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Coaching, depressão e como ser o que você quiser

  • Blog
  • 27 de Novembro de 2016

Mês passado fui convidada pra ir a uma empresa que eu considero incrível, e ao chegar lá recebi um dos melhores elogios que eu poderia querer:

Queremos muito trabalhar com você! As pessoas andam perguntando quando vamos conseguir te contratar!

Isso motivou um post no meu Facebook falando do quanto o Coaching me ajudou a chegar onde estou hoje:

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Depois disso algumas pessoas vieram me perguntar como foi o Coaching, se funcionava mesmo, como começar, entre outras questões. Então resolvi escrever um pouco sobre isso.

Aproveitando o embalo, republiquei 2 textos que eu tinha escrito durante o processo de Coaching e acho que seria interessante você ler antes de continuar nesse:

– Coaching & Happier: a eterna busca pela felicidade

– O #coaching acabou… mas as mudanças não!

Ambos são de 2014 e retratam o durante e o pós coaching dentro daquele mesmo ano.

Na época eu estava começando e me envolver com o trabalho em Comunidades de Tecnologia, tinha pouco mais de um ano de experiência na área de QA e estava extremamente perdida sobre como evoluir.

– Tinha muita coisa pra estudar mas não sabia por onde começar;

– Morava muito longe do trabalho então passava muito tempo no trânsito;

– Queria palestrar em eventos mas não me achava boa o suficiente;

– Vivia uma eterna Síndrome do Impostor, não importava o quão bem sucedida eu fosse.

Obviamente, tudo isso me afetava psicologicamente e a forma que eu meu organismo respondia (e infelizmente responde até hoje) era com gastrite nervosa: muitos dias de dor, fraqueza e idas ao hospital.

Uma das primeiras coisas feitas no Coaching foi olhar para todas as partes da minha vida e tirar um retrato da situação atual. Fizemos isso utilizando a Roda da Vida.

Nossa vida precisa de equilíbrio, então não adianta tratar apenas uma área e deixar as outras de lado.

Depois disso eu fui capaz de olhar exatamente onde eu tinha problemas e pensar em como resolvê-los.

Talvez uma pergunta que você possa estar se fazendo é: mas você não poderia ter feito isso sozinha?

Eu te respondo com outra pergunta: você acha que consegue ser crítico o suficiente consigo mesmo e não só admitir que você precisa melhorar em algum ponto e traçar metas pra isso? Eu não consegui.

Mesmo sabendo de tudo que eu queria alcançar, por muito tempo eu procrastinei as ações e o Coaching foi a ferramenta que me ajudou a tomar um rumo. 🙂

Além de pensar nas esferas da vida e nas metas que você quer alcançar, você acaba externalizando respostas que você achava que sabia mas nunca tinha parado pra pensar realmente.

Em algumas dinâmicas eu realmente ficava sem respostas pra perguntas que antes eu achava que eram simples de responder:

– Qual o seu maior sonho?

– O que é importante pra você?

– Em que você acredita?

– …

De todo esse trabalho eu gostaria de citar 3 metas que foram as mais significativas:

– Ser referência em QA no Brasil: eu realmente queria ser boa no que eu fazia e ser reconhecida por isso. E entenda que não é ser reconhecida pra massagear meu ego, mas ser reconhecida como uma boa profissional e que quando as pessoas pensassem em QA, lembrassem do meu nome e de que eu era uma pessoa que valia a pena procurar para tirar dúvidas;

– Morar sozinha: essa aqui tinha dois desafios  – economizar grana pra conseguir me bancar e convencer a minha mãe que eu podia morar sozinha e o mundo não acabaria por isso.

– Ter um emprego que me desafiasse mais: eu me sentia estagnada no trabalho mas ao mesmo tempo não me achava boa o suficiente para encontrar outra coisa.

Nesse ponto eu quero deixar uma observação para os leitores: o Coaching foi uma ferramenta que me ajudou muito, mas eu também precisei agir pra alcançar os resultados que eu queria.

Hoje, 2 anos depois, eu posso dizer que consegui chegar lá.

Sobre ser referência em QA, hoje eu tenho acumulado palestras em grandes eventos como várias edições do The Developers Conference, Agile Brazil, Scrum Gathering, Meetups no RJ e SP, Conferências de Teste e eventos em empresas como a Microsoft. Além do trabalho com o https://insideoutproject.xyz/ na organização de eventos que apoiam a diversidade em TI.

Sobre morar sozinha, já faz 1 ano e 6 meses 🙂

Sobre o emprego desafiador, depois de muito correr de processos seletivos e entrevistas, em abril eu resolvi participar de alguns e acabei mudando de empresa. Apesar de parecer simples agora, foi uma decisão bem difícil de tomar, eu realmente passei por uns dias de muito medo e tensão achando não ser boa o suficiente pra isso. Mas tudo deu certo no fim.


