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Não fazemos projetos, fazemos produtos!

  • Blog
  • 13 de Dezembro de 2015
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Há quase dois anos, o Fernando de la Riva escreveu esse texto aqui no Blog para dizer que não fazemos software, nós fazemos produtos digitais. Desde então, estamos usando a palavra “produto” frequentemente, mas percebemos que ainda ficam algumas dúvidas na comunidade de tecnologia em geral quando falamos em projetos x produtos. Portanto, vamos tentar explicar um pouco da nossa visão quanto a isso.

“Um produto começa quando um projeto termina”: essa frase resume muito bem a diferença entre os dois conceitos, mas vamos voltar um pouco no tempo para explicar com mais detalhes.

Durante muito tempo, no Brasil e no mundo, os projetos foram abordados de maneira “waterfall”, ou seja, só se seguia para a próxima fase quando terminava a anterior. Esses projetos demoravam muito tempo até ter algum código disponível. Era necessário passar por fases de requisitos e design que muitas vezes demoravam meses e geravam muito “papel”, material que tentava antecipar tudo que o sistema deveria ter e de que maneira. Depois do código implementado, ainda tínhamos as fases de testes integrados e no fim, quando entrava em produção, muitas vezes o projeto não atendia o que o usuário final precisava.

Esse problema tinha duas causas principais: ou demorou muito para ficar pronto e o negócio mudou ou o projeto não previu determinado cenário. Resumindo, o nível de sucesso era baixíssimo.

Em 2001 surgiu o movimento ágil, que tem suas principais características evidenciadas no Manifesto Ágil. Esse manifesto prega mais agilidade no desenvolvimento, que o time não fique preso a vários processos que só faziam o desenvolvimento das soluções ser mais burocrático.

agile

O ágil trouxe uma nova abordagem aos projetos, passamos a entregar mais rápido e o nível de sucesso dos projetos aumentou consideravelmente. Entretanto, uma coisa ainda não estava endereçada: estávamos entregando softwares que realmente agregavam valor ao cliente final?

É essa a pergunta que a abordagem de produto que defendemos atualmente responde. Buscamos muitas referências sobre o assunto, praticamos, aprendemos e chegamos à conclusão de que na visão de produto o que interessa é entregar software em produção, rápido e com algo que faça sentido para seu stakeholder.

Um produto digital só começa quando entra em produção, pois é apenas nesse momento que podemos colher dados e ver qual direção os clientes apontam para seu avanço. Por isso, é preciso colocar um produto em produção o quanto antes, e a fase de projeto deve ser a mínima possível (já falamos também aqui no Blog sobre o MVP). Facebook, Amazon, Google e todas as gigantes do mundo digital trabalham dessa maneira, e é inegável o nível de sucesso que elas apresentam. As entregas de projetos muitas vezes não são aderentes aos clientes justamente por essa falta de métricas e testes.

Os projetos costumam ter início, meio e fim, ou seja, uma visão de longo prazo com previsões do que pode acontecer no meio do caminho. Os produtos, diferentemente disso, evoluem a todo momento. Cada avanço do produto é baseado em muita métrica colhida de seus clientes. Afinal, ninguém melhor para dizer a direção que o produto deve tomar do que as pessoas que realmente vão utilizar.

Enquanto o escopo de um projeto é fixo, o escopo de um produto é variável. Enquanto no projeto normalmente você define qual time trabalhará, quanto você vai gastar e em quanto tempo ele estará pronto, em um produto a visão é de longo prazo. O ideal é ter um time trabalhando e evoluindo aquele produto pelo tempo que o produto existir. Costumamos dizer que em software só conseguimos controlar duas dentre as variáveis tempo, custo e escopo. Se não quisermos abrir mão da qualidade, é preciso variar o custo ou o tempo de entrega.

Por fim, vale lembrar que um projeto fica pronto em algum momento. Isso não acontece com um produto, que está sempre em evolução. Melhoramos, adicionamos features, vemos que determinada função não é adequada e assim vamos tornando um produto cada vez melhor. A evolução é constante.

Discorda, concorda ou tem alguma dúvida com relação ao texto? Deixe seu comentário abaixo! Até a próxima.