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O que o espetáculo mais triste da Terra tem a nos ensinar?

  • Blog
  • 7 de Agosto de 2016
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Sabe aquelas coisas que você nunca ouviu falar mas que, quando fica sabendo, não acredita como nunca tinha ouvido antes? Pois é, fiquei me sentindo muito mal informado quando ouvi esta história que aconteceu em 1961 no Rio de Janeiro. Ela ficou conhecida como “O espetáculo mais triste da Terra“.

Um empresário chamado Danilo Stevanovich decidiu que montaria o maior circo do país.
Ele conseguiu: o Gran Circus Norte-Americano  – que de americano só tinha o nome – era de fato o maior da América Latina. Contava com cerca de 60 artistas, 20 empregados e 150 animais. O circo foi montado no centro da cidade, e era enorme; só a lona principal pesava seis toneladas.

Nos anos 60, com a carência de tecnologias que temos hoje, a forma mais comum de construir um empreendimento desses era contratando muitas pessoas. Pois bem, Danilo contratou imediatamente quase 50 pessoas para ajudar na construção. Com pressa para contratar, os perfis não foram corretamente avaliados, os critérios foram baixos para
preencher rapidamente as posições.

Um dos funcionários contratados foi Adílson Marcelino Alves, conhecido como Dequinha.
Ele possuía antecedentes criminais e tinha problemas mentais. Após dois dias de trabalho, Danilo demitiu Dequinha de uma forma bastante grosseira.

O circo foi um sucesso, estava sempre lotado. Em um final de semana de dezembro, todos os ingressos para aquele espetáculo foram vendidos. Casa cheia, 3000 pessoas aguardando para ver o espetáculo. Dequinha, que ainda simpatizava com o circo, queria assistir o show, e como não havia mais ingressos disponíveis ele tentou entrar de graça. Foi visto, reconhecido e impedido de entrar no circo. Ficou inconformado.

As consequências foram trágicas. Em um ato de vingança, Dequinha incendiou a lona, que era altamente inflamável. Mais de 370 pessoas perderam a vida naquele momento. Várias outras pessoas foram morrendo em decorrência dos ferimentos, ultrapassando a marca de 500 mortos. Mais de 70% desses mortos eram crianças. Para piorar ainda mais o cenário, neste dia, a classe médica do Rio de Janeiro estava em greve. Dequinha foi preso, escapou e foi encontrado morto meses depois.

Quem quiser saber mais sobre o assunto pode conferir o livro O espetáculo mais triste da Terra, de Mauro Ventura.

Você deve estar se perguntando por que raios eu escrevi sobre essa história tão triste. Eu não quero acabar com o seu humor, mas a tristeza é conhecida como o sentimento da introspecção, que nos faz refletir e olhar para nossos atos. Não acho que o Dequinha tenha sido inocente, mas queria deixar uma questão: será que se ele tivesse sido tratado com gentileza essa tragédia teria acontecido?

Não só no ambiente corporativo como em todos os aspectos da vida, temos que lidar com pessoas. Pessoas são organismos vivos que reagem de acordo com os estímulos que recebem, e essa reação quase nunca pode ser prevista, mas normalmente temos a chance de pelo menos tentar evitar uma reação negativa. Por isso, por que não tratar as pessoas com humanidade, dignidade e respeito?

Os líderes, em especial, têm um papel extremamente relevante na vida e carreira das pessoas. Eles precisam estar sempre atentos aos seus feedbacks, uma vez que as pessoas se espelham e se inspiram neles. Isso faz com que atitudes impulsivas tenham consequências profundas.

Você está aplicando estes valores no seu cotidiano? Comente nos campos abaixo! Até a próxima.