Não sou uma super heroína

Tem pessoas que me olham como se eu fosse uma super heroína mas que fique claro que eu não sou. Sou uma pessoa comum quanto qualquer outra e enfrento desafios comuns, como a depressão.

Em 2013 eu cheguei a me tratar e usar medicação. Em algum momento desse mesmo ano eu percebi que os efeitos colaterais estavam me fazendo mal e comecei a procurar outras formas de superar isso.

Acho que esse assunto é muito pessoal e cada pessoa enfrenta de uma forma, mas queria citar essa parte da minha vida pra mostrar que apesar da minha postura muito segura na maioria dos momentos, eu também tenho minhas fragilidades.

Quando eu ouço alguém dizer que me admira eu sinto um misto de felicidade por ser útil mas o mesmo tempo receio de que as pessoas me pintem como um ideal inalcançável.

Alguns dias eu acordo com essa cara e fico pensando o que eu estou fazendo da minha vida:

Nos piores dias existe a vontade de jogar tudo pro alto e fugir, nos melhores dias parece que eu vivo num sonho encantado. O segredo tem sido tentar me equilibrar pra que nos melhores dias eu guarde um pouco de força pra enfrentar os piores.

Essa parte do texto é pra desconstruir a visão de que existem pessoas que têm tudo e são bem sucedidas e têm a vida perfeita, todos nós como seres humanos temos os nossos percalços pela vida, a diferença está na forma de tratá-los. Quando você tem suas metas de vida claras e definidas, fica mais fácil passar por esses períodos difíceis.


O Limbo

Depois das metas alcançadas, eu passei a viver numa parte da vida que chamo de limbo. Esse limbo não é nada mais do que o momento no qual você chegou no lugar que queria e precisa recomeçar o ciclo, definir as novas metas e agir para alcançá-las.

É extremamente importante não perder o foco nesse momento. Então, se você estiver no limbo das metas, corre pra refazer o processo e continuar evoluindo.


O Voluntariado

Acabei aproveitando o período de limbo pra ser uma pessoa mais útil na sociedade. Eu sempre amei trabalho voluntário mas a correria da vida se sobrepunha à vontade de fazer o bem.

Me sentir útil para o próximo é uma das coisas que me motiva a continuar.

Hoje eu participo de duas iniciativas: a primeira é o Love it Forward List, no qual enviamos cartas para pessoas que estão passando por situações difíceis. São histórias muito tristes em sua maioria, mas que ao mesmo tempo nos dão oportunidade de compartilhar amor e carinho com pessoas que nem conhecemos.

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E o Projeto Ruas (Ronda Urbana de Amigos Solidários):

É um projeto sem fins lucrativos que ajuda a promover o bem-estar e cidadania da população em situação de rua junto com os seus voluntários. O principal objetivo do projeto é oferecer informações e estímulos para facilitar as escolhas dessa população e melhorar sua qualidade de vida. Informações sobre como obter identidade civil, onde procurar centros de reabilitação, noções de higiene e outras dicas de saúde pavimentam o caminho para a cidadania. Estímulos que incentivem o autoconhecimento, a autoestima e favoreçam reflexões fortalecem o papel de protagonista e a tomada de decisões de quem vive nas ruas. Também buscamos gerar empatia e despertar um novo olhar da sociedade em relação à essa população.

No Ruas a gente é desafiado o tempo todo a pensar no que realmente é importante na vida e como os nosso bens materiais não significam nada em face do que é ser humano.

Concluindo

Eu tinha muita coisa pra falar mas acho que consegui resumir bem nesse texto e espero que eu tenha passado uma mensagem bacana.

Todos nós podemos fazer coisas incríveis e chegar a lugares espetaculares, seja na vida profissional ou pessoal. Algumas pessoas conseguem isso com uma certa facilidade enquanto outras encontram alguns percalços pelo caminho. Mas a verdade é que todos encontram esses percalços, a diferença está na forma de lidar com eles.

Eu tento lidar com essas dificuldades um dia após o outro e tendo em mente sempre os meus sonhos e objetivos pra me lembrar que vale a pena todo esforço.

Encontre sua forma de superar esses desafios, peça ajuda a profissionais especialistas, se for o caso, mas nunca deixe de lutar pelos seus sonhos. Se você não o fizer, ninguém mais poderá fazer por você.


Para as pessoas que me pediram indicação de Coach, essa é a página da Anne, uma amiga muito querida que foi minha Coach e me ajudou nesse processo.

Tem alguma coisa a dizer? Aproveite os campos abaixo. Até a próxima!