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(2+2) O que é ser um profissional?

  • Blog
  • 2 de Maio de 2016
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No dia 21 de Abril de 2016, vimos o colapso da ciclovia Tim Maia no Rio de Janeiro. O trágico acidente levou a vida de 2 pessoas, e a foto de Custódio Coimbra na reportagem mostra o estrago na ciclovia:

Colapso da Ciclovia

Aguardamos agora os resultados da investigação e uma resposta técnica sobre o acidente além de, é claro, que também que sejam apontados os responsáveis.

Veículos da imprensa têm consultado especialistas na tentativa de esclarecer o caso e informar ao público, trazendo transparência ao processo. O engenheiro Moacyr Duarte falou com o G1 sobre o que viu no projeto básico da ciclovia. Aparentemente, este projeto não endereça a questão das ondas de forma apropriada. O engenheiro Gerardo Portela também falou com o portal G1, só que desta vez sobre o projeto executivo. O projeto executivo também não trata da questão das ondas, ou de como se tem dito, do mar de ressaca.

Apesar de não termos ainda o resultado, me parece que na cabeça de todo cidadão fica martelando uma pergunta: “Se é público e notório que a região está exposta às ondas, e esta ressaca não foi nada de muito extraordinário para o local, então como é possível acontecer algo assim ?” A obra custou ao público R$ 45 Milhões.

Alguém fez o projeto base, alguém fez o projeto executivo, alguém colocou as colunas e o cimento, alguém fiscalizou e alguém inaugurou, liberando o uso pelo público.

Ao se formarem, os médicos fazem o juramento de Hipócrates, do qual reitero o seguinte trecho: “…Aplicarei os regimes para o bem do doente segundo o meu poder e entendimento, nunca para causar dano ou mal a alguém”.

Em 29 de Março de 2016, após um mutirão de cirurgia de catarata em São Bernardo do Campo, SP, 22 pessoas ficaram cegas conforme reportagem da RedeTV!.

A reportagem diz ainda que a secretaria de saúde apontou como causa a falta de esterilização de equipamentos e falta de higiene da equipe. Quase todos os pacientes naquele dia ficaram cegos. A grande maioria são idosos, que terão um impacto gigantesco em sua qualidade de vida.

Olhando para estas questões, não quero apontar os responsáveis, mas não posso evitar o questionamento. E eu ? Será que serei eu o responsável por um desastre dentro da minha área? Será que algum dos meus colegas será? Fazer software tem equivalência com estes casos?

Como diz o premiado autor Corey Doctorow, não temos mais carros, temos computadores que dirigimos, e não temos mais aviões, temos computadores que voam.

Software está em quase tudo, e o resto está vindo.

O Software que escrevemos pode ou não ter consequências de vida ou morte, mas não há dúvidas sobre uma coisa: nós precisamos ser profissionais! Nós também temos um compromisso com o que conhecemos ser adequado para o software, para a criação de Produtos Digitais.

Isto com certeza significa um compromisso pessoal ético, em que no mínimo apresentemos de forma adequada os riscos aos “nossos pacientes”. Precisamos nós, profissionais desta área, criar as condições para que nossos clientes, os usuários do software e o público, tomem decisões informadas.

Pense no seu dia-a-dia: se projetos Waterfall têm uma taxa tão baixa de sucesso, o que faz com que alguém da nossa área continue fazendo projetos dessa forma?
Se o seu cliente usa um processo de deployment manual, você, ou eu, como profissionais, deixamos claro que este processo induz ao erro, que teremos downtime, que deixaremos os usuários na mão?
Se você escreveu um código e não testou seu próprio código; se passou adiante para outro testar, ou pior; sabia que estava errado mas confiou que mais à frente outra pessoa teria que lidar com isso; será que estamos sendo profissionais?

Eu digo que já passou da hora de passarmos a responsabilidade adiante. É hora de realmente fazermos o melhor que podemos, é hora de assinarmos o nosso código, é hora de sermos todos desenvolvedores de software profissionais.

Pense a respeito. Escreva! Mesmo que só para você, como agir daqui para frente ? Como resistir às pressões para se conformar? Converse com seus colegas… vamos criar uma profissão da qual só tenhamos orgulho.

Tem algum comentário ou sugestão sobre o assunto? Deixe sua contribuição abaixo! Até a próxima.