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Bancos como plataforma de negócios

  • Blog
  • 23 de Fevereiro de 2016
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Recentemente, a Comissão Europeia propôs uma revisão da diretiva relativa aos serviços de pagamento (PSD2), e essa proposta foi aprovada pelo Parlamento Europeu. A ideia é melhorar a segurança dos consumidores e promover o desenvolvimento e a utilização de meios de pagamento móveis e inovadores.

Em um artigo chamado “How Open Baking Will Change the Banking Landscape”, o consultor sênior da Zanders Steyn Verhoeven considera que essa iniciativa é um primeiro passo importante para o que ele chamou de banking-as-a-platform. O PSD2 inclui disposições que permitem aos bancos expor suas APIs públicas de modo a acelerar a transformação digital dos bancos que vem sendo incentivada pelo surgimento de diversas FinTechs mundo afora.

O que é API?

Basicamente, as Application Programming Interface são padrões que permitem que componentes de software se comuniquem e troquem informações. Embora as APIs sejam muitas vezes utilizadas para conectar componentes de software dentro de uma organização, a Internet proporcionou uma popularidade para APIs externas ou públicas. Grandes empresas estão disponibilizando APIs públicas para permitir que terceiros acessem dados e serviços em um ambiente controlado.

Usar uma API significa que apenas os aspectos desejados da funcionalidade de software estão expostos, enquanto o resto da aplicação continua protegida. Por exemplo, o Facebook usa a API do Youtube para expor vídeos na timeline de seus usuários. O aspecto mais interessante do uso das APIs públicas é, sem dúvida, o fato de que elas permitem a organização inicial agregar ao seu core novas funcionalidades, gerar novas receitas e atender melhor às necessidades de seus clientes.

Bancos como Plataformas de Negócio

Com a adoção do PSD2, Steyn espera que os bancos tradicionais de varejo, que atualmente oferecem uma gama de serviços financeiros end-to-end por meio de vários canais, comecem a expor suas APIs públicas e passem a servir como verdadeiras plataformas de negócios, nas quais terceiros possam construir suas próprias aplicações utilizando os dados dos próprios bancos.

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O conceito de banco como plataforma oferece grandes oportunidades para os bancos expandirem seu alcance, se eles forem capazes de adotar e explorar esta nova fronteira tecnológica.

Iniciativas FinTech

Atualmente, a utilização de APIs públicas são mais encontradas no mercado de pagamentos, geralmente em torno de carteiras digitais e pagamentos peer to peer. O PayPal foi uma das primeiras empresas a simplificar o processo de pagamento on-line com o uso de APIs, mas como exemplos mais recentes podemos citar o Venmo, o Google Wallet e o Apple Pay.

Mas não é só no foco em pagamento que estão as iniciativas FinTechs. Na verdade, os novos players estão desafiando vários aspectos dos modelos de negócio que eram restritos aos bancos. Abaixo, algumas iniciativas que estão se mostrando bem-sucedidas:

Empréstimos e Poupança: Zopa (UK), Smava (Alemanha), Prosper e Lending Club (ambos dos EUA) são exemplos populares de empréstimos peer to peer. Digit e Acorn (ambos dos EUA) oferecem modelos de poupança simples, enquanto Mint e LevelMoney ajudam os consumidores a gerir o seu dinheiro organizando todos os seus dados financeiros em um único aplicativo.

Financiamento e investimento: Várias startups de crowdfunding, como Kickstarter, Nutmeg, Betterment (UK) e Wealthfront (US) têm foco em serviços de investimento, ao passo que eToro (Chipre), ZuluTrade (Grécia), StockTwits (EUA), Robin Hood (EUA) e Bux (Países Baixos) oferecem serviços de corretagem.

A nova era bancária

Os bancos já estão reconhecendo as oportunidades que o conceito de “Banco como Plataforma de Negócios” pode oferecer. O BBVA foi um dos primeiros a desenvolver APIs públicas para várias partes do seu negócio. Em fevereiro de 2014, por exemplo, adquiriu um banco digital startup americano chamado Simple, que funciona como uma “camada inteligente” e oferece dados de clientes com análise de suas transações. Isso com o objetivo de aumentar ainda mais as suas capacidades de tecnologia.

Nesse contexto, também vale destacar o Projeto Open Bank, iniciativa alemã que facilita a inovação no setor bancário oferecendo uma API de código aberto para que desenvolvedores e empresas construam aplicações e serviços inovadores baseados no conceito de Banco como Plataforma. Todas estas iniciativas estão ganhando força, como mostra o relatório Gartner de 2015 sobre o Hype Cycle for Open Banking APIs, Apps and App Stores. Nele, fica clara a ascensão das APIs bancárias e das lojas de aplicativos bancários.

Visão de futuro

De acordo com Steyn, o setor bancário mundial já reconheceu a importância de se adaptar ao mundo digital. Entretanto, este novo paradigma exige um grande esforço de transformação, como o abandono de sistemas legados, por exemplo. É quase que uma entidade “magra”, com grande capacidade de acompanhar os desenvolvimentos tecnológicos e a rapidez com que eles ocorrem de modo a corresponder às expectativas de clientes digitais.

Enfim, o banco mais bem-sucedido do futuro será o banco com a plataforma mais popular e mais amplamente aceita pelo mundo digital. Em outras palavras, os bancos devem considerar a possibilidade de se tornarem um pouco mais como Apple e Google, para evitar que o Google ou a Apple se tornem o novo banco.

Tem alguma dúvida ou alguma contribuição? Aproveite o campo abaixo!