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Três lições aprendidas com alunos do ensino médio

  • Blog
  • 24 de Julho de 2016
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Na última semana tive o prazer de participar de uma banca de apresentação de alunos de ensino médio do Colégio Estadual José Leite Lopes, o NAVE, que é uma parceira público-privada entre a Secretaria de Educação do Estado do Rio de Janeiro e o Instituto Oi Futuro. Na apresentação, os alunos deveriam mostrar ideias de produto para serem desenvolvidas. A apresentação deveria conter o público alvo, a necessidade/problema e uma possível solução. Mas esperem… tem mais. A apresentação deveria ser em inglês! Alunos de 17 anos iriam fazer um pitch em inglês de no máximo três minutos para mostrar suas ideias. Desafiador, não? Tirei algumas lições desta participação, que compartilho com vocês abaixo.

1. Coragem para enfrentar o medo

Dizem que o medo de falar em público é um dos mais temidos. Pesquisas mostram que algumas pessoas têm mais medo de falar em público do que morrer! Nesta apresentação, os alunos estavam superando essa fobia. Alguns gaguejando, outros mais fluentes, mas todos estavam lá… enfrentando esse medo. E não fugindo dele.

Em uma das apresentações, um determinado aluno travou e não conseguia mais falar. O medo o impedia de continuar. E o que ele fez? Respirou fundo e tentou falar. Não conseguiu. Respirou de novo, tentou e não conseguiu. Parou. Um silêncio ensurdecedor na sala. Ele sabia que aquele era o momento de falar e que não podia ficar calado. Ele estava preparado, mas algo o estava impedindo de falar. Depois de alguns segundos de silêncio, ele abriu a boca e falou. Ele conseguiu. Estava muito nervoso, mas conseguiu.

Venceu a barreira que achava que não era possível e falou em público. E de agora em diante ele sempre vai conseguir falar em público. O medo ainda vai estar lá, mas ele vai acessar esse momento e da próxima vez vai vencê-lo com mais facilidade, pois esse medo foi destilado. E vai ser destilado cada vez mais. Por isso que a prática é importante, o que nos leva ao segundo ponto.

2. Simulação e Prática

Ensaiar é importante e mais importante ainda é você estar em um conflito real. Uma simulação da realidade te prepara, mas não grava na sua mente o caminho verdadeiro para sair do conflito. Somente praticando com uma situação real você consegue registrar em você mesmo a saída do conflito.

Os professores da escola que visitei sabem disso. Sabem que precisam colocar os alunos de frente para uma situação mais real possível. É por isso que se preocupam em chamar pessoas de fora do colégio para avaliá-los e, assim, colocá-los em frente a uma situação real, e não apenas uma simulação.

Alguns têm dons naturais para certas coisas que nós não temos. É claro que alguns têm mais talento para falar em público e isso é normal. Pessoas têm dons diferentes, não adianta ficar comparando. É por isso que se você tem mais dificuldade do que alguém em determinado assunto, você não pode esperar que o conhecimento caia do céu. Você precisa se esforçar mais, praticar mais e fazer o seu melhor. O que nos leva à 3º lição.

3. Fazer o seu melhor vs fazer o possível

Quando somos jovens não entendemos a palavra ‘impossível’. Somos menos céticos. Não pensamos se algo vai dar certo ou não, simplesmente fazemos.

O projeto desses alunos era apresentar uma ideia de produto, mas eles foram mais longe. Alguns apresentaram protótipos no papel, outros protótipos em vídeo e outros foram procurar parceiros para o produto!

Isso é incrível. Eles não fizeram o possível para o trabalho. Eles deram o melhor de si. Fazer o possível é fazer apenas o que a tarefa demanda. Fazer o melhor é ir até o limite da fronteira da sua capacidade.

E fazer o melhor não significa fazer o melhor produto sem bugs, com o fluxo perfeito. Não é o melhor do mundo. É fazer o seu melhor, na condição e recursos que você tem hoje. E na condição de aluno de ensino médio, aquelas apresentações eram as melhores.

Quando envelhecemos, nos deparamos com algumas situações em que podemos fazer o melhor, mas nos contentamos com o possível. Vamos caindo na mediocridade.

Em resumo, o que podemos aprender com jovens de 17 anos que desconhecem o impossível:

1 – Coragem de enfrentar o medo, indo de encontro a ele e destilando-o.

2 – Simulação é uma boa tática para aprender, mas praticar em situações reais é ainda melhor.

3 – Fazer o possível é diferente de fazer o seu melhor, que é fazer o máximo dentro dos recursos que você tem hoje.

Faz sentido? Gostaria de deixar alguma contribuição? Aproveite os campos abaixo!