caronas, e não como motoristas. Essas belezas já rodam em três cidades americanas e atualmente já percorreram mais de 1.6 milhões de quilômetros.

Outras grandes empresas do mundo automobilístico também estão correndo atrás para não perderem essa oportunidade que tende a remodelar a maneira como nos locomovemos. Durante a CES 2015, grandes fabricantes de carros como Mercedes e Audi apresentaram seus carros conceitos de autodirigíveis. O modelo A7 da Audi, inclusive, foi sozinho para a feira, percorrendo uma distância de 880 km até a apresentação. Mesmo assim, a grande vencedora foi a Mercedes com seu modelo F 015.

Carro autodirigível da Mercedes Benz.

Carro autodirigível da Mercedes Benz.

As melhorias de mobilidade que são prometidas com essa tecnologia

Como os carros autodirigíveis possuem sensores em todo o seu contorno e um software desenvolvido especialmente para eles, as melhorias que podemos vislumbrar para a mobilidade urbana, principalmente nos grandes centros, se torna gigantesca.

Imagine um trânsito livre de erros humanos, incluindo infrações provocadas por cansaço ou álcool. Pensando apenas no básico, nós conseguimos imaginar um trânsito muito mais fluido. Carros se guiando pelas melhores rotas para cada percurso, por meio de aplicativos como o Waze, limites de velocidade e regulamentações de trânsito sendo respeitadas… Isso significa menos acidentes e, consequentemente, menos engarrafamentos e mortes.

Levando essa visão mais à frente, pesquisadores do MIT conduziram um estudo para pensar nos efeitos urbanos que nós teremos no futuro. Ao juntar as ideias de caronas colaborativas e divisão de carro por pessoas, eles preveem um futuro em que o “seu” carro deixa de ser um conceito pessoal, propondo que o mesmo carro que fica horas parado em uma vaga esperando seu dono retornar do trabalho poderia estar levando outra pessoa da família ou até mesmo desconhecidos a outros lugares. Segundo esse estudo, seria possível reduzir a frota de carros de uma grande metrópole como Nova York em 80%, sem fazer com que pessoas se atrasem ou tenham de mudar seus percursos diários.

Conceito de carro dirigível do Google.

Conceito de carro dirigível do Google.

Com essa teoria de carros mais colaborativos, os ganhos em outras esferas também foram apontados pela equipe:

  • Meio ambiente teria um grande alívio nos gases poluentes com uma redução de veículos nas ruas;
  • O desgaste nas ruas e nas calçadas, que consomem milhões de impostos, seria muito menor.

Em suma, os nossos carros do futuro têm muitos benefícios, e em cerca de cinco anos é esperado que já tenhamos dez milhões destes rodando globalmente, segundo relatório da revista Business Insider.

As questões governamentais e o impacto na economia.

Existem dois lados que precisamos preparar no âmbito governamental para recebermos essas mudanças, e quanto mais rápido nosso governo agir, melhor poderemos preparar o país para embarcamos neste novo modelo que, como citado acima, trará benefícios para todos.

Os impactos econômicos:
Apenas no Brasil, estima-se que tenhamos por volta de 600 mil caminhoneiros autônomos, que ganham a vida levando cargas de um canto a outro de nosso país, ou até para outros países do continente. Somado a isso, temos mais de 80 mil taxistas registrados apenas no município de São Paulo, fora motoristas de ônibus, motoristas autônomos e outras categorias. Ou seja, mesmo que a tecnologia seja implementada de maneira gradual, o risco de uma crise de desemprego em massa existe.

Regulamentações específicas:
No momento estamos vivenciando uma crise entre um novo modelo para oferecer serviços de táxi, com o aplicativo Uber, e a rigidez do sistema tradicional de táxi prestado nas cidades brasileiras.

Durante este confronto, que transpassa o serviço e vai para um campo de ideias e ideologias, pudemos assistir os governos estaduais dominados pela força dos sindicatos e contrários a um serviço que gera benefícios para o consumidor, e que também contribui para criar novos empregos.

Por isso, se faz necessário que os representantes dos nossos governos comecem a se preparar para entender o avanço que os carros sem motoristas representam e com isso evitarmos um novo bloqueio tecnológico, que representa avanço em muitos pontos.

Modelo autodirigível da Mercedes Benz.

Modelo autodirigível da Mercedes Benz.

Segundo Elon Musk, proprietário da fabricante Tesla Motors, o governo americano não deve regular sobre todos os aspectos dos carros autodirigíveis nos próximos três anos. A entrada dos fabricantes e a demanda do mercado talvez alterem esse prazo.

TL;DR

Os carros autodirigíveis têm potencial para trazer uma melhoria fantástica para a vida das pessoas, melhorando a mobilidade urbana, trazendo impactos positivos para o meio ambiente e também para o trânsito.

Para evitar os impactos que podemos sofrer, precisamos que nossos governantes iniciem estudos sobre o tema, para endereçarmos de maneira correta as questões de regulamentação e incentivo econômico para atrair fabricantes e mitigar possíveis danos que o mercado de trabalho venha a sofrer.

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