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Vim do futuro e posso dizer…

  • Blog
  • 10 de Setembro de 2016
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Você deve ter agora seus 20 e poucos anos, já fez sua faculdade, curte as redes sociais, ouve música durante boa parte do dia, não sabe o que vai ser de amanhã… sim, eu sei disso! Eu, hoje com quase 40, há mais ou menos 15 anos estava nesta vibe.

Muita fartura, oportunidades, quase tudo disponível a todo momento… Que êxtase! Todas as empresas queriam entrar na Web. Uhull… Ano de 1999, quando tudo começa.

Quase uma década e meia se passou e é aqui que eu volto no tempo e digo para você: acho que posso dizer o que vai acontecer.

Certo dia eu leiloei com meu salário, sério! Cada empresa que me ligava eu aumentava em R$1 o valor da minha hora. Eu tinha duas, às vezes três entrevistas por dia, até que um cara me ligou para fechar e o meu valor já era outro. O cara do outro lado da linha estranhou: “nós conversamos ontem e seu valor não era esse…”

No ano de 2000 qualquer empresa de tecnologia estava crescendo em um ritmo acelerado, quase voraz! Era bom de mais viver tudo aquilo. Projetos deixando de serem feitos simplesmente porque não havia tempo nem braço. Nosso mercado no Brasil estava incrivelmente bom para funcionários e empreendedores. Naquela época meu pensamento era “coding for fun” e eu era bastante promíscuo no que diz respeito a construir algo na vida.

Alguns anos se passaram, chegamos a 2009. O ágil começou a tomar forma, conquistar mercados e as soluções para web já estavam substituindo as plataformas Desktop. Algo parecido com 1999, mas agora voltado para software e soluções web.

Nesta época, a empresa na qual eu estava trabalhando tinha o plano de dobrar em dois anos. Imagina, uma empresa com doze anos pensar em dobrar nos próximos dois? Realmente era algo arrojado. Mais uma época de fartura de projetos. Os processos precisavam amadurecer rapidamente, as pessoas queriam se adaptar, entregar, ajustar e entregar mais e mais. Eu me sentia na crista da onda mais uma vez. Muita autonomia, muito desafio e muita gente com desejo ardente de realizar!

Estamos em 2016 em mais uma nova fase e eu estou em uma das empresas mais conhecidas e relevantes do mercado brasileiro, que desenvolve produtos digitais. Eu não sei onde você está, mas eu sinto aqui um resumo das melhores épocas do passado. Autonomia, liberdade, conhecimento, projetos, pessoas motivadas, desejo de entrega e teamwork pacas.

Na minha visão nós estamos no meio ou em algum momento de um período de crescimento agressivo, no qual nada do que você planeja é fiel com os resultados e cada vez menos isso acontece. Muitas pessoas estão no limite, as equipes estáveis são quebradas no meio pra suportar o crescimento e nós ainda sim temos que garantir as entregas.

Novas equipes aparecerão do nada. Muitas vezes você vai precisar se mudar com seu time, vai sentir que não consegue ter um canto seu, vai achar que tudo está bagunçado (e realmente está à primeira vista)… Porém, nós estamos voando e vai continuar assim.

Agora então vem o lance que eu queria te contar desde as primeiras palavras: algumas pessoas irão somar nesta fase, os mais otimistas e resilientes seguirão e quando olhar para trás vão sentir um orgulho indescritível em dizer que fez parte disso tudo sem promiscuidade, sem leiloar seu salário. Em partes, é muito legal o bem-estar de ser valorizado pelo seu conhecimento, mas liquidar é menos prazeroso em longo prazo do que construir. O momento é de construir e participar das expansões.

Confesso que a primeira vez que vivi isso eu não tinha maturidade para somar, eu estava em uma de “coding for fun” mesmo. A segunda experiência foi bem mais intensa e aproveitei muito mais, contribuí verdadeiramente.3

Se esta é sua primeira experiência profissional em “dobrar a empresa” eu diria: não apenas faça parte, entre de cabeça nesta “vibe”. Realize, participe ativamente de tudo que estiver acontecendo. Como disse Fernando de la Riva no livro Silicon Valley is here, – Como usar a agilidade corporativa para competir, “a solução viável é abraçar a disrupção e esquecer o pacto de mediocridade imposto pelo capitalismo de laços”.

Eu ainda não consigo assimilar tudo que o Fernando fala (às vezes é complexo), mas isso me inspirou pra cacete!

Por fim, quero dizer (na minha visão e experiência) que você faz parte de algo que irá quintuplicar nos próximos anos. O melhor é você poder fazer parte disso e ainda trazer pessoas da sua confiança e de capacidade para participar.

Go CS, Go!